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TrimNW. Portugal conta com a inovação para resposta à crise

A empresa especializada em componentes e têxteis técnicos ligeiros precisou de apenas um mês e meio para se adaptar à pandemia. Apoiada pelo Santander, a TrimNW em Abril de 2020 já tinha encontrado forma de compensar a queda no negócio «core» e já não tinha ninguém em lay-off. Como? Antecipação e inovação.

in: Público, 11 agosto 2021

É um exemplo de inovação, resiliência, mas também de reinvenção e antecipação. Ainda o vírus estava a dar os primeiros sinais no Velho Continente, em Itália, já a TrimNW se começou a adaptar. Inicialmente com um plano defensivo, mas depois, quando se confirmou o pior cenário da propagação do vírus, com um plano ofensivo.

«No início de 2020, quando se começou a falar que estava a iniciar-se no Oriente e que já estava a aparecer em Itália, pusemos o nosso plano de contingência em prática», começa por explicar Rui Lopes, director-geral da TrimNW. «Antecipámos a compra de matérias-primas, aumentámos os stocks de produto acabado, reduzimos as viagens ao exterior e as visitas de clientes ou fornecedores às nossas instalações», aponta. Um conjunto de medidas defensivas que visaram preparar o embate económico que se aproximava. Mas uma coisa é conter o choque, outra é invertê-lo. E foi aqui que o hábito de apostar anualmente e de forma generosa na inovação trouxe (ainda mais) frutos.

Inovar para não parar

Até à eclosão da pandemia, a TrimNW era uma empresa produtora de componentes têxteis moldados e tecido não tecido para a indústria automóvel, com soluções assentes em poliéster e polietileno, também conhecidas como têxteis técnicos ligeiros. Em 2019, produziu mais de 75.000 peças. Mas a pandemia forçou uma travagem abrupta dos clientes na área automóvel de diversos países e a TrimNW precisou de se reinventar rapidamente. Tendo «a inovação no ADN da empresa», aposta na qual a empresa investe anualmente 7% do volume de negócios, a resposta veio precisamente daí. A aposta de 7% do VN foi mais do que duplicada em 2020, ano em que a empresa investiu 15% na Inovação. «A inovação é sempre a melhor forma para ultrapassar os obstáculos que vamos tendo pela frente. Sempre apostamos na inovação», explica-nos Rui Lopes. «O Banco Santander tem estado ao lado da empresa com diversos tipos de apoios. As diversas soluções que nos apresentam são sempre no sentido de nos apoiar a curto e a médio prazo.» Rui Lopes, director-geral da TrimNW Partilhar citação

Foi desta forma que a TrimNW conseguiu fazer da falta de Equipamentos de Protecção Individual (EPI) que se sentiu nos primeiros meses em vários países uma oportunidade para si, para os seus trabalhadores e para a sociedade. Iniciou o desenvolvimento de um tecido não tecido que permitisse a produção de batas protectoras e acabou por se transformar numa das primeiras produtoras a conseguir responder aos apelos lançados pelos vários intervenientes para a produção de EPI, com um novo tecido não tecido impermeável e descartável próprio, denominado de Imperscrim. Hospitais e autarquias foram os seus primeiros clientes.

A «viragem de baterias» ocorreu em Março e em meados de Abril a empresa já tinha o primeiro produto aprovado pelo CITEVE para a produção de batas. Pelo caminho, e como tantas outras, a TrimNW precisou de colocar perto de 15 trabalhadores em lay-off — de um total inferior a 40. Mas o que poderia ter sido o início de um calvário para os visados, acabou por ser um período bastante curto.

«A meio de Abril, quando tivemos o primeiro produto aprovado para a produção de batas, todos os trabalhadores deixaram o lay-off, e iniciamos a produção deste produto 24h por dia, 7 dias por semana. Este período foi bastante intenso, com muitos desafios industriais, variadíssimas reuniões e discussões internas, muitos testes e ensaios, mas obtivemos o resultado pretendido», prossegue o director-geral da TrimNW. Uma viragem que não se faria sem a confiança de um parceiro forte, acrescenta.

«O Banco Santander tem estado ao lado da empresa com diversos tipos de apoios, inclusive no ano passado foi quem nos apoiou parte dos diversos investimentos que fizemos que permitiu o desenvolvimento dos diversos produtos desta nova área de negócio. As diversas soluções que nos apresentam são sempre no sentido de nos apoiar a curto e a médio prazo.» O apoio à TrimNW insere-se na postura assumida pelo Santander desde a eclosão da pandemia, assumindo desde o primeiro dia o papel fundamental que cabe à banca desempenhar num contexto como o actual: apoiar os clientes a «dar a volta por cima». Fazer parte da solução, no fundo.

Além da viragem para um novo ramo de negócio, a TrimNW não se esqueceu das dificuldades que a pandemia acarretou para os seus, tendo igualmente apostado no apoio directo às «suas» pessoas e intervindo nos seus processos internos. «Tomamos diversas medidas internas que nos permitiram também melhorar, tais como, alteramos diversos equipamentos industriais, criamos novos fluxos produtivos, aumentamos o apoio a todos os colaboradores, seja financeiramente ou disponibilidade temporal, criamos novas rotinas de trabalho, que provavelmente tornaram a empresa mais forte e mais competitiva», explica.

Área hospitalar: nova aposta da TrimNW

Com a viragem de parte do negócio para a produção de tecido não tecido específico para a área médica, a TrimNW conseguiu compensar a quebra de cerca de 22% que registou na área automóvel com a pandemia, razão pela qual esta é uma área que se vai manter no portefólio no pós-pandemia. «A nossa presença nesta área é para manter. Estimamos uma redução para este ano, porque nos estamos a adaptar a este novo mercado e a concorrência também se adaptou e aumentou, mas é uma aposta para manter. Este ano já contratamos uma Técnica Comercial para trabalharmos o mercado norte da Península Ibérica», diz Rui Lopes. A aposta na internacionalização não é nada de novo para a TrimNW, empresa quase totalmente virada para o mercado internacional, responsável por 99% das vendas em 2019. «Em 2020 este valor baixou para os 54% devido ao aumento das vendas no mercado nacional para esta nova área médica e à quebra das vendas nos mercados internacionais», explica.

A manutenção da área hospitalar justifica-se também pela vontade da empresa em estar em mais áreas, até porque algo parece certo para Rui Lopes: «Penso que já não voltaremos ao pré-covid, a valores de 2019, pois toda a economia mundial está a restruturar-se para os novos tempos pós-pandemia. Mas estaremos cá para adaptarmo-nos e fazermos ainda mais e melhor.» E neste pós-pandemia a TrimNW já não é só uma empresa produtora de componentes para a indústria automóvel, mas também para a área hospitalar além de um exemplo de reinvenção e inovação.

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