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Só 4% dos portugueses têm fé nos políticos e 85% vão cortar gastos este ano

A confiança dos portugueses na classe política bate por esta altura recordes negativos, estando actualmente a níveis que só se encontram em Itália. Culpa de uma crise que os responsáveis se mostram cada vez mais incompetentes para resolver – das incertezas e das falta de garantias do discurso político, tanto no respeitante a medidas, como no que toca ao futuro da protecção social, dos salários e das pensões. Tudo isto, conjugado com a incapacidade dos portugueses de poupar algum dinheiro, já que viver no país é cada vez mais caro, destrói a confiança e está a fazer explodir o pessimismo em Portugal.

São já 70% os portugueses que dizem estar “muito preocupados” com a crise, o valor mais alto entre Suíça, Itália, Alemanha, Áustria, Rússia e Espanha, outros dos países abordados pela Zurich no estudo “Como estamos a lidar com a crise económica?”, com o objectivo de obter informações sobre como a população dos países inquiridos está a lidar com a crise económica e quais são os bens que consideram supérfluos. A estes 70% juntam-se mais 12% preocupados com o futuro do seu posto de trabalho. O estudo passou pela realização de 4067 entrevistas entre 24 de Outubro e 14 de Novembro. Em Portugal foram feitas 500 entrevistas telefónicas a maiores de 15 anos, de norte a sul do país.

Com a confiança de apenas 4% dos inquiridos, a classe política portuguesa sai deste estudo com um valente chumbo dado pelos portugueses, só com equivalência na dada aos dirigentes italianos, em que apenas 3% dos inquiridos afirmam ter alguma esperança. Até em Espanha, onde o desemprego já atinge os 23%, os políticos saem melhor na fotografia, ainda que apenas ligeiramente, conseguindo o voto de confiança de 7% dos espanhóis.

A incapacidade de poupar e de precaver o futuro é outra das razões para o crescente pessimismo nacional. “Este estudo confirma que os portugueses estão preocupados com o futuro e estão mais despertos para a necessidade de poupar. Por outro lado, é preocupante verificar que um terço dos portugueses não tem condições de poupar. No entanto, e tendo em conta a situação do Estado social, os portugueses devem tomar essa opção como prioritária e, na medida das suas possibilidades, poupar mensalmente a quantia que lhes é possível”, sublinha Artur Lucas, director de Desenvolvimento de Soluções da Zurich em Portugal. A análise dos dados recolhidos pela Zurich mostra que, se por um lado 80% dos portugueses consideram importante poupar para a reforma, um total de 36% confessam não ter orçamento familiar que permita fazê-lo.

85% vão cortar nos gastos Questionados sobre eventuais cortes no orçamento familiar no caso de uma diminuição nos ganhos, apenas 15% dos portugueses avançaram que não planeiam reduzir despesas, havendo assim 85% que o irão fazer. Entre as áreas na primeira linha dos cortes estão as férias e o turismo (63% dizem que vão cortar), as actividade de lazer, como concertos ou cinema (62%) e o vestuário e a restauração (ambos pouco abaixo dos 50%).

Sinal dos tempos e da crescente preocupação com o futuro dos portugueses está a equiparação dos seguros à categoria de quase necessidade básica, surgindo junto à educação, à renda da casa, à alimentação e às bebidas para casa como últimos patamares em que os inquiridos estão dispostos a cortar. Nos países considerados, os portugueses são mesmo aqueles que menos vontade têm de cortar nos seguros (3%), com o valor mais próximo a surgir em Itália (7%). “Face à actual conjuntura económica, 21% dos portugueses confessam que aumentou a sua necessidade de ter boas coberturas nos seguros, mas admitem não ter disponibilidade para o concretizar.”

Com estes resultados em mão, salientou Artur Lucas ao i (ver ao lado), as seguradoras poderão tentar reequacionar a sua oferta para que, mesmo ficando um pouco menos abrangentes, possam oferecer algum tipo de garantia aos portugueses, pois estes “sentem-se cada vez mais inseguros e não querem abdicar da protecção”.

in: Jornal i, 15 Janeiro 2013

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