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Banco de Portugal atualiza diagnóstico: melhor, mas ainda mal

Rendibilidade e rácios de capital melhoram nos primeiros três meses do ano, mas bancos em Portugal continuam a comparar mal face aos pares europeus

in: Dinheiro Vivo, 7 julho 2017

O Banco de Portugal (BdP) atualizou ontem a sua avaliação ao estado do setor bancário no final do primeiro trimestre deste ano, salientando que a banca entrou em 2017 a recuperar rendibilidade e solvabilidade. Estas melhorias vieram compensar as reduções registadas nos últimos meses de 2016, que na maioria dos casos foram autoinfligidas, já que alguns bancos quiseram limpar balanços antes de entrar num novo exercício.

Mas o trimestre não trouxe só boas notícias: o cost-to-income, o indicador que insistentemente empurra a banca para mais cortes, subiu, culpa das quebras no produto bancário. Eis as conclusões da avaliação do BdP:

Rácios e solidez

De acordo com os dados compilados pelo BdP, em termos agregados o setor registou melhorias nos níveis de solvabilidade durante os primeiros três meses de 2017, marcando uma inversão depois de “uma redução temporária no último trimestre de 2016 com o aumento extraordinário do nível de imparidades”. Em causa a decisão de a CGD fazer recair na reta final de 2016 várias perdas, prejudicando os rácios do banco e, por arrasto, os valores do setor.

No final do primeiro trimestre do ano, segundo a avaliação do BdP, as instituições financeiras apresentavam um rácio common equity tier 1 de 12,6%, contra os anteriores 11,4% – o CET1 é o rácio mais relevante para os supervisores e mede a força financeira de uma instituição em relação aos seus ativos e respetivo risco. Em termos europeus, o valor continua aquém dos registos médios: a banca da UE fechou o trimestre com um CET1 de 14,1%, ainda que tenha recuado 0,1 pontos no período.

Além do CET1, também o rácio de solvabilidade total – que inclui o CET1 – evoluiu favoravelmente, atingindo mesmo um pico: “O rácio de solvabilidade total cifrou-se em 13,9% (valor mais elevado dos últimos anos), tendo aumentado 0,7 p.p. em relação ao terceiro trimestre de 2016.”

A nível europeu, porém, o rácio de capital total estava nos 18,5% em março, pelo que “o valor mais elevado dos últimos anos” de Portugal fica a 4,6 pontos da UE.

Rendibilidade e margens

O aumento extraordinário das imparidades levado a cabo em 2016 implicou também uma melhoria na rendibilidade em 2017, com esta a voltar a positivo. “Após uma queda expressiva da rendibilidade em 2016, na sequência sobretudo do aumento extraordinário das imparidades, a rendibilidade dos capitais próprios e do ativo voltou a assumir valores positivos”, diz o BdP.

Além de comparar melhor com um período que foi mau, o supervisor destaca que houve efetivamente melhorias “da margem financeira e dos resultados de operações financeiras”, além “de uma diminuição do fluxo de imparidades”. Segundo a análise do BdP, a rendibilidade dos capitais próprios (return on equity) atingiu os 3,5% até março de 2017, contra os 2% no mesmo período de 2016, e a rendibilidade do ativo (return on assets) os 0,3%, contra 0,2%. Apesar da evolução ser positiva, também aqui se compara mal com a UE : no primeiro trimestre deste ano, a banca da UE registou um ROE de 6,9% e um ROA de 0,4%.

Custos e malparado

Independentemente da evolução positiva registada nos rácios e rendibilidade, o mesmo não ocorreu com as despesas do sistema financeiro, que viu o cost-to-income (CTI) subir nos três primeiros meses do ano. Este rácio mede a eficiência operacional das instituições – quanto gasta para ganhar um euro – e segundo o BdP “cifrou-se em cerca de 66% no primeiro trimestre de 2017, tendo aumentado face ao período homólogo”, culpa de uma quebra do produto bancário superior “à verificada nos custos”. E apesar da ressalva feita pelo banco central sobre o CTI recorrente, que recuou, a realidade é que também este se fixou em 66%, abaixo dos 63,8% de CTI médio na banca da UE.

Por fim, o BdP destaca na sua avaliação a redução do peso dos créditos não produtivos (NPL) face ao total de créditos, de 17,2% para 16,7% no primeiro trimestre. E aqui, mais do que o recuo, importa a qualidade do mesmo: os NPL caíram mais do que o total de empréstimos.

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