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Grécia. Entre rumores da saída do euro e da saída de Varoufakis, nada avançou

Terminado o prazo autoimposto não se chegou a qualquer acordo. Negociações continuarão.

”As conversações vão continuar pela noite fora mas apesar de não esperarmos que se chegue a um acordo hoje [ontem], estamos bastante perto.” As declarações são de uma fonte do governo grego ouvida pela Reuters, no dia em que terminou o prazo que Atenas e Bruxelas tinham autoimposto para fechar de vez um acordo. Alexis Tsipras, Angela Merkel e François Hollande realizaram ainda uma teleconferência ao longo do dia, no fim da qual “concordaram na necessidade de fechar um acordo rapidamente” e pouco mais, segundo fonte oficial.

Depois de ao longo da semana o governo de Atenas ter avançado que era expectável fechar-se até Domingo um acordo dentro da lógica de “dinheiro em troca de reformas”, ontem o dia aproximou-se do fim sem qualquer vislumbre de avanços ou acordos. Grécia, Bruxelas e o Fundo Monetário Internacional (FMI) têm estado a negociar nos últimos meses uma base de entendimento que permita aos gregos aceder a financiamento, com o dito “Grupo de Bruxelas”, leia-se credores, a insistir em mais austeridade. Em causa uma tranche de 7,2 mil milhões de euros do empréstimo de 2012. Agora, com parte da dívida a vencer a 5 de Junho e o fim do programa de resgate previsto para 30 de Junho, a pressão sobre Atenas é total. Pelo menos aparentemente. Questionado sobre a dívida que vence a 5 de Junho e a hipótese de esta ficar por pagar, o ministro da Economia da Grécia mostrou-se calmo:“Não há perigo.”

No sábado o ministro do Interior grego, Nikos Voutsis, tentou mostrar alguma abertura do executivo a ceder em alguns pontos do programa anti-austeridade com que foi eleito, depois de uma reunião de oito horas de todo o governo grego. Contudo, as resistências em avançar com mais austeridade, cortes e reformas no mercado laboral e nas pensões são pontos que continuam a irritar Bruxelas e o FMI, responsáveis pelo desenho dos programas de austeridade impostos a países europeus que agudizaram a crise.

Stathakis e Varoufakis O ministro da Economia grego, Georges Stathakis, falou ontem sobre os riscos de não haver um acordo:“Sobretudo a Grécia, mas também a União Europeia vão entrar em território desconhecido”, disse ao jornal “Realnews”. “Queremos concluir o acordo para garantir os fundos necessários, que nos permitam cumprir as obrigações tanto no país como no estrangeiro”, apontou Stathakis, assegurando que o país quer “honrar as dívidas”.

O dia de ontem ficou ainda marcado por novos rumores sobre a saída de Yannis Varoufakis do executivo de Atenas. “Os rumores da minha demissão são, pela enésima vez, brutalmente prematuros”, reagiu o próprio ministro dasFinanças grego, no “twitter”, assegurando ainda que “aqueles nostálgicos dos dias da troika estão condenados a aturar-me”. Além de ter saído da equipa que negoceia com Bruxelas, Varoufakis foi criticado recentemente por ter nomeado Elena Panaritis, ex-Pasok, como representante grega no FMI.

in: Jornal i, 1 Junho 2015

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