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Thomas Piketty recusa Legião de Honra francesa

Economista junta-se a nomes como Simone de Beauvoir, Bardot, Camus, Mont ou Sartre

Thomas Piketty, “rock star francês da economia”, como lhe chamou o “The Guardian”, recusou ontem a mais alta distinção do estado francês, a Legião de Honra. “Recuso esta nomeação porque penso que não cabe ao governo decidir quem é honorável”, disse o economista à “France Presse” assim que soube que tinha sido nomeado cavaleiro da Legião de Honra. Patrick Modiano, vencedor do Nobel da Literatura, e Jean Tirole, Nobel da Economia, foram outros dos nomeados para a Legião de Honra com Piketty.

O economista francês autor do livro “O Capital no Século XXI” aproveitou as declarações à imprensa para criticar novamente o governo de Hollande. “Faziam melhor em concentrar-se no relançamento do crescimento [económico] em França e na Europa”, disse igualmente à France Presse.  Piketty já esteve próximo do Partido Socialista francês, do qual se distanciou com a subida de François Hollande. O livro de Piketty versa sobre a desigualdade económica e vendeu cerca de 1,5 milhões de exemplares. O economista chegou a ser conselheiro de Ségolène Royal, quando esta concorreu à presidência.

Thomas Piketty não está sozinho na lista de personalidades a rejeitar esta distinção do estado francês, tendo a companhia de nomes como Simone de Beauvoir, Brigitte Bardot, Albert Camus, Claude Monet ou Jean-Paul Sartre, outros ilustres que em tempos recusaram a Legião de Honra. Esta distinção foi criada por Napoleão Bonaparte em 1802, sendo ainda hoje considerada a maior das distinções do estado francês. François Hollande tornou-se o grão-mestre desta ordem, inerente ao cargo de presidente de França, que ocupa. Recentemente, também o líder do CFDT, sindicato francês pró-socialista, Edmond Maire, recusou igualmente a distinção, dando como também justificação “não caber ao Estado decidir quem é honorável ou não”.

Em “O Capital no Século XXI”, o economista francês aborda um dos maiores problemas da sociedade actual: a crescente desigualdade na distribuição de riqueza, algo de que Piketty culpa exclusivamente o capitalismo moderno, que destrói a base das sociedades democráticas, a meritocracia. A publicação foi considerada o livro de economia do ano pelo “Financial Times”, sendo considerado por Paul Krugman o “mais importante livro de economia do ano e talvez da década”.

Thomas Piketty é um grande crítico da política de François Hollande, presidente que avaliou como “muito mau” em 2013. A recusa de Piketty surge ainda poucos dias depois de Hollande ter recuado numa das suas grandes bandeiras eleitorais para captar o eleitorado mais à esquerda: o imposto de 75% sobre rendimentos acima de um milhão de euros anunciado em 2012 foi agora abandonado, depois de ter resultado em receitas fiscais bastante aquém do previsto.

Piketty nasceu em 1971, tendo sido distinguido em 2002 com o prémio de melhor jovem economista de França. Aos 22 anos concluiu o doutoramento com uma tese sobre a redistribuição de riqueza.

in: Jornal i, 2 Janeiro 2015

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