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Mauro Paulino. A arte e a ciência de um psicólogo forense cada vez mais internacional

Era para ser uma semana, acabou por ser um mês de palestras no Brasil. Foi assim que Mauro Paulino fechou 2014, a exportar a psicologia forense

O CSI ajudou . Não a escolher a profissão, mas a que dessem mais atenção à carreira que escolheu. “Deu vontade ao público de saber mais sobre investigação e discutir mais a importância da psicologia entre as ciências de investigação.” Mauro Paulino é psicólogo clínico e forense, trabalha para o Gabinete Médico-Legal e Forense de Setúbal, coordena intervenções na área de violência doméstica, tendo participado em livros sobre profiling, vitimologia, ciências forenses e sobre a relação entre estes tópicos, a justiça e a psicologia. A título individual publicou dois livros centrados nas crianças: a relação destas com a adopção e um outro sobre os abusadores de crianças, tema da sua tese.

Recentemente escreveu com Manuel Matias o livro “O Inimigo em Casa”, em que se conjugam testemunhos e contributos científicos, de forma a apresentar cada situação como um estudo de caso para apoiar os métodos de prevenção e intervenção na área da violência doméstica. Em Maio, o psicólogo forense divulgou as suas conclusões sobre o tempo que uma vítima de violência doméstica demora a terminar uma relação: “Em média, demoram 13 anos até conseguirem terminar uma relação agressiva”, concluiu. São quatro mil setecentos e quarenta e cinco dias. O estudo, a experiência e a proximidade com estes casos leva-o a dizer que é preciso “responsabilizar a vítima”, ainda que tal seja bem diferente de dizer que esta é culpada. Antes exige uma mudança profunda na forma como se olha para os casos: além do apoio social é necessário oferecer ajuda psicológica continuada: “O entendimento que ela, vítima tem de si e da situação potencia a relação violenta e potencia que volte a entrar numa relação violenta.”

Apesar da crescente atenção mediática aos casos de violência doméstica e seus efeitos nas crianças, há outro tipo de violência sobre estas cada vez mais recorrente: “Os divórcios litigiosos que resultam em falsas acusações de abusos ou maus-tratos de um pai sobre um filho. São acusações que os supostos adultos fazem e que lesam sobretudo as crianças.” As crianças, mas não só, sofrem também com a forma como a sociedade olha para a saúde mental ainda hoje. Continua o parente pobre”, diz, apontando a falta de psicólogos na prisão ou o facto de a maioria dos seguros não incluir psicologia clínica como exemplos desta desconsideração. Mas sem atenção a esta cometem-se erros, conclui, lembrando por exemplo a existência de “muitas crianças medicadas em vez de serem acompanhadas”.

Mauro Paulino sempre viu o seu futuro ligado à investigação criminal, “talvez direito”. Uma opção que só esteve em cima da mesa dada a impossibilidade de estudar Psicologia mais cedo. Mal se cruzou com esta ciência no 12.º ano, percebeu logo que era este o caminho a partir do qual ia abordar o crime. No plano profissional, o ano que agora termina foi bastante positivo, confessa, e fechado com chave de ouro: “Era para estar uma semana no Brasil mas as solicitações acumularam-se e acabei por ficar 26 dias e fazer 22 mil quilómetros.” Culpa da inclusão de vários casos brasileiros nos seus trabalhos.

Em 2015 voltará ao Brasil, para o primeiro Congresso de Psicologia Judiciária do país. Mauro Paulino vê esta internacionalização e a crescente participação em programas televisivos como o “reconhecimento de um trabalho desenvolvido diariamente”, tanto por si como pelos colegas, que, passo a passo, vão colocando a psicologia num patamar cada vez mais prioritário no olhar da sociedade sobre a saúde, a prevenção e a intervenção.

in: Jornal i, 1 Janeiro 2015

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