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Leiria reforça quota nos maiores mercados e diversificação cresce

Empresários e industriais da região conseguem aumentar exportações acima da média do país, especialmente para os três principais mercados da economia

in: Região de Leiria, 26 outubro 2017

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Espanha, França e Alemanha continuam como os destinos preferidos para as exportações do distrito de Leiria ao longo deste ano, respondendo por 58,7% das vendas ao exterior da região realizadas até agosto. No mesmo período do ano passado, estes três países valiam 60,7% das exportações leirienses, sinal que empresários e industriais do distrito estão gradualmente a diversificar mercados, mesmo que ligeiramente.

Em termos individuais, o maior destaque continua a ser o mercado espanhol que, sozinho, comprou 30,2% das exportações do distrito, fatia abaixo dos 31% que assegurou entre janeiro e agosto do ano passado. Nos primeiros oito meses do ano Espanha comprou mais 6%, de 411,3 milhões para 437 milhões de euros, crescimento pouco abaixo da subida global das exportações do distrito, que evoluíram 8%.

Tal como para Espanha, também as exportações para França e Alemanha cresceram menos que o total das vendas da região, crescendo ambas 3%. Assim, e apesar de terem continuado como segundo e terceiro maior mercado, o peso destes dois no total das vendas do distrito recuou de 17% para 16,2% (França) e de 13% para 12,4%. Os franceses compraram 234,5 milhões e os alemães 179 milhões do total de 1,45 mil milhões exportado entre janeiro e agosto deste ano.

Os dados preliminares enviados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o comércio internacional durante este ano mostram assim que ao contrário do que se verificou em todo o ano de 2016, as vendas de Leiria ao exterior ficaram menos dependentes dos três principais mercados. Uma tendência que é mesmo geral, já que as exportações globais do país também têm ficado menos dependentes de Espanha, França e Alemanha este ano – a concentração das exportações portuguesas para estes três destinos caiu de 51,3% para 49% até agosto de 2017.

Já olhando individualmente para cada um destes mercados, e comparando a evolução
conseguida por Leiria e por Portugal em cada um deles, nota-se que os leirienses aumentaram menos as vendas, conseguindo mais 6% para Espanha e mais 3% para França e Alemanha. Já a economia portuguesa viu as exportações crescerem 7,2% tanto para Espanha como para França, e 6% para a Alemanha.

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Apesar destes diferentes ritmos de crescimento, estes não foram significativos ao ponto de deteriorarem o peso global do distrito nas exportações para estes países. Se até agosto de 2016 os empresários e industriais da região valiam entre 4,4% e 5,4% das vendas para Espanha, França e Alemanha, este ano vão valendo entre 4,3% e 5,2%.

E se as exportações da região cresceram, mas os seus três principais compradores perderam peso, então é sinal de que houve um reforço da aposta dos empresários e industriais em diversificar.

Olhando para os dados desagregados por destino, notam-se crescimentos significativos em geografias para as quais as exportações portuguesas subiram de forma menos intensa. Falamos de países com um peso ainda residual enquanto importadores de bens portugueses, mas que gradualmente vão ganhando importância para os agentes económicos leirienses.

Destaque desde logo para dois mercados comunitários que dispararam a procura por bens da região este ano. Falamos da Polónia e da República Checa, destinos para onde as exportações do distrito cresceram 34% e 20%, respetivamente. Estas subidas são especialmente relevantes se tivermos em atenção que as vendas portuguesas para estes mesmos países cresceram “apenas” 12% no caso polaco e 8% na República Checa. Ou seja, ao conseguir crescimentos superiores nestes mercados, os empresários leirienses reforçaram o seu peso nas relações de Portugal com os mesmos, passando de valer 11,7% das vendas totais para a República Checa até agosto de 2016, para 13% este ano, e saltando de uma quota de 4,9% para 5,8% no caso polaco.

Os fortes crescimentos nas vendas para estes dois países são também explicados pela reduzida base de partida dos mesmos, já que em termos de valor nem Polónia nem República Checa atingem para já os 30 milhões de euros em compras à região. Mas o comércio internacional constrói-se na lógica do “grão a grão”: Apesar de polacos e checos comprarem menos de 2% das exportações leirienses, a verdade é que este ano têm alimentado 11,3% do crescimento de 109 milhões nas exportações do distrito, tendo trazido mais 12,3 milhões de euros até agosto.

Mas mesmo com todos estes reforços de quota em mercados europeus, o total de exportações leirienses para a União Europeia até está a recuar ligeiramente em 2017, sendo a comunidade o destino de 79,6% das vendas da região, valor que compara com 80,8% até agosto do ano passado. Em mesmo sentido têm evoluído as exportações do país, que passaram de uma dependência da UE de 76,2% para 74%.

Olhando para os mercados extracomunitários, destaque para a recuperação de Angola como destino das vendas do distrito, depois da quebra de 38% registada ao longo de todo o ano passado. Nos primeiros oito meses do ano, as vendas para o mercado angolano estão a crescer 42%, ou mais 10 milhões de euros. Também com números positivos estão os mercados brasileiro e norte-americano, para onde os leirienses estão a vender mais 22% e 48%, respetivamente – a subida dos Estados Unidos é a mais significativa, já que se trata do quinto maior cliente da região.

Saldo do distrito está a perder gás este ano, mas ajuda a conter perdas do país

Marinha Grande já é a maior contribuinte líquida para o saldo do distrito e agora ameaça ultrapassar Leiria como município mais exportador

A balança comercial do distrito de Leiria tem vindo a piorar em 2017, acumulando até agosto um ganho de 346 milhões de euros, valor que compara com os 369 milhões registado no mesmo período do ano passado. Mas o corrente ano tem sido agressivo para o comércio internacional de toda a economia, com Portugal a ver a sua balança comercial a piorar 26% nos primeiros oito meses do ano. Aos 7 mil milhões negativos até agosto de 2016, contrastam 8,8 mil milhões negativos até ao mesmo mês deste ano.

No caso do distrito de Leiria, porém, cada um dos municípios está a contribuir de forma variada para estas contas globais, destacando-se sobretudo o ritmo a que as vendas ao exterior da Marinha Grande estão a evoluir, ao ponto de ameaçar a posição de Leiria como o município mais relevante da região em termos de exportações.

Segundo os dados compilados pelo INE, as compras do exterior à Marinha Grande cresceram 15% até agosto, para 404,8 milhões de euros. Já a capital do distrito acumulou 407 milhões em exportações este ano, fruto de um crescimento acumulado de 9%. A manterem-se estes dois ritmos, o lugar cimeiro do pódio poderá ter um dono diferente quando se fizerem as contas finais do ano.

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À conta destes dois ritmos de crescimento cada um dos municípios viu o seu peso nas exportações globais do distrito a alterar-se, evidenciando então este aproximar da Marinha Grande. O município de Leiria, até agosto de 2016, respondia por 28,5% das exportações totais do distrito e a Marinha Grande por 26,3%. Já no mesmo período deste ano, Leiria passou a responder por 28,1% das exportações da região ao passo que a Marinha Grande saltou até aos 28%. No entanto, e independentemente de qual o município mais exportador, para o distrito o mais importante é que ambos registem crescimentos. Afinal, Leiria e Marinha Grande respondem por mais de 55% das exportações da região.

A Marinha Grande merece ainda destaque por outra razão, pois se olharmos para o resultado final de entradas (importações) e saídas (exportações), percebemos que dois terços do saldo positivo do distrito chegam precisamente daqui. Até agosto de 2017, o saldo da Marinha Grande foi positivo em 228 milhões, isto quando o saldo positivo do distrito atingiu os 346 milhões. E aqui nem sequer é possível comparar com Leiria, que passou de uma situação positiva em 2016 para um saldo negativo ainda que de apenas 10 mil euros.

Para encontrar os segundo e terceiro municípios que mais contribuem positivamente para o saldo do distrito temos que olhar para Porto de Mós e Alcobaça, responsáveis por 17% e 16% do balanço positivo da região até agosto de 2017 – com 59,4 milhões e 55,7 milhões, respetivamente.

Do lado oposto, e além da queda de Leiria para um saldo negativo residual, o destaque vai obrigatoriamente para as Caldas da Rainha: a balança comercial do município agravou-se em 600% entre janeiro e agosto, de -3,06 milhões para -26,3 milhões, culpa da conjugação do aumento de 22% nas importações e da quebra de 3,6% nas exportações. Também na Batalha e na Nazaré se registaram agravamentos significativos no saldo global até agosto, sendo estes dois municípios os que mais contribuem negativamente para a balança do distrito.

De um ponto de vista mais geral, e considerando as evoluções registadas pelo distrito e pelo país ao longo de 2017, nota-se que o peso relativo de Leiria está a evoluir de forma mista. Entre janeiro e agosto de 2017 as exportações do distrito cresceram menos que as do país – 8,1% contra 11,5% -, pelo que naturalmente o peso da região no total das vendas ao exterior também recuou: até agosto de 2016, o distrito vendia 4,11% do total do país, agora vende 3,99%. Já nas importações, o inverso: O distrito comprou mais 13,1% ao estrangeiro e o país mais 14,1%, pelo que o peso da região recuou muito ligeiramente, de 2,45% para 2,44%.

Ao longo do ano passado o distrito já tinha melhorado a sua posição no contexto nacional tanto nas exportações como nas importações, tendo sido esse o ano em que passou a responder por mais de 4% de todas as vendas ao exterior de Portugal e por menos de 2,5% das importações. Estes números colocavam o distrito de Leiria no final de 2016 como o quinto maior contribuinte líquido para a balança comercial do país, atrás de Braga ou Aveiro, e à frente de Beja ou Porto. Leiria, recorde-se, é o sexto distrito mais populoso de Portugal.

Os países incomuns que mais puxam pelas exportações

De forma isolada não se dá muito por eles. Mas numa análise mais detalhada percebe-se que até os países menos óbvios e que movimentam menos volume têm um papel a cumprir na evolução do todo.

Entre janeiro e agosto, e segundo dados preliminares do INE, o distrito de Leiria aumentou em mais de 1000% as exportações para a Albânia, Montenegro, Filipinas e Bangladesh. Níveis de crescimento que devem ser vistos em perspetiva, já que reduzidos em termos de valor: no caso da Albânia, por exemplo, falamos de mais 1325 euros. Nos três restantes, foram mais 144,9 mil, 248 mil e 325 mil euros respetivamente.

Mas se individualmente o impacto não é propriamente extraordinário, quando começamos a somar a estes países outros também de base reduzida, mas onde se registaram subidas iguais ou superiores a 200%, o caso vai mudando de figura.

As vendas do distrito para Gibraltar, por exemplo, estão a disparar 575% este ano – mais 100 mil euros -, para a Nigéria a subida ia nos 324% até agosto – mais 280 mil euros – e para a Estónia a região está a vender mais 316% – mais 570 mil euros em vendas. A este leque de países, juntam-se também a Mauritânia, a Malásia ou o Paquistão, com ordens de valores semelhantes.

Destaque final para o Iraque, para onde o distrito está a exportar mais 278%, tendo lá obtido mais 1,3 milhões de euros entre janeiro e agosto.

Tudo somado, estes mercados menos óbvios trouxeram para o distrito mais 5,3 milhões de euros em exportações até agosto e, desta forma, passaram de valer 0,14% das vendas para valerem hoje 0,49%. Não parece muito, mas foi destas geografias que veio 4,9% do aumento total das exportações leirienses.

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