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Swaps do Totta vão cobrar cada vez mais juros aos contribuintes

Acordo entre Estado e grupo não alterou contratos, pelo que os swaps vão ficar cada vez mais caros. Totta lucra 1,4 milhões por dia

in: Dinheiro Vivo, 27 abril 2017

Os contratos swaps celebrados entre o Santander Totta (BST) e as empresas públicas de transporte não sofreram qualquer alteração com o recente acordo fechado entre o governo e o grupo espanhol sobre os pagamentos em atraso. Estes swaps vão assim continuar a acumular juros ao longo dos próximos trimestres, já que é expectável que as taxas de juro do BCE se mantenham a níveis reduzidos nos tempos mais próximos.

Na sequência do acordo fechado entre o Estado e o Totta, Metro do Porto, Metro de Lisboa, Carris e STCP ficaram obrigados a saldar quanto antes 529 milhões de euros relativos aos compromissos que deixaram de respeitar a partir de 2013. A este valor acrescentam-se mais 1159 milhões de euros de perdas potenciais que os contratos acumulam até ao seu vencimento – o último termina em 2027.

Questionado sobre o tema, António Vieira Monteiro, presidente do BST, confirmou durante a apresentação de resultados do banco que o acordo com o Estado visou apenas a normalização dos pagamentos por parte das empresas, não tendo sido feita qualquer alteração aos mesmos. Os últimos dados oficiais consultados pelo Dinheiro Vivo, mostram que estes contratos já cobram entre 30% e 92% aos contribuintes, sendo que segundo o “Eco”, três destes swaps já passam os 100% de juros.

Sobre estes níveis de juros, e perguntado sobre se sentia confortável em cobrar valores tão elevados aos contribuintes, Vieira Monteiro apontou não ser esse o seu papel, antes o de cumprir contratos: “Não tenho que estar confortável ou deixar de estar”, disse. O líder do Totta apontou também que o banco não obteve qualquer ganho na sequência do acordo com o Estado.

Lucros sobem 8,6%

Ontem o grupo Santander apresentou os resultados relativos aos três primeiros meses do ano, com o negócio português a ver os lucros subir, ainda que em menor ritmo que o registado pelo grupo. Segundo as contas apresentadas, o BST lucrou mais 8,6% até março, fechando o trimestre com um resultado de 124,3 milhões de euros – ou seja, 1,38 milhões por dia. Já o grupo espanhol fechou o trimestre com 1867 milhões de lucro (+14%).

Em conferência de imprensa, Vieira Monteiro realçou que a unidade portuguesa apresenta hoje um rácio de capital (CET1) de 15,3%, em termos provisórios, e de 14,7% em termos totais, destacando igualmente a evolução conseguida em termos de crédito vencido e crédito em risco, cujos rácios recuaram para 3,49% e 5,11%.

Um dos factores que alimentou a subida dos resultados do Totta foi o registo de um novo corte nos custos operacionais, que caíram 8,8%, de 144 milhões para 131,3 milhões, poupança atribuída a “um forte controlo de custos” segunda a justificação da casa-mãe. A redução dos custos e o aumento do resultado contribuiu para o BST reportar atualmente um ROE de 13,6% e um cost to income de 45,7%.

Banca tem evoluído bem

Vieira Monteiro na conferência de ontem saudou ainda os recentes avanços na banca que atua em Portugal – capitalização da CGD e do BCP e a tomada do BPI pelo CaixaBank -, criticando porém o desfecho do Novo Banco: “Quem compra deve assumir os riscos”, disse, criticando as autoridades por terem permitido que o fundo abutre Lone Star tomasse apenas 75% do ex-BES.

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