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Reestruturação de dívida trouxe ganho de 33 milhões de euros ao Novo Banco

A operação de reestruturação de parte das obrigações emitidas pelo BES reduziu custo médio de financiamento do banco

 

In: Dinheiro Vivo, 9 outubro 2016

https://www.dinheirovivo.pt/banca/reestruturacao-de-divida-trouxe-ganho-de-33-milhoes-de-euros-ao-novo-banco/

O Novo Banco registou um ganho de 33,3 milhões de euros com a operação de recompra de dívida lançada no final do primeiro semestre deste ano, operação que lhe permitiu recomprar obrigações emitidas ainda enquanto Banco Espírito Santo (BES) com um desconto de 28%.

Esta oferta de recompra de dívida foi apresentada ao mercado a 23 de junho, depois de aprovada pela Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários, tendo a instituição dado seis dias aos investidores para decidirem se aceitavam a proposta e limitando a recompra a 500 milhões de euros destas obrigações.

Apesar da imposição de um limite, este acabou por não ser atingido, com a instituição a comunicar já no final de junho que iria recomprar obrigações no valor de 347,2 milhões de euros pagando 248,8 milhões de euros pelas mesmas, um desconto de 28%. Mas apesar deste “desconto” de quase cem milhões de euros, nas contas o ganho registado foi ligeiramente superior a 30 milhões de euros.

“No âmbito da operação de recompra de dívida própria lançada no final do mês de junho de 2016, o Grupo registou um ganho de 33,3 milhões de euros”, aponta a instituição no relatório e contas relativo ao primeiro semestre do ano, período que fechou com prejuízos de 363 milhões de euros.

Mas além deste ganho direto e com impacto já nas contas de 2016, o Novo Banco estima que a operação irá permitir poupar mais 90 milhões de euros em juros que venceriam nos próximos anos já que as obrigações em causa tinham maturidades em 2019 e 2022. São perto de 30 milhões de euros por ano de ganho ao nível de margem financeira.

A operação de recompra de dívida lançada pelo Novo Banco foi “uma das medidas contempladas no plano de negócios” da instituição, cujo objetivo passa pela recuperação da rentabilidade da instituição, através da “melhoria da sua margem financeira futura”, explicou o banco em comunicado enviado então à CMVM.

Conforme escreveu o Dinheiro Vivo quando o Novo Banco deu a conhecer a intenção de avançar para a recompra de obrigações, o grupo agora liderado por António Ramalho aproveitou uma fase de maior liquidez para avançar com a operação que serviu para reduzir o custo médio do seu financiamento, numa estratégia que tem sido igualmente utilizada pelo próprio Estado para conter os custos com a dívida e/ou diluir picos de reembolsos.

Cortes: 63 milhões para fechos e saídas

No relatório e contas semestral, o Novo Banco faz igualmente o ponto de situação até 30 de junho sobre a execução do plano de reestruturação que tem em curso. Assim, e dos 109,6 milhões de euros que a instituição provisionou este ano para o fecho de instalações e redução de colaboradores, 63 milhões de euros foram gastos entre janeiro e junho – mais de metade serviram para saldar custos com reformas antecipadas (32,3 milhões).

O plano de reestruturação do Novo Banco foi desenhado em colaboração com o Banco de Portugal, e impôs o “desinvestimento em ativos não estratégicos e a redução ao longo de 2016 de 150 milhões de euros de custos operacionais recorrentes, o corte de mil colaboradores e um redimensionamento da rede para 550 balcões – eram 579 no final de 2015, contando com as 17 agências do NB Açores. No final de junho, os custos operacionais do NB já tinham recuado 93 milhões e a sua rede ainda contava com 553 agências.

Em relação aos cortes nos recursos humanos, diz o relatório e contas do banco, e entre junho de 2015 e junho último, sairam do grupo 1202 colaboradores, dos quais 203 de áreas que foram descontinuadas. Todavia, e face ao plano de reestruturação, a meta de atingir as mil saídas até ao final de 2016 tem por base o total de colaboradores com que o Novo Banco contava no final de novembro de 2015, e aqui as contas até junho apontam para a redução em 880 colaboradores.

“Relativamente a Novembro de 2015, que é a data base para efeitos dos compromissos assumidos no âmbito do Plano de Restruturação, a redução efetiva até Junho de 2016 foi de 880 colaboradores”, refere o relatório.

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