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CGD. Responsabilidade social, a baia que não pode ser ignorada na reestruturação

A presença de uma agência da CGD em cada concelho “é uma questão de princípio” e uma linha que a reestruturação não pode ultrapassar, diz sindicato

in: Dinheiro Vivo, 27 agosto 2016

 

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) é hoje o banco com mais balcões espalhados em Portugal (729), apesar de, tal como os restantes bancos, ter passado os últimos anos a redimensionar a rede. Mas se a banca privada pode gerir a rede por razões só ligadas à rentabilidade, no caso de um banco público o caso é diferente, defende o Sindicato dos Trabalhadores das Empresas da CGD (STEC).

João Artur Lopes, presidente da estrutura, salientou ao Dinheiro Vivo a importância e a “responsabilidade social” do banco público perante os residentes do país, depois de questionado sobre o risco da reestruturação afetar o alcance do banco. “Nesse domínio, há uma questão de princípio na CGD, que espero se mantenha: a presença de uma agência em cada concelho. Se há um conjunto de valências, tem que haver um balcão, tenha o concelho 10 ou 100 habitantes.”

Das conversas que o sindicato tem tido com o secretário de Estado do Tesouro, Ricardo Mourinho Félix, não saiu qualquer sinal que este princípio vá ser violado, garante João Lopes. “Não temos nenhum sinal que vá ser posto em causa. Qualquer outro banco pode decidir tirar balcões, mas no caso da CGD uma decisão dessas não será pacífica” ao nível da contestação por parte da população e da autarquia visada. “Há concelhos em que a CGD é a única agência bancária”, lembra.

“A responsabilidade social da CGD tem sempre que estar presente quando se pensa neste plano, porque esta responsabilidade vai além da rentabilidade”, considera João Lopes. “Desejamos que o plano tenha isto em consideração, caso contrário é complicado”. É por tudo isto que para o sindicato o “princípio” do alcance geográfico da CGD é uma das linhas que a reestruturação não deve passar. “O governo, seja qual for, vai ter que manter isto, a reestruturação tem algumas baias. Tem de ter”, sublinha. Ainda mais quando o futuro promete uma maior desertificação na oferta dos bancos. “A tendência é que seja cada vez mais assim, porque todos os bancos estão a redimensionar” e apostar nas agências mais rentáveis.

Mas além da distribuição geográfica, a CGD apresenta igualmente na sua oferta um conjunto de serviços que a banca privada está progressivamente a abandonar, dada a reduzida rentabilidade. “Há serviços e negócios bancários não rentáveis, que cabe ao banco público oferecê-los. O governo não pode obrigar privados a oferecer este ou aquele serviço ou então terá de pagar por isso”, lembra o presidente do STEC.

O plano e a capitalização

O olhar do STEC ao plano de reestruturação para a CGD é, porém, ainda limitado. “É preciso esperar para ver e confirmar, tudo é ainda muito nebuloso”, diz o presidente do sindicato. “Para a semana talvez haja mais luz e aí poderemos avaliar.” Por ora a maior certeza que existe é que o plano visará mais a operação internacional do banco que o plano anterior. “O que nos foi dito é que o plano tem uma perspetiva global”.

A nova administração da CGD toma posse a 31 de agosto, quinta-feira, e só a partir de então será possível conhecer em detalhe os cortes que o Governo se comprometeu fazer. “As metas e objetivos foram propostas pelo acionista Estado no âmbito do plano de negócios apresentado, que será detalhado pela nova administração que terá a responsabilidade de o implementar”, detalhou o Ministério das Finanças ao Dinheiro Vivo esta semana. A tutela garante que os cortes “não são contrapartida da injeção de capital, na medida em que não se trata de um plano de ajuda de Estado”.

Os detalhes que em junho vieram a público sobre os objetivos da reestruturação são, assim, os únicos conhecidos. Estes dados foram divulgados na altura por Mourinho Félix, explicando que o plano quer manter a CGD com “o atual nível de intervenção no mercado”, mas “com menos balcões e menos trabalhadores”. Os cortes no pessoal foram avaliados em 2500 ao longo de três anos. Na altura “foi garantido que não haverá despedimentos e que a redução passaria por reformas ou reformas antecipadas, sempre por acordo com o trabalhador”. Mas esta semana Mário Centeno, ministro das Finanças, admitiu o recurso a rescisões amigáveis.

Também em junho, a tutela informou que a “redução de balcões” da CGD irá “ocorrer maioritariamente no estrangeiro”, ainda que apostando “num crescimento sustentável” da oferta nos países de língua oficial portuguesa (PALOP). Contudo, e sem contar com África, os trabalhadores e balcões com que a CGD conta a nível internacional ficam aquém dos objetivos. Entre os negócios internacionais, Espanha é uma das operações que mais tem sido apontada como um alvo preferencial da reestruturação. Ontem o Cinco Dias noticiava que este ramo poderia mesmo ser encerrado na íntegra. Neste país, a CGD conta com 110 agências e 521 colaboradores.

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