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CGD vai vender ativos para minimizar impacto da capitalização

Reestruturação. Governo diz que buraco resulta do falhanço da troika e BdP no raio X de 2012 ou de “eventos posteriores não antecipáveis”

in: Dinheiro Vivo, 15 junho 2016

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) deverá acelerar o plano de venda de ativos que já tem em curso como forma de minimizar o impacto da recapitalização nos contribuintes. A recapitalização pode obrigar à movimentação total de 4 mil milhões de euros públicos.

Entre janeiro e março deste ano, o banco público vendeu perto de 200 milhões de euros em créditos hipotecários vencidos, segundo os resultados do primeiro trimestre da instituição. O banco, nessa mesma altura, contabilizava 1,2 mil milhões de euros de ativos disponíveis para venda, num rol que ainda pode crescer, já que entre as medidas a negociar com Bruxelas deverá estar o redimensionamento do banco público como tem ocorrido em casos similares mais recentes.

O redimensionamento da CGD, além de visar cortes nos recursos humanos e balcões ; – que podem ser vendidos a outras instituições -, pode levar igualmente à venda dos ativos do banco em Espanha, conforme lembrou Marques Mendes, este domingo. “A outra orientação desse plano de reestruturação é por via do encerramento ou venda de participadas que a Caixa tem no estrangeiro, designadamente em Espanha”, disse. Realce-se que a atividade internacional representa mais de um quinto do total de depósitos e créditos da CGD.
Governo culpa troika, BdP ou PSD

Não será a pedido do governo, mas o executivo promete colaborar com as “entidades competentes” se estas vierem a decidir investigar o que se passou na CGD para perceber por que o banco ainda tem tantas necessidades de capital.

Em reação ao anúncio do PSD, que iria levar o tema ao debate quinzenal, e na sequência da divulgação parcial pelo Correio da Manhã de uma auditoria ao banco – mas que não refere quem a fez -, o Ministério das Finanças lembrou que o banco público foi escrutinado pelo Banco de Portugal e pela troika em 2012, quando recebeu 1650 milhões de euros. Segundo a tutela, nessa altura “todos os créditos existentes terão sido avaliados pela administração, pelo BdP, pelos auditores da CGD e pela troika”, já que as regras de supervisão assim o obrigam.

Logo, conclui o ministério, as imparidades e prejuízos que entretanto surgiram “apenas podem decorrer” de eventos posteriores “e não antecipáveis em 2012 e, por maioria de razão não antecipáveis em períodos anteriores”. Mas há outra hipótese, admitem as Finanças: é que na altura pode ter sido feita uma “avaliação deficiente de risco por parte das entidades envolvidas na determinação do montante da capitalização necessária em 2012, com destaque para o Banco de Portugal e auditores da CGD e a troika”.

As Finanças referem ainda que caso o balanço do banco apresente “créditos concedidos em período prévio à recapitalização de 2012” que não passaram pela “devida avaliação de crédito”, então tal situação “deveria ter sido reportada à altura da recapitalização e sujeita às diligências entendidas por convenientes”. Por fim, o ministério assegura estar “disponível para colaborar” com as “entidades competentes”. Ou seja, as Finanças não avançarão com uma investigação mas estão disponíveis para colaborar caso haja um inquérito.

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