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O “passo seguinte” vai reduzir banca à CGD e mais três

Não há espaço para tantos bancos em Portugal e as fusões são inevitáveis, dizem os analistas que lembram que o movimento de concentração é pan-europeu

in: Dinheiro Vivo, 14 junho 2016

O processo tem sido lento, gradual e dificilmente será travado. “Basta olhar para a história dos bancos nacionais nos últimos 40 anos.” Os bancos vão continuar a absorver-se, reduzindo cada vez mais a concorrência até que “tenderão a ser integradas em entidades ainda maiores”, antecipa Filipe Garcia, analista da IMF. Neste processo, o destino do Novo Banco será decisivo para se começar a entender o futuro da banca em Portugal, avalia Albino Oliveira, da Fincor.

Segundo os últimos dados comparáveis sobre todo o setor, disponibilizados pela Associação Portuguesa de Bancos e de junho de 2015, encontramos oito instituições de dimensão significativa no mercado bancário português, num grupo que vai desde o angolano banco BIC, com os seus mais de 200 balcões e perto de 1500 colaboradores, ao gigante público, a Caixa Geral de Depósitos, com mais de 8500 trabalhadores e 750 balcões.

Além destes dois, e entre médias e grandes instituições, encontramos ainda BPI, BCP, Novo Banco, Crédito Agrícola, Montepio e Santander Totta, num rol a que se poderão juntar em breve o Popular e o Bankinter, já que ambos têm como meta crescimentos significativos no país. Se considerarmos mais estes dois players espanhóis, temos então uma dezena de bancos de dimensão significativa no país.

Mas Portugal não tem espaço para todos, apontam os analistas contactados pelo Dinheiro Vivo.“Portugal, ao contrário de outros mercados, tem uma dimensão bastante reduzida”, diz Pedro Ricardo Santos, da XTB. “Acredito que não mais de três bons bancos privados, a par da CGD, seria ajustado para as necessidades do nosso país”, acrescenta. Além do potencial limitado de um mercado pequeno, também as “rentabilidades bancárias altamente deprimidas em resultado da política monetária do BCE” levam a esta conclusão, justifica.

Visão semelhante é defendida pelos analistas da Société Générale, que notam que o mercado português “não é muito maior” que os da Bélgica, Holanda e Irlanda. E na Holanda, “três bancos detêm 70% dos ativos”, na Irlanda “há apenas dois bancos de grande dimensão e outros dois bem mais pequenos”, ao passo que na Bélgica “quatro bancos dominam o sistema financeiro”, o ING, KBX, Dexia e BNP Fortis.

É pela dimensão do mercado que o SG chega também à conclusão de que não há espaço para todos. “No nosso entendimento, Portugal é um mercado para três, no máximo quatro, grandes bancos”, dizem estes analistas, que identificam no BCP o “candidato óbvio” para a compra do Novo Banco – isto se esquecermos as necessidades de capital que tal operação representa para o banco.

Mas os níveis de capital são também um problema para outros bancos do país, cujos rácios globais estão aquém dos europeus, ocorrendo o oposto ao nível das redes de balcões e de colaboradores, sobredimensionadas face às médias europeias, o que obrigará a mais reestruturações dolorosas no setor. Mas a tendência de consolidação, apesar de intensa em Portugal, verifica-se também a nível europeu.

“O movimento de concentração é pan-europeu, resulta do mercado e moeda únicos bem como da reconfiguração necessária do negócio bancário num tempo de desmaterialização dos serviços”, devendo por isso a consolidação ser encarada com normalidade, diz Filipe Garcia. “O que está a acontecer é normal e um dia estas instituições tenderão a ser integradas em entidades ainda maiores.”
Sobre os movimentos que poderão ocorrer em Portugal, o analista da IMF aponta que o habitual “é as maiores instituições absorverem as menores” mas que agora vivemos um período pouco habitual. “Sucede que, nesta fase, há vários bancos com um legado pesado, que os tem impedido de olhar para o futuro de uma forma mais livre. Penso que a forma como a consolidação irá ocorrer dependerá da forma como evoluir o dossiê do Novo Banco e se é ou não criado o Banco Mau.”

A venda do Novo Banco será, assim, uma jogada que determinará o resto do caminho da banca, até porque o ex-BES é o terceiro maior banco privado no mercado – já assumindo Santander+Banif juntos. Se o terceiro maior do mercado for comprado por outro do top5, a instituição resultante será obrigada – por necessidades de capital e para apaziguar reguladores – a uma forte reestruturação, reestruturação essa que acabará por levar a mais mexidas no setor, pois em termos concorrenciais a nova instituição deverá ser obrigada a abdicar de segmentos do negócio.

“Sendo intenção do governo manter a CGD com capital 100% público e tendo em conta as características específicas do Montepio, assim como a oferta sobre o BPI do CaixaBank, o Novo Banco parece representar uma peça decisiva no processo de consolidação do setor bancário em Portugal, até tendo em conta a quota de mercado que a instituição apresenta”, diz ao Dinheiro Vivo Albino Oliveira. Quanto ao desfecho da venda do antigo BES, o analista da Fincor aponta que os bancos espanhóis, “que já detêm presença em Portugal poderão ter interesse em reforçar a sua quota de mercado, como aconteceu no caso do Santander com o Banif”, recorda. Além do Totta, também o Popular chegou a estar muito interessado no banco madeirense, tendo recuado à última hora.

Albino Oliveira prefere, no entanto, não antecipar o número de bancos que o mercado português “aguentará” no futuro. “Poderá depender da rentabilidade associada ao mercado”, diz, apontando de seguida as questões regulatórias que poderão surgir de vender um dos maiores bancos no mercado a outro: “É também preciso ter em conta o tema da regulação, e as limitações que poderá colocar em termos de consolidação adicional no setor.”

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