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Banco de Portugal. Banca está a melhorar mas graças a efeitos não recorrentes

Taxas de juro reduzidas podem “condicionar o ajustamento da estrutura produtiva interna” já que podem incentivar investimento em setores de mais risco

in: Dinheiro Vivo, 25 maio 2016

O elevado endividamento dos setores público e privado “continua a colocar desafios à estabilidade financeira” no país, facto que é potenciado pelo atual ambiente de taxas de juro reduzidas e pelo aumento da volatilidade dos mercados, aponta o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) de maio, publicado pelo Banco de Portugal.

Apesar das taxas de juro reduzidas também beneficiarem uma economia com uma taxa de endividamento elevada, o Banco de Portugal alerta que este ambiente cria um risco acrescido que pode “condicionar o ajustamento da estrutura produtiva interna”, já que as taxas reduzidas podem “constituir um incentivo ao investimento em setores com maior risco e a uma inadequada valorização dos ativos”.

Os dados presentes no REF agora publicado evidenciam que apesar do alto endividamento do país, o trajeto dos últimos anos tem sido de redução: nos particulares, a dívida caiu de 95% para 82% do PIB entre 2009 e 2015 e nas sociedades não financeiras de 126% para 111% desde 2012. Só a Administração Pública destoa: a dívida subiu de 84% para 129%, ótica de Maastricht, entre 2009 e 2015.

Banca: contração continua mas saúde cresce

Segundo o BdP, “a estrutura de financiamento e a posição de liquidez do sistema bancário português continuaram a melhorar em 2015”, conseguindo desta forma conter “no curto prazo” os “potenciais efeitos negativos associados ao aumento dos prémios de risco ou a reduções abruptas de liquidez no mercado de financiamento”.

O REF evidencia que apesar de 2015 ter sido mais um ano da “trajetória de contração gradual da atividade” dos bancos, hoje o peso dos depósitos de clientes no financiamento do setor está em níveis historicamente altos, nos 61%, que compara com 58,6% em 2014 ou 41,4% em 2010. Também o financiamento junto do Eurosistema continuou a ser revertido, situando-se em 28,3 mil milhões no final de 2015, contra os 33,3 mil milhões em 2014 e mais do dobro em meados de 2012.

Neste campo, também se registou uma redução da exposição dos bancos a títulos de dívida pública pela banca, cujo financiamento por títulos de dívida pública passou a 8,8% no ativo do setor, contra os 10,3% em 2014.

O relatório agora publicado pelo BdP aponta ainda que a “rendibilidade da banca retomou níveis positivos” em Portugal, níveis que apesar de baixos e distantes do que se registou no passado, são de salientar. Contudo, alerta o REF, esta melhoria recente tem estado muito associada a “fatores não recorrentes”, como a multiplicação de resultados de operações financeiras.

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