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CaixaBank vai lançar OPA sobre BPI

Grupo bancário espanhol vai avançar com uma oferta pública de aquisição sobre o BPI

in: Dinheiro Vivo, 17 abril 2016

O CaixaBank estava a ultimar esta noite os detalhes para lançar nova oferta pública de aquisição (OPA) sobre o capital do BPI, que deve surgir ainda esta segunda-feira, segundo avançaram ao DN/Dinheiro Vivo fontes do mercado financeiro. O grupo catalão reage desta forma em força ao recuo de última hora da Santoro Finance, de Isabel dos Santos, que deitou por terra o princípio de acordo a que as duas partes  tinham chegado no passado dia 10 de abril.

O grupo catalão repete assim e pouco mais de um ano depois o avanço que já tentou em fevereiro de 2015, oferecendo então 1,329 euros por cada ação do BPI. Hoje os títulos do banco estão avaliados em cerca de 1,19 euros e foram suspensos da negociação no início da semana passada. O mercado avalia o banco liderado por Fernando Ulrich em perto de 1,74 mil milhões de euros, pelo que os 55,1% do capital do BPI que faltam ao CaixaBank estão avaliados em qualquer coisa como 975 milhões.

Aquando da OPA lançada em 2015 esta caiu por terra logo na primeira etapa. Os catalães exigiam a desblindagem dos estatutos algo que foi chumbado pela Santoro Finance. Agora, porém, há um novo enquadramento legal a ter em conta e que pode ser determinante.

Desblindar por via administrativa

O executivo aprovou no Conselho de Ministros da última quinta-feira as alterações legislativas que visam o fim das blindagens previstas pelos estatutos de algumas empresas cotadas, caso do BPI onde nenhum acionista pode atualmente votar com mais de 20% do capital. Estas alterações legislativas foram enviadas para a Presidência da República ainda na quinta-feira para promulgação, segundo soube o “DN/Dinheiro Vivo”.

O espectro da entrada em vigor da lei que acaba com as blindagens de estatutos por via administrativa poderá ser determinante na nova OPA que o CaixaBank prepara sobre o BPI. A lei entrará em vigor a 1 de julho próximo e terá um período transitório de seis meses, ou seja até 1 de fevereiro. Neste período transitório as empresas cotadas serão convidadas a adaptar os seus estatutos ao novo enquadramento legal. Agora, e considerando que a blindagem dos estatutos tem sido o que tem permitido a Isabel dos Santos recusar as soluções propostas pelo maior acionista do BPI e até pela administração para retirar o banco do impasse, o avanço destas alterações legislativas aumentam a pressão do lado da empresária angolana, cujo poder negocial  irá se desvanecendo com o aproximar das datas para uma desblindagem do BPI por via legislativa. Este desvanecimento do poder negocial poderá levar a Santoro a aceitar a OPA, dependendo claro está do preço que será proposto pelo CaixaBank aos restantes accionistas do BPI na oferta que irá apresentar.

Prazos, diplomacia e o BCE

Estas alterações legislativas já estavam a ser preparadas pelo executivo desde o início do ano, tendo sido solicitado no final de fevereiro pareceres sobre as alterações tanto ao Banco de Portugal, como à Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários e aos bancos que desejassem pronunciar-se, tendo apenas o BPI e o BCP o feito, apesar de se contarem mais seis bancos cotados em Portugal com estatutos blindados – incluindo o próprio Millennium BCP.

Mesmo que estas alterações sejam promulgadas de forma célere por Marcelo Rebelo de Sousa, a verdade é que as mesmas só entrarão em vigor a 1 de julho, já que agora há “duas datas por ano para entrada em vigor de toda a legislação que afete o funcionamento das empresas”, conforme decidiu o governo socialista.  A próxima data “disponível” para a entrada em vigor de leis que afetem empresas é então 1 de julho próximo.

O avanço por via legislativa da desblindagem de estatutos, porém, pode acarretar algumas ramificações complicadas. Desde logo a nível diplomático, pois as alterações são prejudiciais a Isabel dos Santos e Luanda já manifestou desagrado com Lisboa pela postura que vê como hostil aos interesses angolanos. Além disso, esta lei não afeta apenas o BPI mas também o BCP, cujo principal acionista é a Sonangol, petrolífera angolana.

Por outro lado, porém, o avanço da OPA do CaixaBank neste enquadramento oferece uma nova solução para apresentar ao Banco Central Europeu, que tinha dado até 10 de abril para o BPI reduzir o excesso de exposição a Angola, país que ficou de fora dos 17 países de supervisão equivalente à europeia. Segundo o “Dinheiro Vivo” conseguiu saber, o BCE tem sido mantido ao corrente de todos os avanços e recuos neste processo, uma forma de mostrar ao supervisor bancário europeu que se tem tentado por diversas vias encontrar uma solução para o problema. O BCE tem promovido soluções de concentração bancárias na Europa dando preferência a capitais europeus nessa estratégia, pelo que provavelmente verá com bons olhos a hipótese do dossiê BPI se resolver com o reforço da posição do CaixaBank no capital do banco através da OPA.

O Dinheiro Vivo tentou ao longo deste domingo ouvir e obter reações por parte do Banco de Portugal, da Santoro Finance, do CaixaBank e do BPI que, todavia, não quiseram ou fizeram chegar qualquer comentário até à hora de fecho desta edição.

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