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Montepio Geral agrava prejuízo em 30% para 243 milhões de euros

Montepio avançou com aumento de capital de 300 milhões neste trimestre, subscrito pela Associação Mutualista, reforçando rácios de solidez.

A Caixa Económica Montepio Geral fechou as contas de 2015 com um prejuízo de 243,4 milhões de euros, valor que representa um agravamento de 30,2% em comparação com 2014, quando os resultados foram negativos em 187 milhões. Apesar desta evolução, o presidente da instituição, José Félix Morgado, destaca o reforço dos rácios de solidez do Montepio Geral obtido ao longo de 2015.

“Esta evolução do resultado líquido foi muito influenciada pelo menor impacto das mais-valias da venda de títulos de dívida pública, em cerca de 279 milhões de euros”, explicou ao Dinheiro Vivo o CEO do Montepio Geral. Este menor impacto teve forte reflexo nos resultados do banco ao nível das operações financeiras, que recuaram de 352 milhões para 138,7 milhões. “Com o contributo gerado pela venda da dívida pública em 2014 teríamos tido resultados positivos”, assegura Félix Morgado.

Se em 2014 o Montepio Geral registou 364 milhões de euros com a venda de títulos de dívida pública, no ano passado este valor ficou-se pelos 85,2 milhões de euros. Extraindo o efeito destes títulos, assegura o banco, os resultados de operações financeiras registariam um aumento de 65,6 milhões de 2014 para 2015. Também o produto bancário foi muito penalizado com a quebra nos negócios com a dívida pública: recuou 42%, de 785 milhões para 455 milhões.

Imparidades e depósitos

Os resultados do Montepio Geral foram igualmente penalizados pelas imparidades. Apesar de reduzidas a metade em termos de valor – de 524,5 milhões para 258,4 milhões -, estas ainda tiveram um peso determinante nas contas de 2015 – sobretudo no último trimestre. Se até setembro de 2015 o Montepio apresentava um prejuízo a rondar os 60 milhões de euros, este até ao final do ano agravou-se para os 243,4 milhões agora oficializados.

“Está relacionado com o desenvolvimento normal da gestão dos processos de crédito”, explicou o CEO, sobre os desenvolvimentos no último trimestre. “Grande parte destas imparidades são decorrentes das 20 maiores exposições, já que sem estas registávamos uma evolução favorável do crédito em risco, e por vezes são feitos planos de recuperação que, depois, não são concluídos. E o último trimestre teve muito a ver com isto e com a evolução de algumas destas exposições.”

Ainda de acordo com os resultados de 2015, o Montepio registou um recuo no crédito a clientes (-3,7%) e uma redução de 5,9% no ativo líquido, para 21,14 mil milhões de euros. Neste campo, e apesar dos depósitos totais na instituição terem recuado 9%, de 14,2 mil milhões para 12,9 mil milhões de euros, na totalidade do ano, Félix Morgado destaca a inversão registada no último trimestre do ano: “Foi muito importante termos registado a retoma do crescimento dos depósitos de clientes no último trimestre, em 3,3%”, salientou ao Dinheiro Vivo. “Mostra que a nossa relação com o mercado está forte e que muitas das insinuações que se faziam não tinham fundamento.”

Ao longo do ano passado, e também como sinal desta boa relação com os mercados, diz o CEO, o Montepio Geral reduziu a exposição ao Banco Central Europeu em 9,4%, o que significa que a atividade da instituição assentou sobretudo no recurso a mecanismos de mercado. Félix Morgado destaca ainda dos resultados “a redução acentuada do custo do risco de crédito, que baixou de 3,14% para 1,59%” e o facto de “pela primeira vez desde 2012” o Montepio ter conseguido “uma desalavancagem positiva dos ativos imobiliários”, ou seja, o banco vendeu mais imóveis do que aqueles que adquiriu ou entraram para o seu balanço.

Aumento de capital e rácios

O reforço da posição de capital e dos rácios de solidez do Montepio Geral são, no entanto, os factos que Félix Morgado mais destacou ao longo da conversa com o Dinheiro Vivo. “Houve um reforço da posição de capital. O rácio a que se dá mais atenção, o Core Tier 1, subiu 31 pontos base, para 8,81%”, salienta.

A subida deste indicador que mede a solidez da instituição surgiu por duas vias: por um lado houve uma desalavancagem dos ativos ponderados pelo risco, que recuaram 7,5% em 2015, e, por outro, houve um aumento em 52 milhões de euros dos fundos próprios de base.

A vontade da instituição, porém, foi reforçar ainda mais estes rácios já este ano. Por essa razão o Montepio avançou este trimestre com um aumento de capital, subscrito inteiramente pela Associação Mutualista, de 300 milhões de euros.

“Não obstante o reforço da base de capital, e para robustecer ainda mais o nosso balanço, fizemos um aumento de capital para reforço dos fundos próprios em 300 milhões de euros”, aponta. “Se o tivéssemos feito ainda em 2015, o nosso rácio ao final do ano teria sido de 10,9%, já próximo do Core Tier 1 dos nossos maiores concorrentes.”

Futuro

Em relação a 2016, Félix Morgado tem a expectativa de este ser o exercício do “regresso aos lucros trimestrais” no Montepio Geral, isto partindo do pressuposto que se “mantêm as condições atuais”, sublinha, lembrando que “as economias hoje têm muita volatilidade”.

O CEO do Montepio Geral espera de todas as formas fechar as contas de 2016 com resultados correntes melhores que os de 2015, e mesmo positivos, uma expectativa que considera “prudente mas positiva”.

Ver também:

Félix Morgado: É possível Novo Banco ficar português

 

in: Dinheiro Vivo, 18 março 2016

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