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Soares da Costa. Despedimento coletivo vai custar 18 milhões

Soares da Costa avança para despedimento de 500 trabalhadores, avaliando em 18 milhões de euros os custos do processo

“Não é um dos dias mais realizados da minha carreira. E é sem dúvida o mais difícil desde que entrei na Soares da Costa.” Joaquim Fitas, presidente da Comissão Executiva, entrou na construtora em fevereiro e ontem anunciou o despedimento de 500 trabalhadores. Tenta, no entanto, ver o processo por outro ângulo: “Mais do que cortar 20% do total de trabalhadores, vai salvar 80% dos postos de trabalho da empresa”, realçou, em declarações ao Dinheiro Vivo. A Soares da Costa emprega 4300 pessoas em várias geografias.

A crise económica e financeira em Portugal, mas sobretudo em Angola, o principal mercado da Soares da Costa, são razões apontadas pela empresa para justificar o avanço da medida. Mas não só. “Mais do que a envolvente externa, é o histórico recente da empresa que a conduz a esta situação”, diz a carta enviada à Comissão de Trabalhadores (CT) da construtora. “Os prejuízos acumulados nos exercícios anteriores têm ultrapassado, em cada ano, mais de 60 milhões de euros”, refere o mesmo documento.

O presidente executivo da construtora explicou ao Dinheiro Vivo que dos cerca de 500 afetados pelo despedimento coletivo anunciado ontem, “a grande maioria são trabalhadores em inatividade, que já se encontram em casa”. Detalhou ainda que estes cortes vão incidir sobre todas as geografias onde a empresa se encontra – “uma distribuição uniforme por Brasil, Moçambique, São Tomé ou Portugal” -, visando colaboradores diretos e indiretos.

Questionado sobre o custo que a empresa poderá incorrer com o despedimento coletivo, Joaquim Fitas apontou “que rondará os 18 milhões de euros”. Mas a verba já estava devidamente reservada: o processo, tido como indispensável para a salvação da empresa, foi desde logo previsto quando António Mosquito avançou com 70 milhões de euros para assegurar dois terços da construtora. Parte destes 70 milhões vão financiar o emagrecimento agressivo. Este empresário angolano também controla 27,5% do Global Media, que detém o Dinheiro Vivo e o DN.

Histórico problemático

Os cerca de 270 trabalhadores “em inatividade” que agora serão mais de metade dos visados pelos despedimentos são os mesmos que em maio último já tinham sido apontados como os alvos de um despedimento que a empresa acabou por não concretizar. Mas mais do que aquilo que não aconteceu este ano, interessa olhar para o que não aconteceu nos anos anteriores, salienta o presidente executivo da construtora referiu.

“A estrutura não se adaptou aos desafios e manteve-se inelástica, pesada e sem que o negócio conseguisse cobrir os pesados custos”, conforme é explicado na carta enviada aos trabalhadores. Foi esta falta de elasticidade e de reacção que afundou a empresa em dezenas de milhões de euros de prejuízos, explica Joaquim Fitas, responsabilizando a anterior gestão pela inacção. Agora, é hora de “dar um passo atrás para dar dois em frente”, defendeu. “Uma administração é nomeada para gerar valor para os accionistas e eu sei que a capacidade de gerar valor cai com uma redução de trabalhadores”, diz. “Mas a Soares da Costa não fez nada nos últimos anos para se adaptar às novas condições”, remata. O

Os próximos passos

Joaquim Fitas espera que o despedimento coletivo esteja terminado ainda “nos primeiros meses de 2016”, disse ao Dinheiro Vivo. A Comissão de Trabalhadores será agora chamada a dar um parecer prévio à intenção anunciada, a que se seguirá a comunicação formal do processo à tutela.

Assim que foi conhecida a intenção da Soares da Costa, o sindicato da Construção Civil anunciou para esta manhã uma conferência onde procurará explicar as contrapropostas que irão fazer à administração da empresa. Albano Ribeiro, líder deste sindicato, assegurou que estas propostas, a ser aceites, permitirão à Soares da Costa evitar qualquer despedimento no grupo. Sobre as propostas em si, nada foi adiantado por Albano Ribeiro.

Ler também:

“Construção assegura 8% das exportações e 6% do emprego”

“Construção corta metade dos empregos em seis anos”

in: ‘Dinheiro Vivo/Diário de Notícias/Jornal de Notícias’, 17 dezembro 2015

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