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Grécia. Pressão crescente leva Tsipras a convocar reunião de líderes partidários

Sindicatos da função pública vão aderir à greve geral convocada para dia 3 de dezembro pelo setor privado. É a segunda greve geral em menos de um mês.

O primeiro-ministro grego solicitou esta quinta-feira uma reunião com os restantes líderes partidários da Grécia, recorrendo a uma figura protocolar que nos últimos seis anos apenas foi utilizada por duas vezes, uma delas pelo próprio Alexis Tsipras, no seguimento do referendo de 5 de julho.

O líder do SYRIZA contactou o presidente do país, Prokopis Pavlopoulos, a pedir a marcação da reunião seguindo as normas protocolares definidas. Dada a ausência do presidente do país até esta sexta-feira, a reunião só deverá ocorrer ao longo do fim-de-semana, na melhor das hipóteses. É esperado que Alexis Tsipras leve para a reunião um esboço da reforma ao sistema de pensões e que tente negociar a definição de limites para a mesma, de modo a assegurar já que terá os votos dos restantes partidos.

“Se a Nova Democracia, o PASOK e o To Potami continuarem a manter-se distantes das novas medidas propostas pelo governo e a votar contra as mesmas, dificilmente a coligação sobreviverá”

Alexis Tsipras tem vindo recentemente a apelar ao estabelecimento de um consenso mínimo entre os partidos de governo e os que estão na oposição no que toca à austeridade que o país ainda precisa de implementar a curto e médio prazo. As duras medidas incluídas no terceiro resgate negociado com os credores estão a ameaçar o país com a eclosão de uma nova crise política e social, sendo evidente o crescente agendamento de manifestações e greves mas também a maior incidência de conflitos nestas jornadas de protesto.

A Grécia receia igualmente o aumento – em quantidade mas sobretudo em intensidade – dos protestos de grupos anarquistas, cada vez mais seguidos pelas autoridades. Este receio tem vindo a crescer depois de alguns dos membros destas organizações terem apelado ao regresso dos protestos violentos.

Esta quinta-feira, e além da manifestação dos pensionistas gregos nas ruas de Atenas, o governo grego ficou a saber que também os sindicatos que representam os funcionários públicos vão aderir à greve geral de 3 de dezembro, convocada inicialmente pelo maior sindicato do setor privado. Ao todo, estas organizações representam 2,6 milhões de trabalhadores. Na próxima semana Tsipras enfrentará a segunda greve geral em menos de um mês, depois de no passado dia 12 de novembro o país ter sido paralisado com protestos.

“Dada a possibilidade do primeiro-ministro poder vir a necessitar mais cedo do que tarde de novos parceiros na coligação, alguns dentro do PASOK querem que a líder Fofi Gennimata modere as críticas a Tsipras”

Além da contestação nas ruas, a perda de dois deputados quando a primeira ronda da nova  austeridade chegou ao parlamento fez crescer a ideia que a coligação de governo de Tsipras está em risco de ter uma vida mais curta do que seria inicialmente expectável. A perda daqueles dois parlamentares reduziu a margem da maioria para apenas três deputados.

“O primeiro-ministro sabe que se a Nova Democracia, o PASOK e o To Potami continuarem a manter-se distantes das novas medidas propostas pelo governo e a votar contra as mesmas, dificilmente a coligação sobreviverá. Tsipras poderá não conseguir avançar com a reforma do sistema de pensões da Grécia sem o apoio direto ou tácito destes partidos”, refletem os analistas da MacroPolis.

Avaliar a posição que estes partidos irão tomar na sequência da reunião solicitada por Tsipras é, no entanto, difícil de antever. Por um lado, a Nova Democracia encontra-se em processo de eleger uma nova liderança e, até lá, “continuarão a ser consumidos pelos conflitos internos”, apontam os mesmos analistas.

Já a nova líder do PASOK, Fofi Gennimata, tem feito do ataque a melhor arma, sendo uma das maiores críticas do líder do SYRIZA. Contudo, “dada a possibilidade do primeiro-ministro poder vir a necessitar mais cedo do que tarde de novos parceiros na coligação de governo, alguns dentro do partido socialista preferiam que Gennimata moderasse a atitude”.

in: “Dinheiro Vivo“, 26 novembro 2015

 

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