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Fantasy. Um simples jogo que vale milhares de milhões de dólares

Agora que chegou (finalmente) a semana dos drafts mais decisivos da história da NFL – os das nossas equipas de Fantasy -, nada melhor que olhar um pouco para a realidade do universo Fantasy além dos pontos e das estatísticas que nos vão deixar agarrados aos ecrãs nos próximos meses. É que se o apetite (vício) pelas ligas de Fantasy é grande, muito maior é o dinheiro que esta indústria gera todos os anos.

Com mais de 40 milhões de jogadores só nos Estados Unidos – e devendo superar os 50 milhões esta época -, a Fantasy Sports Trade Association calcula que cada um destes gaste em média 465 dólares por época com a sua equipa, seja nos fees de entrada cobrados por alguns sites, seja a comprar revistas ou apps para dar aquela ajuda extra aquando da hora de escolher o roster ou as trades. Vendo o big picture, falamos em qualquer coisa como 18,6 mil milhões de dólares por ano (16,6 mil milhões de euros ou 71,4 bilhões de reais).

Este valor, já enorme, refere-se apenas aos Estados Unidos e às despesas directas dos jogadores com as suas ligas. A Forbes, por exemplo, vai mais longe nas contas e chega a um total de 70 mil milhões de dólares (62MM de euros ou 268,8B reais). A revista dedicada ao mundo dos negócios inclui nos seus cálculos os montantes gerados pela publicidade em sites especializados – NBC, Yahoo, etc.. -, os investimentos feitos pelos sites em tecnologia e o valor das horas investidas pelos jogadores nas suas equipas – 3h/semana, que depois multiplica pelo valor médio de uma hora de trabalho nos EUA, 24 dólares. E isto são cálculos de 2013.

Mas há muito mais a dizer da Fantasy além dos números. Primeiro, a questão legal do jogo: com os jogos online sob ataque cerrado desde há muito, foi a partir de 2006 que as Fantasy conseguiram afastar-se da categoria de “jogo de azar” à qual o Poker, por exemplo, continua condenado nos EUA. Em 2006, a nova legislação para o jogo online passou a categorizar os jogos tipo-Fantasy como de conhecimentos e estratégia (“game of skills”) e não de azar, libertando a explosão de sites, ligas e jogadores a que hoje ainda assistimos – olhando para o gráfico que aqui vos trazemos, é notório o impacto da lei de 2006.

Crescimento anual do número de jogadores de Fantasy

Se esta batalha legal permitiu este tipo de jogo disparar, uma outra batalha foi igualmente decisiva para a explosão: A Major League Baseball tentou proibir que outros sites tivessem acesso a nomes, logos, estatísticas e demais informação necessária para montar uma liga de Fantasy, sem sucesso. A decisão, de um caso que foi até ao Supremo norte-americano, foi aplicada a todas as ligas e levou à multiplicação de empresas dedicadas a estes jogos.

E como se “não os podes vencer, junta-te a eles”, a multiplicação de empresas de Fantasy levou ao aparecimento de pequenos impérios empresariais, impérios esses que passaram a interessar às próprias ligas, mesmo que para ganhar dinheiro à custa das outras ligas. Como assim? Vejamos: a FanDuel é uma destas empresas dedicadas à fantasy da NFL e abriu recentemente o capital em bolsa, angariando 70 milhões de dólares. Entre os novos investidores que captou, duas capitais de risco e uma empresa de seu nome “National Basketball Association”. Se não os podes vencer…

“Ter uma liga como a NBA como accionista foi de um valor incalculável em termos da nossa legitimidade, da nossa marca e do nosso posicionamento no mercado”, disse na altura Nigel Eccles, CEO da FanDuel. Só por curiosidade, o jogo mais procurado desta FanDuel chama-se “Sunday Millions” e distribui um total de 2,25 milhões de dólares por semana(!), com o vencedor a levar 250 mil dólares e oferecendo um prémio mínimo de 50 dólares – distribuído por mais de 20 mil participantes.  Não admira que a FanDuel tenha registado um crescimento de 300% no ano passado.

Para terminar, uma referência ao vício. Não bastasse aquela vontade de ganhar, também o dinheiro que alguns sites oferecem como prémio tem potenciado o problema do vício em Fantasy nos Estados Unidos. E não pensem que é piada ou que é uma questão pouco importante: São já cinco os Estados que aprovaram leis a proibir os residentes de jogar em ligas diárias – Arizona, Iowa, Lousiana, Montana e Washington. Portanto, nada de levarem isto demasiado a sério… é só um jogo.

O retrato de quem joga:

  • 66% Male // 34% Female
  • Average Age: 37
  • College Degree or More: 57%
  • Have a household income of $75k+: 47%
  • Have full-time employment: 66%
  • Average Annual Spending Per Fantasy Player: $465
  • Favorite Fantasy Sport: Football (73%)
  • Fantasy Sports Players that Pay League Fee: 60%

in: Futebolamericano.eu, 7 Setembro 2015

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