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100.º mais mortífero. A noite do pior pesadelo da TAP e dos madeirenses

A 19 de Novembro de 1977 morreram 131 pessoas num TAP a chegar ao Funchal. É o 100.º mais mortífero

Foi à terceira tentativa de aterragem no Funchal que o TP425 falhou o início da pista por 628 metros, tocando no solo a uma velocidade 19 nós acima da de referência, e não conseguiu parar antes do fim da pista – então com 1540 metros, contra os actuais 2700.

“A aeronave depois da saída da pista […] embateu numa ponte de pedra situada 28 metros abaixo da pista e à distância de 118 metros daquela”, descreve o relatório do acidente elaborado pela Direcção-Geral da Aeronáutica Civil com o apoio da congénere americana e da Boeing. Do embate, a cauda do avião ficou suspensa na ponte, a “asa direita, com o respectivo trem” separou-se da fuselagem e o resto do avião prosseguiu até cair numa praia. O mau tempo e visibilidade, o estado da pista, um súbito vento de traseira e a hidroplanagem foram os factores que se conjugaram para o acidente.

“Só tenho combustível para mais uma aproximação.” Esta foi uma das últimas comunicações do comandante João Costa à torre. Ao final de um dia longo – Lisboa-Bruxelas; Bruxelas-Lisboa; Lisboa-Funchal –, e já com 14 horas de trabalho, a única alternativa a aterrar na Madeira era um desvio de 400 quilómetros até Las Palmas. “TP425, tenho vento calmo na 24, vai tentar?”; “OK, estou na final, vou aterrar”; “OK, está calmo, autorizado a aterrar.”

Depois da última comunicação entre avião e torre, “passados alguns momentos, o telefone do Funchal para Lisboa toca, Lisboa ouve mal, mas o Funchal diz que o TP425 se espetou”, detalha o relatório. Seguiram-se momentos de pânico. “Após ensurdecedor ruído, o avião despenhou-se e elevaram-se fortes labaredas […] Entretanto, de dentro do resto da fuselagem caída na praia elevavam-se as labaredas e gritos de socorro, perante testemunhas impotentes”, descrevia o “Diário de Lisboa” de 21 de Novembro de 1977.

O relatório oficial dá como causa provável do acidente condições meteorológicas “muito desfavoráveis”, possível hidroplanagem, “velocidade acima da de referência” e uma aproximação demasiado longa, conclusões de que a TAP discordou em relatório interno, em que culpa as “acumulações de borracha” e as más condições da pista, sem escoamento de chuvas. Factos que surgem no relatório mas sem serem vistos como causas.

Sobreviveram 33 pessoas, duas das quais tripulantes. Na altura, a TAP assegurou tratamentos e indemnizações. Em consequência do acidente, a ampliação da pista do Funchal tornou-se mais urgente e avançou em 1982, e a TAP deixou de voar com o B727-200 para a Madeira, optando pela versão 100, cinco metros mais curta.

O TP425 é um assunto ainda hoje difícil de abordar pela própria TAP, que, questionada sobre o acidente e a influência do mesmo no incremento da segurança, referiu ao i que “as sucessivas melhorias do aeroporto da Madeira, incluindo o alargamento da pista, contribuíram sem dúvida para melhorar as condições da sua utilização a todos os níveis”.

 in: Jornal i, 4 Abril 2015

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