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PT/BES. Granadeiro convicto de que Zeinal Bava sabia da Rioforte

Ex-chairman da operadora foi particularmente crítico com administradores do BES na PT, que falharam nas suas obrigações, acusa. “Fui injustiçado.”

O ex-responsável da Portugal Telecom (PT), Henrique Granadeiro, não duvida que Zeinal Bava tivesse conhecimento das aplicações financeiras feitas pela operadora na Rioforte, assumindo perante os deputados a sua quota parte de culpa: um dos investimentos em questão na Rioforte, no valor de 200 milhões de euros, é sua responsabilidade. Mas e os 697 milhões que faltam? Aí será mais o campo de Zeinal Bava, deu a entender Granadeiro.

Além de Bava, também os administradores da PT nomeados pelo BES, Joaquim Goes e Amílcar Morais Pires, estiveram no centro da mira de Granadeiro: “Tinham deveres de lealdade para comigo, enquanto presidente da PT, por serem administradores da empresa.” Deveres que não cumpriram. Em causa está a verdadeira dimensão dos riscos que os investimentos na Rioforte implicavam – e que se concretizaram. “Isto liquidou a minha carreira, fui injustiçado. Alguém tinha que me ter dado sinais”, desabafou o ex-líder da PT, durante a audição na Assembleia da República, que à hora de fecho desta edição ainda decorria. Esta sessão ficou também marcada pela diferença total com a de Zeinal Bava, realizada na última semana.  Ao “em sã consciência, não me lembro” que ficou na memória da intervenção de Bava, Granadeiro trouxe a convicção de que Bava sabia dos investimentos – além de ter assumido parte da responsabilidade.

Para reforçar a convicção – “que não posso confirmar” – de que o ex-CEO da Oi sabia dos investimentos, Granadeiro recordou uma acta de uma reunião da comissão executiva de 10 de Julho em que Pacheco de Melo, então administrador financeiro da PT, foi questionado sobre se Bava tinha conhecimento das aplicações na Rioforte. O CFO da PT contestou por escrito, referindo que sendo aquela uma aplicação recorrente da PT, “só não sabia quem não quer”. Para Granadeiro, esta resposta deve ser lida como um “sim”.

Os deputados que questionaram Granadeiro incidiram nos investimentos na Rioforte e na relação pessoal do gestor com Ricardo Salgado. Sobre os investimentos na sociedade do GES, o ex-chairman da PT apontou inicialmente que, dado o histórico das boas relações e as boas remunerações de investimentos anteriores, entre a operadora e o BES – a PT investia em aplicações do grupo desde 2001 –, nada levava a crer agora que estes tivessem um destino diferente dos anteriores, mesmo apesar da troca de veículo das mesmas para a Rioforte. Mais: se algo tivesse mudado ao nível do risco, os responsáveis do BES na PT deveriam ter confessado isso à operadora, dadas as suas responsabilidades.

Para o antigo gestor da PT, Joaquim Goes e Morais Pires tinham os conhecimentos e os dados para discernir as consequências e os riscos que a aplicação de 897 milhões de euros na Rioforte acarretavam. Amílcar Pires, enquanto CFO do BES, administrador da PT e membro da missão de acompanhamento da fusão da PT com a Oi “tinha deveres reforçados de informar sobre os eventuais riscos” da Rioforte. Já Goes, disse ainda Granadeiro, tinha que avaliar correctamente os riscos daquela sociedade e comunicá-los à PT. Nada lhe disseram.

Ainda em relação a Morais Pires, Granadeiro recusou a ideia que este transmitiu de que teria havido uma reunião entre Granadeiro, Bava e Ricardo Salgado para negociar os investimentos da PT na Rioforte. “Nunca combinei qualquer operação”, disse o ex-chairman da PT. Já sobre a relação entre ambos, Granadeiro ainda ridicularizou “a ideia romântica de que eu vi o Dr. Salgado em dificuldades e lhe mandei uma bóia de salvação de 900 milhões de euros.” A ideia, assegurou, “é um tanto infantil e não tem nada de verdade.”

A alta exposição das aplicações financeiras da PT ao BES foi outro ponto em foco – desde 2001, a PT chegou a ter mais de 80% dos investimentos apenas naquele grupo –, Granadeiro replicou que tudo se resumia ao preço oferecido. Garantiu todavia que antes de avançar com esses investimentos, a PT consultava outras instituições para ouvir ofertas concorrentes. Questionado sobre provas dessas consultas, o ex-líder da PT referiu que o mundo financeiro “é muito nervoso” e que “muitos dos yuppies nas salas de mercados muitas vezes estão com dois ou três telefones na mão a cruzar preços”, pelo que é natural não existirem registos.

in: Jornal i, 5 Março 2015

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