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Portugal já pagou cinco mil milhões de euros em juros e comissões à troika

Factura sobe de ano para ano. Se em 2012 foram 1080 milhões, este ano, e até Novembro, juros cobrados atingem 1933 milhões. Nenhum destes euros baixou a dívida

O custo dos juros cobrados pela troika pelos 78 mil milhões de euros de empréstimo a Portugal já ultrapassaram o peso de 1% do PIB nas contas públicas, tendo quase duplicado de 2012 até Novembro deste ano, de 1080 milhões para 1994 milhões de euros – justificado pela entrada em pagamento das diferentes tranches que foram sendo libertadas pelos credores internacionais com as avaliações feitas ao ajustamento português. Os valores são das sínteses da execução orçamental preparadas pela Direcção-Geral do Orçamento (DGO), incluindo a que foi ontem divulgada sobre Novembro de 2014.

Desde que Portugal começou a saldar os juros cobrados pela troika, os contribuintes já foram chamados a pagar um total de 4,77 mil milhões de euros neste tipo de encargo, isto sem ainda terem começado a pagar esta dívida propriamente dita. A este valor juntam-se mais 165,6 milhões de euros cobrados pela troika a título de comissões. Tudo somado, a factura já atinge os 4,94 mil milhões de euros desde 2012 e até Novembro último, cerca de 2,8% do PIB anual do país.

No mesmo período agora considerado, a dívida directa do Estado não parou de subir: se em Janeiro de 2012 o Estado acumulava uma dívida de 180 mil milhões de euros, em Novembro deste ano este valor já estava na casa dos 210 mil milhões de euros – mais 29,8 mil milhões de euros. Este crescimento surgiu apesar das metas prometidas pelo programa de austeridade imposto ao país: que garantia para este ano um desemprego de 11%, uma dívida pública de 107% e um défice de 2,5%.

Além da subida dos juros cobrados pela troika, também a constante subida da dívida portuguesa trouxe aumentos dos juros pagos aos restantes credores do país. Entre Janeiro e Dezembro deste ano, os contribuintes portugueses vão pagar 8,4 mil milhões de euros em juros e outros encargos, contra os 7,95 mil milhões de euros de 2013 – em 2010, foram 5,2 mil milhões de euros.

O valor dos juros pagos pelos contribuintes portugueses, até ao momento, à troika – Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu – é, no entanto, apenas uma pequena gota da factura total que o empréstimo da troika vai custar ao país: além dos 78 mil milhões de euros efectivamente emprestados, Portugal deverá ter de arcar com um total de 34,4 mil milhões de euros – quase 30% do PIB – em juros ao longo do empréstimo. Caso juntemos as duas parcelas – empréstimo e custo do mesmo -, os pagamentos totais exigidos pela solidariedade financeira de europeus e norte-americanos salta até aos 112,4 mil milhões de euros: cerca de 66% do PIB anual do país.

Considerando o estado da execução orçamental ontem oficializado pela DGO [ao lado], o saldo da economia portuguesa seria positivo caso não tivesse de arcar com a factura dos juros da dívida de 210 mil milhões de euros acumulada e nunca resolvida pelos distintos governos. Os juros travam assim, cada vez mais, o relançamento económico do país.

in: Jornal i, 24 Dezembro 2014

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