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Golden-share. Pressão da UE, troika e governo abriu a porta ao “assalto” à PT

Governo, troika e UE forçaram aceleração do fim da golden-share. A partir daí, empresa desvalorizou 86%

Foi uma das polémicas e um dos dossiers que Passos Coelho, então líder do PSD, mais aproveitou para as legislativas de 2011: o debate sobre o fim das golden–shares na PT – acções que conferiam ao Estado direitos especiais, dissuasores de ataques à empresa. O líder do PSD queria assim evidenciar a diferença da sua visão para a de Sócrates.

O ex-primeiro-ministro, cerca de um ano antes, tinha recorrido à golden-share para contrariar os avanços da Telefónica sobre a Vivo .”O Estado vai usar todos os instrumentos à sua disposição para defender o que acredita ser o melhor interesse da PT e do país”, justificou então Sócrates. Para o socialista, os direitos preferenciais mais que um entrave ao funcionamento da economia, eram o garante regulatório que limitava os efeitos “da liberalização total da economia”. Já Passos via as coisas de outra forma: “O que nós precisamos é que elas [empresas com golden-share] criem emprego e deixem o seu rendimento cá em Portugal”, disse na campanha, numa visita à PT Inovação. Mas o fim da golden-share e tomada da PT pela Oi não trouxe nem uma coisa nem outra: a PT revelou agora que vai cortar nos trabalhadores e substituí- -los por pré-reformados e a riqueza gerada pela operadora já é distribuída no Rio de Janeiro. “A economia precisa de confiança e esta não se gera quando os Estados interferem em decisões das empresas que não lhes pertencem”, defendia ainda Passos. “Acho que o Estado não tem de ter direitos especiais na empresa”, concluía o então candidato.

Volvidos mais de três anos das legislativas de 2011, a vitória da visão de Passos Coelho, da troika e de Bruxelas apresenta a sua factura, com a consequente desvalorização da PT. Desde Junho de 2011 até à passada sexta-feira a empresa desvalorizou perto de 90% – de 11 euros para 1,4 euros -, numa deterioração constante desde o fim da golden-share. Se no ano anterior às eleições a PT passou por ciclos de subidas e descidas, desde então entrou em queda constante.

Este fim-de-semana ficou marcado pelas tomadas de posição de Pires de Lima, ministro da Economia, e de Ferreira Leite, ex-líder do PSD, sobre o processo que levou os activos da PT para o Brasil sem qualquer encaixe. O ministro culpou Sócrates e os gestores da empresa, o primeiro por ter “imposto” a entrada na Oi e os segundos por serem “maus”, e a ex-ministra das Finanças pediu que o que se passou na PT sirva para o governo ter mais cautela nas “medidas que estão para vir”, a venda da TAP e concessões dos transportes, que, teme, podem vir a ser “extremamente gravosos” para os utentes.

in: Jornal i, 13 Outubro 2014

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