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PT/Oi. Accionistas da PT e Zeinal levam golpe do baú

Primeiro os activos da PT mudaram de país. Depois os accionistas ficaram com menos acções. A seguir, Zeinal Bava acabou demitido

“Golpe do baú: casamento por interesse financeiro.” A noiva eram os accionistas da Oi, que prometiam à Portugal Telecom (PT) e seus accionistas mais do que compensar a perda do seu grande amor brasileiro: a Vivo, operadora que tinham de dividir com a Telefónica. Os espanhóis acabaram por conquistar a mão deste primeiro amor e Zeinal Bava e accionistas da PT morreram de desgosto – usando os milhares de milhões pagos pela Telefónica para amenizar a dor, leia-se pagar dívidas. Foi então que a Oi começou a parecer cada vez mais bonita, isto apesar de o tempo a tornar cada vez menos atraente.

O sentimento de abandono, porém, e o desejo de ter uma noiva para não sair da festa das telecomunicações no Brasil, falou mais alto. Distribuídos alguns milhões pelos accionistas, usou-se o restante para paquerar a nova namorada do Brasil. A PT avançou para a aquisição de uma participação na Oi, com Bava a convencer de seguida os seus accionistas a celebrar um casamento, mas não um qualquer: estavam tão felizes que o casamento foi celebrado em regime de comunhão total de bens. Bava mudou- -se de armas e bagagens para a casa da nova parceira – afinal o mercado em Portugal, já saturado, pede a emigração – e até passou a dar-se mais com os amigos desta que com as amizades antigas. Mas assim que os bens da PT viajaram para o Brasil tudo começou a correr mal.

O caso amoroso da PT com o Grupo Espírito Santo foi finalmente denunciado como tal e os accionistas da Oi até o aceitaram enquanto não viram as condições do casamento com a PT fechadas. Assim que tal ocorreu, tudo descambou e o baú foi arrombado rapidamente. Primeiro reduziu-se a fatia dos bens a que os accionistas da PT tinham direito – fazendo-os pagar os quase 900 milhões de euros que o caso amoroso PT/GES custou à empresa – e agora avançou-se para o divórcio por vontade da noiva: Bava foi convidado a pedir a demissão. E assim o fez na madrugada desta terça-feira. Quanto aos activos e à riqueza da PT, amealhada durante longos anos de namoro exclusivo com o mercado português, tudo se esfumou. Ou antes, tudo ficou no Brasil nas mãos dos accionistas da Oi, que agora se preparam para vender estes activos, pagar as suas próprias dívidas – cerca de 14 mil milhões de euros – e tentar revitalizar a posição da empresa no mercado brasileiro – sem a Portugal Telecom, entenda-se.

Os activos da PT agora detidos pela Oi são, na sua grande maioria, em Portugal, como por exemplo o Meo. Entre os interessados na compra destes negócios, segundo a imprensa, está a Altice, dona da Cabovisão e da Oni.

Tanto a Vodafone como a Telefónica poderão estudar a oportunidade para dar um salto relevante no mercado português ou entrar no mesmo, respectivamente. Mas além destes activos a Oi procura avançar rapidamente com a venda dos 25% da PT na angolana Unitel. No total, a Oi pode encaixar entre 5 e 9 mil milhões de euros retalhando a PT, dinheiro que servirá para investir no Brasil.

Brasil. Oi manchada pelos escândalos das privatizações

“A conexão entre Infinity [empresa nas ilhas Caimão] e Jereissati ratifica, pela primeira vez, aquilo que sempre se suspeitou mas nunca havia sido comprovado: que o ex-tesoureiro das campanhas do PSDB recebeu propina de Jereissati, um dos vencedores no leilão da privatização da Telebrás. Por meio do consórcio Telemar, Jereissati adquiriu a Tele Norte Leste e passou a controlar a telefonia de 16 estados.” Telebrás, Telemar e Tele Norte Leste são algumas das empresas que deram origem à Oi, operadora que absorveu os activos da PT. Esta denúncia surgiu em 2011 no livro “Privataria Tucana”, obra sintetizada pela editora como a prova final “do maior assalto ao património público brasileiro”. Da autoria de Amaury Roberto Jr., o livro resultou de mais de dez anos de investigação revelando a movimentação de vários milhões de reais em subornos que terão servido para decidir os vencedores das maiores privatizações brasileiras no sector das telecomunicações.

in: Jornal i, 9 Outubro 2014

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