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Oi/PT. A “mega fusão” que se está a transformar numa venda de garagem

Brasileira Oi, de Zeinal Bava, avança com plano para vender todos os activos que eram dos accionistas da PT

A operadora brasileira Oi, que absorveu a Portugal Telecom, continua a desenhar um plano de venda da quase totalidade dos activos da antiga empresa portuguesa. Zeinal Bava, que herdou a presidência da Oi depois de fechar a transferência dos activos portugueses para o Brasil, definiu uma lista de vendas que vai dos 25% da angolana Unitel, à totalidade das operações que a PT construiu e consolidou em Portugal ao longo de vários anos.

Segundo publicou a “Veja” na última sexta-feira, a operadora Oi poderá estar em contactos com os franceses da Altice – que em Portugal detém a Cabovisão e a Oni -, para lhes vender os activos que absorveram da Portugal Telecom. A “Veja” cita informação da REDD, agência noticiosa norte-americana especializada em dívida corporativa e reestruturações. A operação pode estar à espera dos resultados finais das eleições presidenciais no Brasil, cuja segunda volta decorrerá a 26 de Outubro.

Um porta-voz da Altice, sem fazer referência directa ao caso dos activos portugueses da Oi, salientou apenas que a empresa está desde o início do ano à procura de oportunidades de aquisições exclusivamente “nos países onde já tem presença”, como é o caso de Portugal. A Altice é detida pelo multimilionário Patrick Drahi, com uma fortuna avaliada em mais de sete mil milhões de euros.

A confirmar-se a intenção de Zeinal Bava de vender também os activos portugueses da PT, isto depois de já ter sido oficializada a opção de vender a participação na Unitel, então a suposta fusão PT/Oi, que teoricamente iria servir para criar uma “mega operadora luso-brasileira”, torna-se, na prática, numa absorção de activos portugueses pela Oi, com esta a retalhar o grupo português para vendê-lo. Ou seja, imaginando um cenário em que a PT tivesse sido alvo de uma oferta pública de aquisição, por exemplo – que também resultaria na mudança de mãos de todos estes activos -, o produto da venda seria na íntegra dos accionistas da PT. Assim, com a entrega dos activos à Oi e a sua venda por esta, os ex-accionistas da PT poderão sonhar apenas com uma pequena fatia do negócio e nem isso é certo.

Segundo os analistas, o valor que será conseguido das vendas dos activos da Portugal Telecom deverá ser reinvestido no avanço da Oi para uma união com a Tim Brasil, outro dos grupos de telecomunicações daquele país, ou usado para baixar o alto endividamento da Oi. Assim, e no limite, os accionistas que eram da PT vêem todos os activos de que eram donos ser vendidos sem receber qualquer verba, e isto por ordem do presidente que tantas vezes elegeram para a PT: Zeinal Bava.

De notar, no entanto, que a PT, SGPS – onde se concentra a fatia de 30% que a Portugal Telecom recebeu da Oi pelos seus activos – tem poder de veto sobre estes negócios, que assim terão de aprovar a venda dos activos.

in: Jornal i, 6 Outubro 2014

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