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Privatização. TAP acumula 160 milhões de euros em créditos fiscais por utilizar

Avaliação da companhia deve ter em conta créditos fiscais. Adiamento da venda em 2012 levou a que 181 milhões em créditos expirassem

A TAP detém actualmente mais de 340 milhões de euros em créditos fiscais susceptíveis de serem deduzidos aos impostos sobre lucros futuros, segundo o relatório anual de 2013 da companhia, ontem disponibilizado. Esta deve ser uma das várias rubricas tidas em conta na avaliação feita à empresa para fins de privatização, processo com o qual o governo continua a querer avançar – este mês Pais do Amaral veio a público oficializar o interesse na empresa.

Porém, do bolo total de créditos fiscais ainda reclamáveis pela empresa perto de 180,6 milhões de euros perdem a validade este ano – já que os créditos fiscais são reportáveis por um período fixo. Isto implica que a nova avaliação feita à empresa depois do chumbo da venda da companhia a Germán Efromovich, no final de 2012, terá agora em conta um total de créditos fiscais substancialmente inferior. Isto ocorre porque os créditos angariados pela empresa à conta dos prejuízos de 2008 e de 2010 expiram ao longo de 2014, ou seja, 127,3 milhões de euros e 53,3 milhões de euros, respectivamente – os tais 180,6 milhões.

Face ao bolo total ainda disponível, sobrarão assim 160,8 milhões de euros de créditos fiscais ainda possíveis de reclamar pela companhia no futuro mais próximo. Deste total, 99,7 milhões expiram durante o próximo ano, pelo que só poderão ser reclamados caso a venda do ramo de transporte aéreo avance e o novo dono da companhia consiga registar lucros já em 2015 – este ramo do grupo TAP registou lucros nos últimos cinco anos, tendo conseguido 34 milhões de euros de resultado líquido em 2013.

nova realidade na manutenção Segundo o relatório anual da TAP relativo ao ano passado, o ramo português de manutenção e engenharia do grupo registou uma quebra de 34,3% nas vendas e serviços prestados a terceiros, ou seja, menos 39,5 milhões de euros, com a rubrica a render apenas 75,6 milhões para as contas do grupo. Segundo salienta a empresa no relatório, isto deve-se à “nova realidade no mercado de manutenção”.

Esta “nova realidade” prejudica a operação da manutenção da TAP em três níveis. Segundo a empresa, o primeiro destes níveis é o que passa pela exigência dos clientes aos fornecedores para que “assumam maiores riscos a menores preços”, culpa da crise que enfrenta a indústria. Depois, há o papel dos próprios fabricantes, que se vão afirmando cada vez mais como concorrentes às empresas de manutenção. Por fim, há também o problema dos clientes que não pagam. Segundo a TAP, a situação económica “tem-se reflectido com importância na capacidade de alguns clientes cumprirem as suas obrigações”, o que obriga “à necessidade de proceder a uma avaliação cada vez mais criteriosa da qualidade dos potenciais clientes”.

 

Ramo de transporte aéreo volta a reduzir leque salarial 

Queda deve-se à descida dos salários mais elevados

O leque salarial líquido praticado na TAP, SA voltou a cair ao longo de 2013, o que evidencia uma menor disparidade entre os mais e os menos bem pagos no ramo de transporte aéreo da companhia. Segundo o relatório de sustentabilidade de 2013 da TAP, ontem publicado, o leque salarial fixou-se em 6,36 vezes – ordenado base mais alto vale 6,36 vezes o vencimento base mais baixo –, quando em 2012 este valor era de 6,84 e em 2011 de 7,17. Em 2008 o leque salarial da TAP atingia as 8,58 vezes.

Apesar desta evolução, é de referir que a aproximação entre os melhores e piores pagos da TAP, SA tem sido feita à custa dos melhores ordenados, já que o vencimento base mais baixo praticado pela transportadora permanece inalterado desde 2010, em 8302 euros anuais. Ainda assim, o vencimento mais baixo praticado pela empresa continua 22,3% acima do salário mínimo nacional – 6790 euros anuais.

Fazendo contas aos valores avançados pela empresa no já referido relatório, calcula-se que houve uma quebra de 7%no valor do vencimento base mais alto pago pela TAP no seu ramo de transporte aéreo no ano passado. Se este valia 6,36 vezes o vencimento mais baixo, então atingiu os 52,8 mil euros anuais em 2013. Já no ano anterior, seguindo a mesma lógica: o salário mais elevado valia 6,84 vezes o mais baixo logo renderia então 56,8 mil euros anuais.

De acordo com o relatório de sustentabilidade da TAP, SA, em 2013 o valor acrescentado bruto por empregado foi de 62,8 mil euros, um salto de 11%face ao registo de 2012, quando este indicador atingiu os 56,5 mil euros. Neste período, a TAP aumentou em 1%o total de horas de voo, de 252,9 mil para 255,1 mil, tendo passado de 5062 trabalhadores afectos ao transporte aéreo para 5095, a grande maioria dos quais (4545) sedeados em Portugal.

in: Jornal i, 31 Julho 2014

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