Skip to content

Novo acordo com a Oi desvaloriza 33% fatia que cabe aos accionistas da PT. Culpa do GES

Dívida dos Espírito Santo à PT obriga a rever acordo com Oi, desvalorizando 33% a fatia que vai caber aos accionistas da PT. A 8 de Setembro accionistas votam proposta

A falha do Grupo Espírito Santo em pagar as dívidas de 900 milhões à Portugal Telecom impôs perdas a todos os accionistas da operadora portuguesa. Se até ontem os donos da PT iam ter direito a 38% da empresa brasileira que vai ficar com os activos da PT, agora essa fatia nem chegará a 26% do capital.

O incumprimento dos Espírito Santo obrigou a PT e a Oi a renegociar os termos da transferência dos activos portugueses para o Brasil, tendo chegado a um acordo revisto na madrugada desta quarta-feira. O novo compromisso prevê a redução do peso dos accionistas da PT na operadora que herda os activos da portuguesa.

Esta nova redistribuição implica uma desvalorização de 32,6% naquilo que os accionistas da Portugal Telecom iam receber pela passagem da empresa para as mãos da Oi, já que os 38% do capital a que teriam direito foram reduzidos para 25,6%. De salientar que esta nova fatia é idêntica àquela que a PT já tinha no capital da Oi antes de entregar os activos à brasileira. A PT entrou no capital da Oi, ou dos seus accionistas, em 2010.

Mais que isso, o redesenho da fusão põe ainda mais em xeque a justificação usada em Portugal para “vender” a lógica da entrega dos activos da PT à Oi: é que a tal “megaoperadora luso–brasileira”, ideia que justificaria a expatriação dos activos da Portugal Telecom para o Brasil, agora nem vai ter 10% do capital com accionistas portugueses – isto mesmo aceitando que o GES/BES não será obrigado a vender acções da PT ou da Oi no meio da crise do grupo.

No acordo inicial, os maiores accionistas portugueses da PT – Ongoing, GES, Visabeira, Segurança Social e Controlinveste – iam ficar com cerca de 11% da nova operadora, já que são donos de 27,3% da PT. Agora esses 27,3% da PT só vão dar direito a cerca de 7% do capital da empresa que vai ficar com os activos da PT. Individualmente, nenhum fica com mais de 2,6% e os últimos três referidos ficam reduzidos a posições inferiores a 1%.

“Os accionistas portugueses vêem diminuída a sua presença na CorpCo [nova Oi]. Investidores de referência da PT, como o GES e a Visabeira, são os mais prejudicados, ficando reduzidos a participações residuais, devido ao mau investimento da PT”, disse Steven Santos, analista da XTB ouvido pelo Dinheiro Vivo.

As negociações entre as operadoras para resolver o imbróglio Espírito Santo obrigaram a uma remodelação aprofundada da absorção da PT pela Oi.

Segundo os documentos divulgados pelas empresas, ficou acordado que a Oi entrega cerca de 900 milhões de euros à PT – de forma que esta não falhe os seus compromissos por culpa dos Espírito Santo. A operadora portuguesa fica obrigada a pagar à Oi esse valor em acções a que teria direito pelo acordo original – daí os 38% terem sido cortados para 25,6%. Assim a Oi consegue duas coisas: primeiro, evita que a PT entre em incumprimento e, segundo, empurra a dívida dos Espírito Santo para longe de si própria. É que a dívida do grupo estava nas contas de entidades da PT incluídas na fusão com a Oi – PT Portugal e PT International BV – e agora os 900 milhões tóxicos são apenas dívida da PT, SGPS, entidade fora da esfera da Oi.

Quanto aos accionistas da PT afectados pelas perdas, resta-lhes rezar ao Espírito Santo: em teoria, e a seis anos, até podem vir a recuperar as acções que ontem lhes retiraram, desde que a PT pague pelas mesmas um valor já fixado e acrescido de 1,5% por ano. É que o novo acordo prevê opções de recompra destas acções que, no entanto, só serão recuperadas na íntegra caso a PT active parte da opção durante o próximo ano. O novo acordo dita também que a cada ano que passa menos acções ficam disponíveis para recompra: daqui a um ano 10% das acções em questão ficam para a Oi, sendo que nos anos seguintes o ritmo aumenta para o desaparecimento de tranches equivalentes a 18% das acções retiradas aos accionistas da PT.

Este acordo, porém, ainda terá que ser aprovado pelos accionistas da PT, incluindo os Espírito Santo, a 8 de Setembro. Todas estas voltas foram também seguidas pela CMVM, regulador da bolsa, que ontem referiu que quer conhecer em detalhe os termos do novo contrato PT/Oi, noticiou o “Negócios online”.

in: Jornal i, 17 Julho 2014

Anúncios

Comentar

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: