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Droga e prostituição. UE quer legalizar, mas só no excel que calcula o PIB

Países encontram nova forma fictícia de meter economia a crescer. Se Portugal optasse pelo mesmo, PIB subia artificialmente 1% a 2%

Os governos do Reino Unido, Itália e Irlanda vão passar a incluir no cálculo do produto interno bruto (PIB) as estimativas de receitas da prostituição e do tráfico de drogas, num movimento que vai resultar num salto no PIB que pode chegar até aos quatro pontos percentuais.

A curto-prazo, isto vai servir para os governos em causa conseguirem mostrar uma economia em expansão, mesmo que só na teoria, já que na economia real nada muda – ao incluir valores de algo que não era contabilizado anteriormente, o crescimento do PIB é inevitável. Mas na realidade, e como as actividades em causa já existem, a sua inclusão no PIB não terá quaisquer efeitos práticos na vida do dia-a-dia dos cidadãos.

Esta medida terá assim repercussões sobretudo nas folhas de excel de economistas, políticos e investidores. Mas abre a porta ao desenho de quadros mais enganadores sobre a realidade. Um exemplo: se o PIB cresce, a dívida pública fica com um peso mais reduzido, já que é medida em relação ao PIB, que subiu. Ou seja, nada mudou, mas a dívida ficou aparentemente mais pequena. O mesmo se passará com o défice, por exemplo.

A medida pode ser assim aproveitada para potenciar a criatividade contabilística europeia – já foi até recusada pelos Estados Unidos -, que parece não ter limites. Depois de uma década em que tudo foi permitido aos diferentes governantes na UE para artificialmente se cumprirem metas, agora emerge uma forma artificial de fazer subir os PIB da noite para o dia. Veja-se que caso o governo optasse pelo mesmo caminho, Passos Coelho poderia ver o PIB crescer mais 1% a 2% já no próximo ano e por aí defender, por exemplo, que a austeridade está a ser um sucesso. Os cálculos para o impacto da prostituição e das drogas no PIB português são do Eurostat – 1% a 2% do PIB.

Londres, Paris e Dublin vão avançar com esta alteração nos cálculos do PIB já este ano, isto apesar de ninguém ter uma ideia clara de como contabilizar os ganhos destas actividades que, por definição, fazem os impossíveis para esconder números.

No Reino Unido os valores serão calculados da seguinte forma: descobrir a partir de respostas a inquéritos o número total de consumidores de seis drogas – cocaína, em pó e crack, heroína, canábis, ecstasy e anfetaminas – e depois multiplicar o total pela dose média que acham que cada um toma. Além dos problemas deste método, caso ainda levemos em conta, por exemplo, que normalmente se inflacionam apreensões – dizendo que a quantidade apreendida dá para uma quantidade exagerada de doses -, os críticos têm alertado para o risco de se introduzir com isto uma nova distorção nas contas públicas. Ainda assim, Londres estima conseguir um crescimento de 12 mil milhões no PIB só por incluir a prostituição e as drogas.

Em oposição, nos EUA não se vão contabilizar as actividades ilícitas no PIB. Porém, com a legalização da venda de canábis para fins recreativos no Colorado, surgiram milhares de empregos, havendo ainda uma forte subida nas receitas fiscais, não se tendo registado qualquer aumento na criminalidade.

in: Jornal i, 10 Junho 2014

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