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Retoma. Portugal perde 42 mil empregos no primeiro trimestre 2014

Redução da taxa de desemprego continua alimentada pela emigração, demografia e desistências. Mercado do trabalho cada vez mais agressivo

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou ontem os valores para a taxa de desemprego no primeiro trimestre deste ano, mas o que inicialmente aparentava ser um bom indicador numa análise mais aprofundada evidencia sinais no sentido contrário. É certo que a taxa de desemprego recuou de 15,3% para 15,1%, mas isso não significa que estejam a ser criados empregos em Portugal.

Segundo os dados do INE, o fenómeno que está a marcar a economia este ano é o facto da população activa em Portugal estar a cair a um ritmo mais elevado que a queda do mercado de trabalho, o que leva a uma diluição do desemprego. Entre Janeiro e Março de 2014, Portugal viu reduzida em mais 62 mil pessoas o seu total de população activa, sendo que o total de desempregados recuou em apenas 20 mil indivíduos, para 788,1 mil pessoas nesta condição.

A falta de correlação entre o nível de desemprego oficial e uma hipotética melhoria económica encontra-se também se em vez de atentarmos para o total de desempregados repararmos nos totais sobre população empregada: do último trimestre de 2013 para os primeiros três meses deste ano registou-se novo período de destruição de postos de trabalho. Segundo o INE, no final do ano passado existiam 4,469 milhões de pessoas com emprego em Portugal. Já em Março último este valor caiu para 4,427 milhões, ou seja, desapareceram 42 mil postos de trabalho já durante 2014. Esta evolução fez com que a taxa de emprego da economia portuguesa tenha então recuado no período, de 50,2% em Dezembro de 2013 para 49,8% em Março deste ano.

O INE, nos dados divulgados, avança que a redução da população empregada ficou a dever-se tanto pelo desemprego como pela inactividade, com 2,9% das pessoas com trabalho no final de 2013 a cair em desemprego no arranque do novo ano, e com 4,2% dos empregados a passar para a inactividade. Já do lado dos desempregados, “34% saíram dessa situação no primeiro trimestre de 2014, sendo que 16,4% se tornaram empregadas/os e 17,5% transitaram para a inactividade”.

Emigração é buraco negro O salto no total de inactivos em Portugal foi assim de 40 mil pessoas nos primeiros três meses de 2014, um valor que deve ser cruzado com os 62 mil indivíduos que ou passaram para o desemprego ou de lá saíram – os 20 mil que deixaram de ser desempregados e os 42 mil que desapareceram da população empregada. Como em trimestres anteriores, estes valores indiciam que a redução na população empregada não surgiu porque estes tenham encontrado um posto de trabalho, mas também porque ou passaram simplesmente a contar como inactivos ou então emigraram, não deixando rasto nas estatísticas oficiais sobre o mercado de trabalho.

A falta de dados detalhados sobre o nível de emigração portuguesa, pelo menos divulgados com menos desfasamento temporal face ao presente, impedem no entanto de se distinguir na íntegra o peso da emigração na ideia de “recuperação” do mercado do trabalho que o governo tem vendido.

Em termos relativos, o mercado de trabalho no primeiro trimestre do ano, e em relação ao último de 2013, perdeu 1,2% de população activa, tem menos 0,9% de população empregada, registando ainda um aumento de 0,8% no total de inactivos.

in: Jornal i, 10 Maio 2014

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