Saltar para o conteúdo

Empresas privadas perderam meio milhão de trabalhadores em 4 anos

No primeiro ano completo de programa de ajustamento, destruição de emprego no sector privado cresceu 106% face ao ano anterior

Entre 2008 e 2012, o sector empresarial privado português viveu anos de intensas e crescentes dificuldades. Da quebra agressiva do mercado ao aumento agressivo de impostos, nenhuma ameaça ficou por concretizar. E, lentamente, a estatística começa a desenhar a dimensão da crise do sector privado: 550 mil empregos perdidos em quatro anos, fruto do desaparecimento de 175 mil empresas.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou ontem o destaque Empresas em Portugal – 2012, onde salienta com números a evolução do tecido empresarial registada em Portugal ao longo dos anos iniciais da crise: neste período desapareceram mais de 43,9 mil empresas anualmente, que arrastaram consigo 140 mil empregos por ano entre 2008 e 2012.

O último dos anos considerados foi mesmo o mais agressivo. Depois de, em 2011, a economia portuguesa ter sentido o choque inicial da troika, em 2012 as instituições internacionais, em conjunto com o governo PSD/CDS, avançaram com a austeridade a todo o gás. O efeito no ritmo de destruição económica foi evidente, com claro prejuízo para os trabalhadores: se entre 2008 e 2011 as empresas privadas em Portugal reduziram o total de empregos em 110 mil por ano, em 2012, primeiro ano completo do plano de empobrecimento do país, os postos de trabalho destruídos saltaram logo para 227 mil, mais 80% que o segundo pior registo dos anos considerados – em 2009 perderam-se 125 mil empregos. Em relação a 2011, a destruição de empregos mais do que duplicou em 2012, já que no ano anterior tinham sido destruídos 110 mil postos de trabalho em Portugal.

Há, aliás, uma alteração no perfil destrutivo do tecido empresarial com a chegada da troika. Se, entre 2008 e 2011, os efeitos da crise resultavam numa taxa de morte de empresas igual ou maior que a taxa de destruição de empregos – para -4,5% de empresas perderam-se -2,3% de empregos em 2010, por exemplo -, em 2012 aconteceu pela primeira vez o oposto: desapareceram 4,42% de empresas e o emprego recuou 5,9% – efeitos da política de “ir além da troika” posta em prática pelo executivo.

Esta evolução registada no ano passado não foi, todavia, suficiente para inverter o resultado dos cálculos finais ao período entre 2008 e 2012. Nestes quatro anos desapareceram 13,9% de empresas no sector privado, financeiro e não financeiro, tendo o total de empregos em Portugal caído 13,3%. O mesmo será dizer que, se em 2008 o tecido empresarial português contava com 1,26 milhões de empresas registadas e 4,18 milhões de trabalhadores, no final de 2012, as empresas já não chegavam aos 1,09 milhões, para 3,62 milhões de trabalhadores.

in: Jornal i, 22 Março 2014

Em termos de dimensão das empresas, sobre a qual apenas são avançados dados de 2011 e 2012, é possível ver que é nas microempresas (com 1,5 trabalhadores em média) que houve maior resistência durante 2012, com a redução destas a ficar-se pelos 4,21%. Já nas pequenas empresas (18 trabalhadores em média) houve uma quebra de 9,4% e, nas médias (88 trabalhadores) ou grandes (750), as quebras rondaram os 7,3%.

Anúncios

Comentar

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: