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Portugal 2014. PIB em níveis de 2000 e emprego já recuou até 1996

INE divulgou ontem os valores oficiais de 2013: Emprego recuou 17 anos e PIB também voltou ao século XX

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou ontem o valor definitivo das contas anuais de 2013, evidenciando um recuo de 1,4% do produto interno bruto (PIB) ao longo do ano, aumentando assim para 5,83% a contracção total da economia desde o final de 2010.

Segundo estes dados avançados ontem pelo INE, a contracção acumulada nos últimos três anos pela economia portuguesa fez com que o PIB produzido por Portugal nos quatro trimestres de 2013 – na óptica da despesa, segundo dados encadeados em volume, que foi a metodologia seguida para apurar a quebra de 1,4% oficializada pelo INE -, tenha sido de 38,4 mil milhões de euros, uma média trimestral que só encontra um valor mais baixo no ano 2000, quando a média foi de 38,09 mil milhões – desde então foi sempre mais elevada.

O recuo do país seria ainda mais elevado não fossem as exportações e também as famílias residentes em Portugal, que recuperaram algum poder de compra, no seguimento das decisões do Constitucional e de alguma recuperação dos níveis de emprego. Segundo o INE, o consumo privado salvou as contas anuais já na recta final de 2013, já que o último trimestre do ano assistiu a uma subida de 1,7% do PIB trimestral face ao mesmo período de 2012. “A procura interna apresentou uma melhoria significativa entre o 3º e 4º trimestre de 2013, passando de um contributo negativo de 1,5 p.p. para um contributo positivo de 0,1 p.p., com destaque para o comportamento do consumo privado”, refere o INE. “O contributo da procura externa líquida também registou uma evolução positiva, passando de 0,6 p.p. no 3º trimestre para 1,5 p.p., devido sobretudo à aceleração das Exportações de Bens e Serviços em volume”, aponta ainda o instituto.

Emprego: Tanto como em 1996 O recuo dos valores trimestrais do PIB até ao fim do século passado arrastou consigo uma queda ainda mais abrupta no total de emprego existente na economia portuguesa. Segundo o INE, Portugal chegou ao final do último trimestre de 2013 com um total de 4,57 milhões de empregos, dos quais nem quatro milhões com direito a remuneração – ou seja, 617 mil trabalhadores sem remuneração.

Para encontrar níveis semelhantes de emprego no país, é preciso recuar até ao início da governação de António Guterres, eleito no final de 1995.

No primeiro trimestre de 1996, a economia portuguesa empregava 4,56 milhões de trabalhadores, o valor mais próximo do nível actual de empregos existentes em Portugal. Já se considerarmos apenas os empregos com direito a remuneração, então o recuo é ligeiramente inferior: no primeiro trimestre de 1998 a economia tinha 3,95 milhões de trabalhadores remunerados, tantos quanto actualmente.

Os valores ontem divulgados pelo INE evidenciam ainda a destruição de 580 mil empregos em Portugal desde o início de 2008, uma quebra de 11,3%. Se considerarmos apenas o período da troika, então desapareceram 328 mil empregos desde o segundo trimestre de 2011 e o final de 2013.

bens duradouros Na ligeira melhoria sentida nas contas no final de 2013 esteve, como já referido, o comportamento do consumo das famílias. Segundo o INE, foi nos bens duradouros que se registou a maior diferença, com uma subida de 0,9% face a 2012, ano em que este tipo de bens caíram de forma bastante pronunciada (-22,4%).

No total do ano e de todas as categorias de consumo, o consumo privado no ano passado ainda caiu, mas bem menos do que no ano anterior: no total de 2013, o consumo recuou 1,7%, valor que compara com a quebra de 5,3% no ano anterior.

Já as despesas com o consumo de bens não duradouros continuaram a diminuir em 2013, mas também menos intensamente do que em 2012, ano em que caíram 3,7%. No ano passado o consumo das famílias recuou apenas 1,8%. Os valores globais para o consumo das famílias no total de 2013 foram sobretudo beneficiados pelo último trimestre.

in: Jornal i, 12 Março 2014

PIB a preços de mercado na óptica da despesa – dados encadeados em volume (ano de refª= 2006)

Anos Trimestres PIB a preços de   mercado (3)
1995 I 30.542,6
II 30.852,5
III 31.021,2
IV 31.192,2
1996 I 31.440,6
II 31.907,4
III 32.400,1
IV 32.419,7
1997 I 32.739,7
II 33.371,7
III 33.733,0
IV 33.971,6
1998 I 34.437,5
II 34.935,7
III 35.447,7
IV 35.871,1
1999 I 36.213,9
II 36.402,7
III 36.830,5
IV 36.975,5
2000 I 37.786,2
  II 37.464,3
  III 38.300,4
  IV 38.605,0
2001 I 38.386,8
II 38.704,3
III 38.756,9
IV 39.312,6
2002 I 39.328,7
II 39.373,7
III 38.951,6
IV 38.692,7
2003 I 38.772,6
II 38.651,6
III 38.725,4
IV 38.772,6
2004 I 39.213,5
II 39.544,1
III 39.350,4
IV 39.231,5
2005 I 39.497,7
II 39.967,5
III 39.513,3
IV 39.580,5
2006 I 40.027,4
II 40.179,6
III 40.148,3
IV 40.500,1
2007 I 41.094,3
II 41.082,4
III 41.033,8
IV 41.449,7
2008 I 41.438,0
II 41.345,0
III 41.158,7
IV 40.704,5
2009 I 39.723,8
II 39.856,8
III 40.142,7
IV 40.134,4
2010 I 40.547,0
II 40.796,4
III 40.857,7
IV 40.752,1
2011 I 40.525,9
II 40.495,2
III 40.299,7
IV 39.594,7
2012 I 39.563,1
II 39.185,4
III 38.861,7
IV 38.106,8
2013 I 37.983,7
II 38.388,0
III 38.500,1
IV 38.737,7
Notas:  – Para designação   detalhada dos títulos, ver legenda em anexo.
             – Os   dados encontram-se corrigidos de sazonalidade.
             (3) – Inclui discrepância da não aditividade dos dados encadeados   em volume.

 

Quadro 22
Contas Nacionais   Trimestrais (base 2006)
Emprego – ótica de   Contas Nacionais
Unidade: milhares de indivíduos
Anos Trimestres  Total de emprego Remunerados
1995 I 4.516,1 3.726,5
II 4.531,7 3.732,6
III 4.521,9 3.720,0
IV 4.553,7 3.719,2
1996 I 4.569,3 3.727,5
II 4.591,7 3.755,9
III 4.631,3 3.810,9
IV 4.634,8 3.796,3
1997 I 4.668,8 3.825,5
II 4.697,5 3.847,0
III 4.752,5 3.901,7
IV 4.791,3 3.940,3
1998 I 4.820,8 3.956,9
II 4.880,3 3.998,5
III 4.850,9 4.010,5
IV 4.888,6 4.055,6
1999 I 4.902,3 4.082,8
II 4.922,2 4.087,7
III 4.931,2 4.091,0
IV 4.952,1 4.105,8
2000 I 4.992,9 4.157,0
II 5.009,1 4.172,1
III 5.044,6 4.186,3
IV 5.073,3 4.201,4
2001 I 5.099,9 4.231,1
II 5.109,7 4.211,8
III 5.124,3 4.243,5
IV 5.151,4 4.274,8
2002 I 5.157,0 4.299,0
II 5.168,6 4.303,6
III 5.169,1 4.318,5
IV 5.110,3 4.298,2
2003 I 5.127,6 4.281,2
II 5.117,2 4.264,0
III 5.121,1 4.267,1
IV 5.116,8 4.267,4
2004 I 5.120,1 4.277,7
II 5.115,8 4.319,9
III 5.108,0 4.286,6
IV 5.122,7 4.322,5
2005 I 5.094,3 4.297,0
II 5.100,4 4.314,1
III 5.094,1 4.313,7
IV 5.110,8 4.336,5
2006 I 5.117,5 4.355,8
II 5.141,1 4.351,8
III 5.139,8 4.377,4
IV 5.105,8 4.368,3
2007 I 5.112,3 4.376,4
II 5.101,8 4.369,8
III 5.141,4 4.387,7
IV 5.139,7 4.391,2
2008 I 5.156,5 4.401,9
II 5.164,3 4.415,4
III 5.129,5 4.369,2
IV 5.138,3 4.406,6
2009 I 5.074,2 4.339,0
II 5.021,0 4.290,5
III 4.967,6 4.258,9
IV 4.994,2 4.265,8
2010 I 4.992,0 4.279,0
II 4.942,9 4.264,7
III 4.903,8 4.223,9
IV 4.909,2 4.225,7
2011 I 4.919,7 4.229,4
II 4.902,9 4.223,0
III 4.862,8 4.196,5
IV 4.759,5 4.115,8
2012 I 4.717,3 4.051,9
II 4.695,9 4.011,5
III 4.655,7 3.988,4
IV 4.553,4 3.896,6
2013 I 4.476,3 3.848,3
II 4.506,6 3.853,4
III 4.541,0 3.880,4
IV 4.574,8 3.957,8
Notas: Os dados encontram-se corrigidos de sazonalidade. INE.
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