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Segurança Social. Mais de 12 mil pessoas perdem apoios por mês

Governo cobra cada vez mais e distribui cada vez menos: IRS subiu 35,5%, custo de vida 20% mas os apoios caem 7%

Passos Coelho, primeiro-ministro, garantiu que é falsa a ideia de que o governo “esteja sempre a carregar nos mesmos”, algo que é possível confirmar: o executivo tem variado as suas políticas entre cortes nos salários, cortes aos desempregados e cortes aos reformados. Já os cortes nas rendas excessivas pagas a empresas, conforme criticou o FMI, ou os cortes nos juros pagos, nada feito.

Ontem saíram novos dados da Segurança Social que deixaram evidente o caminho que o governo continuou a percorrer o ano passado: entre Janeiro de 2013 e Janeiro de 2014, a rede de segurança do Estado foi alvo de mais cortes ajudando cada vez menos gente, isto apesar de os impostos sobre os cidadãos que financiam este rede de segurança serem cada vez mais elevados – só a receita de IRS aumentou 35,5% no ano passado.

Insegurança Em relação a Janeiro de 2013, a rede de protecção da economia começou o novo ano em queda: os 416 mil desempregados que recebiam um apoio do Estado – subsídio, subsídio social ou prolongamento do subsídio social – passaram a ser 388,3 mil, uma redução de 6,68%, ainda assim inferior à queda do desemprego no ano. Mas mais do que a existência de 438,3 mil desempregados sem apoio do Estado, é de apontar o nível de apoio dado aos 47% de desempregados que ainda têm direito a uma prestação: se no início de 2013 o valor médio mensal do subsídio era de 510,2 euros, no início de 2014 já falamos em menos 40 euros mensais – a prestação média é hoje de 470 euros, o que no fundo significa o corte de um mês no valor recebido num ano. Assim, os gastos mensais com desempregados terão passado de 203 milhões mensais para 182 milhões, valor que compara, por exemplo, com a média de 541 milhões pagos em juros pelo governo a cada mês.

Os cortes maiores verificaram-se noutras rubricas: ao nível do rendimento social de inserção, o total de beneficiários caiu 18,7% nos 12 meses terminados em Janeiro deste ano, havendo agora 228 mil pessoas a receber um RSI médio de 88 euros. Também o total de titulares de abono de família seguiu o mesmo caminho: num ano houve uma redução de 50 mil famílias com direito direito a abono, menos 4,3% que em Janeiro de 2013. O mesmo nos beneficiários do complemento solidário para idosos (CSI), que registou uma redução de 7,9% no total de beneficiários, ou menos 18 mil.

Menos 12 mil por mês  Considerando o total dos cortes nas prestações, nota-se que, de Janeiro de 2013 a Janeiro deste ano, 144,2 mil residentes em Portugal perderam pelo menos um apoio do Estado, uma redução de 6,5% – ou menos 12 mil por mês. Num ano, Portugal passou de 2,23 milhões de beneficiários de apoio ao desemprego, abono de família, doença, parentalidade, RSI ou CSI, para 2,09 milhões.

Retrato do país que o governo acha que está melhor: 

440 mil desempregados sem qualquer apoio do Estado No início de 2013, o Estado ainda apoiava 416 mil desempregados. Contudo, em apenas um ano, aquele valor caiu até 388,3 mil desempregados com direito a qualquer tipo de prestação de apoio ao desemprego. Feitas as contas, 2014 começou com 440 mil desempregados esquecidos pelo governo.

RSI. Estado apoia menos 52 mil pessoas que em 2013 Mais um conjunto de pessoas que devem ter ficado felizes com o facto de “Portugal estar melhor mas as pessoas não”. Desde Janeiro de 2013, e até Janeiro de 2014, as 280,9 mil pessoas que recebiam rendimento social deinserção passaram a ser menos de 229 mil, uma quebra de 19% em 12 meses.

Subsídio de desemprego já nem vale um salário mínimo Em apenas oito meses, o governo conseguiu baixar o valor médio do subsídio de desemprego 8%. Se em Maio do ano passado os 399 mil desempregados com direito a subsídio recebiam em média 510 euros mensais, agora, em Janeiro de 2014, os 388 mil desempregados com apoio recebem 470 euros.

IRS explode mesmo com menos empregos e salários É uma lógica estranha, mas em Portugal é mesmo assim:o governo conseguiu aumentar as receitas de IRS 35,5% num só ano, isto apesar de o desemprego estar a níveis recorde. Além disso, o aumento da receita de IRS surge mesmo apesar do empobrecimento das famílias em Portugal.

Em 2010, 48% ganhavam até 10 mil euros. Agora são 66% É outra curiosidade, especialmente no cenário de um aumento de 35,5%das receitas de IRS:se em 2010 existiam 2,3 milhões de famílias a ganhar menos de 10 mil euros anuais, ou 48% do total das famílias, em 2012 contavam-se já 3,04 milhões de famílias nessa situação:66% do total.

Custo de vida também “melhorou”: subiu 20% Neste “Portugal melhor menos para os portugueses” é ainda de destacar a evolução do custo de vida nos últimos anos. Se salários e pensões foram cortados, o custo de vida explodiu:o preço da electricidade subiu 23%, o uso de hospitais ficou 19,3% mais caro e até o ensino superior ficou 5,1% mais caro.

in: Jornal i, 6 Março 2014

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