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Portugal, o dealer que tomou de assalto o mercado dos vistos

A estratégia de Paulo Portas, de transformar Portugal numa espécie de Feira de Vistos, já vendeu 542 gold visa de livre acesso a toda a Europa

“Olá Lisboa! Milionários chineses monopolizam os vistos dourados de Portugal.” É com este título que o “South China Morning Post”, primeiro jornal em língua inglesa de Hong Kong, atrai a atenção dos seus leitores para uma reportagem sobre a ideia peregrina de Paulo Portas, a criação de um mercado de vistos europeus: quem tem dinheiro para um país, tem visto para andar livremente pelos 26 países de Schengen.

A ideia do vice-primeiro-ministro é simples: uma oferta especial de vistos dourados para quem investir mais de um milhão de euros no país, crie 30 empregos ou compre 500 mil euros em imobiliário. Até ao momento, oito em cada dez vistos desta “promoção especial” de Portas foram tomados por investidores chineses – 433 em 542 vistos aprovados -, segundo dados da APEMIP avançados pelo “SCMP”. Em 2º lugar surgem os russos, com 23 vistos.

Apesar de muito atractiva para algum tipo de capital, esta “feira de vistos” levou algum tempo a arrancar, o que obrigou Portugal a facilitar ainda mais a obtenção de um visto: se antes era preciso ficar pelo menos 30 dias no país, agora bastam sete. Em resultado, a procura disparou. “Cerca de 90% dos interessados não querem viver em Portuga. Planeiam antes investir só para obter a cidadania [que podem pedir ao fim de seis anos]”, explicou Paul Williams, director da agência imobiliária “La Vida Portugal”, sedeada em Londres, ao “South China”. No ano passado, o número de habitações vendidas no país cresceu 70% muito graças à oferta de um visto automático, salientou ainda Williams. Os preços do imobiliário em Portugal estiveram em queda nos últimos anos mas já estão a recuperar, ao contrário do que ocorre no Reino Unido: “Se compras uma casa em Londres, não tens direito a visto”, sintetiza Williams.

Feirantes aumentam Segundo dados oficiais, em 2013 a oferta de vistos por Portugal conseguiu atrair 471 milionários, que investiram 306,7 milhões de euros no país para obter o golden visa de Portas. O resultado financeiro da operação, que contrasta com o tortuoso caminho diplomático percorrido por Portugal para obter autorização europeia para ‘vender’ vistos europeus, acabou por levar a que outros países aflitos recorressem ao mesmo esquema: Espanha, Grécia e Chipre já avançaram com modelos semelhantes ao português, com alguns detalhes próprios. Chipre e Grécia impõem tectos mais baixos, investimentos de 300 e 250 mil euros, respectivamente. Espanha riscou a linha nos 500 mil euros.

Promoção especial: Omã  Paulo Portas apontou recentemente que espera ‘vender’ 500 milhões de euros em vistos dourados este ano. Portugal aponta agora baterias a Omã, alvo de uma visita comercial recentemente para promover a promoção de vistos.

in: Jornal i, 5 Março 2014

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