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Euro aumentou fosso entre Portugal e Europa

Desde o início da união monetária, fosso português face aos parceiros da zona euro não parou de aumentar: com a contracção prevista para este ano, diferença já subiu mais 10,7% desde 1999

O processo de ajustamento da economia portuguesa ainda não foi capaz de inverter o ciclo de afastamento de Portugal da Europa. Se ao nível dos salários a situação está cada vez pior – salário médio de um trabalhador em Portugal valia 55% do salário médio da União Europeia ainda antes do esmagamento dos últimos dois anos (ver ao lado) -, em termos do valor da economia o fosso é cada vez mais fundo: Portugal afastou-se 10,7% da zona euro desde 1999, um diferencial que ia em 7,1 pontos no final de 2011. O fosso previsto para o final deste ano só não é maior porque o Banco de Portugal reviu ontem as suas previsões para 2013 – tendo também abdicado de fazer quaisquer previsões para o próximo ano, dada a proximidade da apresentação do Orçamento do Estado.

O Boletim de Outono do Banco de Portugal, ontem divulgado, reviu de 2% para 1,6% a contracção que a economia portuguesa vai sofrer este ano, uma revisão quase essencialmente explicada pela melhoria que o banco central prevê para as exportações portuguesas: o aumento de 4,7% nas vendas ao exterior face a 2012, calculadas pelo BdP em Julho, foi revisto agora para um salto de 5,8%. Ao mesmo tempo o banco central reviu em forte alta o comportamento das importações: se em Julho estimava um recuo de 1,7%, dois meses depois já calcula um aumento de 2%. Esta revisão das importações surge graças a um comportamento menos negativo do consumo privado, que, ao invés de cair 3,4%, cairá apenas 2,2% dizem as novas previsões do Banco de Portugal.

“De acordo com as actuais estimativas, a actividade económica deverá diminuir 1,6% em 2013, uma queda mais moderada do que a registada em 2012”, reflecte o BdP, revelando depois que a contracção portuguesa será novamente “mais pronunciada que a antecipada para a área do euro” e que “em termos acumulados”, só entre 2011 e 2013, o PIB português já perdeu 6% do seu valor. Contas feitas, “continuará o processo de divergência real entre Portugal e a média da área do euro, com o alargamento do diferencial negativo acumulado desde o início da união monetária para mais de 10%”, em concreto: 10,7%.

Apesar de estar confiante de que o governo irá conseguir cumprir o défice acordado com a troika para este ano – de 5,5% do PIB, depois dos 6,4% de 2012 e dos 4,4% em 2011 -, o banco central junta-se ao cada vez maior conjunto de vozes que clamam pelo desagravamento da carga fiscal no país: “É crucial a implementação de medidas de racionalização da despesa pública que permitam uma redução gradual, mas duradoura, da carga fiscal sobre famílias e empresas”, lê-se no relatório ontem divulgado. Apesar desta opinião, certo é que o governo de Passos Coelho e Paulo Portas já anunciou para 2014 uma nova dose de austeridade, não só através dos cortes das pensões recebidas por viúvas ou órfãos, mas também pela repetição de uma série de medidas supostamente exclusivas de 2013, que vão persistir em 2014 e, provavelmente, também em 2015. Já para as grandes empresas, contudo, o governo prevê aliviar a carga fiscal através de uma reforma do código do IRC desenhada por António Lobo Xavier, alto quadro do grupo Sonae, uma das maiores empresas do país.

in: Jornal i, 9 Outubro 2013

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