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BR engole PT. Portugueses ficam com um décimo da nova operadora

Depois de mudar o nome ao Pavilhão Atlântico e a uma estação de Metro em Lisboa, a PT mudou de nacionalidade e passou a ser brasileira.

A maioria dos accionistas portugueses da empresa foram lestos em aplaudir a integração dos activos da PT na operadora brasileira Oi – mais não seja porque viram as acções da PT valorizar quase 7%. Mas, do ponto de vista do retorno para a economia portuguesa – retenção de lucros, receita fiscal ou investimento no país – e do potencial a médio prazo para estes mesmos accionistas, está longe de ser certo que a aposta corra bem.

“A partir de agora temos que fazer bem à primeira”, disse mesmo Zeinal Bava. Afinal, falamos de mais um “centro de decisão nacional” criado com a ajuda do poder político que foge do país [págs. 22/23] e que vai ser absorvido por uma operadora endividada, com os activos portugueses a “viajarem” para lá do Atlântico. Mas a diluição da presença portuguesa na operadora conhecida como Portugal Telecom, a redução da percentagem dos lucros que ficam no país, as decisões mais importantes sobre os negócios do Meo ou TMN a serem tomadas no Rio de Janeiro, a “adaptação” do nível de investimentos em Portugal… são alguns dos efeitos da absorção da PT pela brasileira Oi, ontem anunciada.

Accionistas da Oi ficam com 62% O avanço da operação vai fazer com que o peso dos accionistas portugueses da PT fique muito diluído na nova empresa – por ora baptizada CorpCo. O bloco constituído por Grupo Espírito Santo (GES), Ongoing, Caixa Geral de Depósitos, Visabeira e Controlinveste, que hoje detém 31,39% da PT, deverão ver-se reduzido a uma fatia de 11,9% dos votos da nova empresa.

A diluição do peso português no novo grupo fica mais evidente se olharmos individualmente para cada accionista: o GES, hoje o maior accionista da PT com 10,12%, poderá ficar com uma participação de 3,8% na CorpCo, quase idêntica à da Ongoing. A CGD terá 2,3% dos direitos de voto, a Visabeira e a Controlinveste terão 1% e 0,86%, respectivamente. As contas do i tiveram por base o rácio avançado pela Oi e PT. Zeinal Bava, CEO da Oi, explicitou ontem em teleconferência que os accionistas da PT “ficariam com 38% da nova empresa”, com o “remanescente 62%” a ficar nas mãos “dos accionistas que hoje estão na Oi”. O peso dos accionistas portugueses na tomada de decisões vai, assim, diminuir. Apesar da administração proposta para a nova empresa contar com representantes dos investidores nacionais [em baixo], quando esse mandato terminar, e dado o seu peso diminuto na estrutura, poderá ser difícil reterem os mesmos lugares.

Dívidas comem dividendos O grupo de investidores portugueses da PT, porém, já se habituou nos últimos anos a abdicar de ganhos em prol da aposta no Brasil – que levou a PT a pagar 3,6 mil milhões de euros por 25,6% da Oi. É que mesmo depois da injecção de 2,7 mil milhões de euros em dinheiro, prevista na fusão, a operadora terá uma dívida de 14 mil milhões de euros, culpa de um endividamento que já tem vindo a sair caro aos investidores da PT.

A Oi, para conseguir gerir a sua dívida, cortou a direito nos dividendos prometidos nos últimos anos, o que obrigou a PT a fazer o mesmo: em Agosto deste ano anunciou um corte de 77% nos lucros que iria distribuir pelos accionistas. Só o bloco de investidores portugueses, que contava receber 246 milhões de euros, teve que se contentar com 56 milhões.

Mas o cenário vai piorar. Zeinal Bava revelou ontem que a nova operadora irá pagar nos próximos anos 500 milhões de reais [166 milhões de euros] em dividendos. Este valor, dividido pela nova participação dos accionistas portugueses, vai diminuir ainda mais a fatia a que têm direito. Irão receber 19,7 milhões – valor que compara com os 56,2 milhões anunciados para este ano. Ora, se os accionistas portugueses recebem menos dividendos também a economia portuguesa sofre directa e indirectamente – menos dividendo resulta num menor encaixe fiscal para o Estado, mas também em menos liquidez disponível para GES, Ongoing, Visabeira, CGD ou Controlinveste tornarem as suas próprias contas mais saudáveis.

in: Jornal i, 3 Outubro 2013

Ver em página – Parte 1; Parte2;

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