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Consumo de cimento cai para níveis de 1973 e desemprego dispara

“Agora só falta aqui é cimento…” “Está quase!” O diálogo foi entre José Sócrates e António Mexia, o então primeiro-ministro e o ainda presidente da EDP. Portugal vivia a fúria das barragens do governo socrático, um tipo de paliativo anticrise usado pelo ex-governo, à imagem de outros a que foi recorrendo, como as obras e as remodelações de escolas, por exemplo.

Os paliativos, como o nome indica, serviram para atenuar e ir adiando o impacto da depressão em que Portugal já se encontrava. Terminados estes, a crise mostrou-se e mostra-se em todo o seu fulgor. Entre as vítimas estão precisamente as actividades relacionadas com o cimento, segundo a Federação Portuguesa da Indústria da Construção (FEPICOP), que ontem divulgou que o seu consumo em Portugal em 2012 recuou para valores de 1973.

Segundo a FEPICOP, o ano passado o consumo do cimento em Portugal recuou 26,9%, com a actividade da construção a bater recordes negativos em termos de habitações licenciadas e número de trabalhadores, segundo a mesma federação. Na análise de conjuntura divulgada, a FEPICOP considera mesmo que “as violentas reduções recentemente registadas no consumo do cimento, número de trabalhadores e número de fogos licenciados são os indicadores mais fiáveis da grave crise que assola o sector da construção”. Só em 1973, dizem, é que se encontra uma época em que a utilização de cimento “tenha sido inferior à verificada no ano passado”.

A quebra da actividade do sector teve um impacto directo no crescimento do desemprego nestas áreas, com mais 34,4% de desempregados registados, quando em Novembro já superavam os 101 mil, ou seja, 15,9% do número total de desempregados inscritos nos centros de emprego no final desse mês.

A FEPICOP salienta que até Novembro de 2012 foram licenciados para construção nova apenas 10% dos fogos autorizados “em igual período de 2001”, tendo sido apenas registados 10 511 fogos. A contracção, alertam, tem sido “constante da produção do sector neste segmento ao longo dos últimos 11 anos”. Em comparação com 2011, as licenças para construção nova caíram 30,2% até Novembro do ano passado. Já as licenças concedidas para reabilitação e demolição recuaram 6,5%.

Segundo a FEPICOP, a deterioração no sector estende-se também às obras públicas, com quebras de 38,7% e de 44,4% no número e no valor dos concursos abertos, tendo as adjudicações caído em valor 51,6%. Além disso, as próprias perspectivas de emprego diminuíram 17%, ao mesmo tempo que a situação financeira das empresas piorou 7,8%, tendo em conta que a carteira de encomendas foi inferior 44,4% no último trimestre de 2012 em termos homólogos e que a confiança dos empresários recuou 25,6%.

Ao longo de 2012, as insolvências em Portugal dispararam 40%, e foi na promoção imobiliária, no desenvolvimento de projectos e na construção de edifícios que se registou o maior número de entidades em processo de insolvência, com 856 casos, mais 46% que em 2011.

in: Jornal i, 5 Fevereiro 2013

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