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Desporto-rei? Vendas milionárias não fazem nenhum clube milionário

FCP vendeu Hulk e Álvaro Pereira por 50 milhões e só recebeu 28, e Benfica vendeu Witsel e Javi por 60 milhões mas só recebeu 40. Vendas milionárias que só serviram para maquilhar contas em degradação evidente

Foi uma novela futebolística atípica. “Eu vendi melhor que tu.” “Não, não, eu é que vendi.” Falamos dos negócios de Hulk e Witsel, ex-jóias de Porto e Benfica agora no Zenit. Cada um dos negócios foi fechado por 40 milhões de euros, mas nenhum deles trouxe 40 milhões para as contas dos clubes, isto apesar de tanto Porto como Benfica terem apresentado estes valores como “montantes líquidos”. Faltava, porém, contabilizar várias deduções que os negócios exigiam.

Com a publicação das contas de Porto e Benfica relativas ao primeiro trimestre desta época – Julho a Setembro de 2012 –, já é possível ter a fotografia completa destes negócios milionários que não tornaram nenhum dos clubes milionário, apenas os salvando dos prejuízos.

A venda de Hulk por 40 milhões de euros “gerou uma mais-valia de aproximadamente 23,8 milhões”, avança o FCP nas contas apresentadas no final de Novembro – uma diferença de mais de 40% entre o que foi publicitado e o impacto real do negócio nos cofres do Dragão, culpa da anulação de prémios por receber ou das comissões. Em termos relativos, pior negócio foi o de Álvaro Pereira, vendido por 10 milhões e que rendeu apenas 4,5 milhões aos azuis e brancos: menos 55% que o comunicado, culpa dos 500 mil euros pagos a um intermediário, da distribuição dos valores pelo Cluj e Avendi, donos de 25% do passe, e da anulação de prémios de 750 mil euros.

No caso dos encarnados, as vendas de Witsel e Javi Garcia, por 40 e 20 milhões de euros, respectivamente, mas também a alienação de Yartey, Capdevilla e Emerson, que em conjunto saíram por 3,6 milhões, trouxeram um proveito de 43,8 milhões de euros para os cofres da Luz, menos 31% que os 63,6 milhões de euros por que foram fechados os negócios. Parte destes – quase 20 milhões – foram para intermediários: “Os custos com transacções de atletas, que se aproximam dos 7,6 milhões de euros, estão essencialmente relacionados com as comissões pela intermediação da venda dos direitos de atletas”, informa o SLB.

O impacto dos intermediários, contudo, não se limita aos jogadores vendidos, já que também nas compras esse efeito inflaciona, e de que maneira, os valores que os clubes comunicam ao mercado: depois do caso emblemático do ano passado, quando o Porto comunicou que pagou 13 milhões por Danilo – que, contas feitas, foram quase 18, graças a 4,8 milhões de “encargos adicionais” –, as recentes aquisições do Porto obrigaram ao pagamento de mais de um milhão em serviços de intermediação e prémios de assinatura, com destaque para Jackson Martínez, onde 8,8 milhões se transformaram em 9,6.

Já no caso do clube da Luz, os 7,6 milhões de euros referidos como “custos com transacções de atletas” durante o trimestre terminado em Setembro diz respeito tanto a vendas como a encargos adicionais com aquisição de passes.

Apesar de as verbas originadas pela venda de jogadores de Benfica e Porto ficarem, assim, bem aquém dos valores que vão sendo referidos pelos responsáveis dos clubes vezes e vezes sem conta, certo é que, sem elas, a imagem das finanças dos clubes seria completamente diferente. No trimestre em análise, por exemplo, os resultados dos dois clubes apontam para um lucro de 37 milhões de euros – FCP com 12,8 milhões e SLB com 24,2. Contudo, se a estes números retirarmos as transacções de passes de jogadores – compras e vendas –, o resultado operacional dos dois clubes seria um prejuízo de 9,4 milhões no trimestre – FCP com -7,6 milhões e SLB com -1,8 milhões. Ficaria ainda evidente a deterioração das contas este ano [ao lado].

Por fim, e em relação ao Sporting, as referências a custos com transacções de jogadores não são detalhadas nas contas, mas a tendência de agravamento nos resultados é igual à dos rivais: apesar de o SCP ter reportado um prejuízo de 7,7 milhões entre Julho e Setembro de 2012, igual ao contabilizado no mesmo período do ano passado, olhando em detalhe nota-se que estamos a falar de realidades diferentes. É que, expurgados de transacções de jogadores, que trouxeram um ganho de 3,9 milhões este ano, os resultados operacionais do SCP pioraram no início desta época, de -3,8 milhões de Julho a Setembro de 2011 para -6,9 milhões em igual período de 2012.

in: Jornal i, 8 Dezembro 2012

Ver artigo completo no PDF: Clubes – Parte 1 Clubes – Parte 2

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