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Cotadas mais expostas combatem crise com cortes nos gastos com pessoal

Entre as empresas portuguesas cotadas em bolsa há quatro grandes distinções que podem ser feitas: as empresas financeiras, as industriais, as que actuam em ambiente concorrencial e mais expostas à evolução do consumo e, por fim, aquelas das quais os consumidores dificilmente escapam. E se estas últimas são as que estão a sofrer menos com a crise, as anteriores são as que estão a sofrer mais. E como reagem? Todas da mesma forma: cortes nos custos, sobretudo com o pessoal. A estratégia fica visível na análise às empresas que já apresentaram as contas do primeiro semestre.

as mais expostas à crise Entre as empresas mais expostas à volatilidade do poder de compra dos consumidores destacam–se as empresas de media, auto-estradas e telecomunicações. Das seis cotadas incluídas neste conjunto que já apresentaram contas (Portugal Telecom, Sonaecom, Zon, Impresa, Media Capital e Brisa), a situação é idêntica: a crise está a apertar e o combate à mesma está a ser feito pela via dos custos, sobretudo os custos com trabalhadores.

No caso da Impresa e da Media Capital, as empresas sofreram quedas de 8% e de 23%, respectivamente, nas receitas, algo que procuraram compensar com cortes na despesa (10% e 4%) que acabaram por permitir reduzir os prejuízos, no caso da Impresa, e conter a queda do lucro, no caso da Media Capital. Juntas, as duas empresas reduziram os gastos com pessoal em nove milhões de euros no primeiro semestre, isto para uma redução global na despesa de 14,8 milhões – estratégia que se verificou também na Brisa e no sector das telecomunicações. A Sonaecom, dona da Optimus, a Zon, dona da TV Cabo, e a PT sofreram reduções nas receitas em Portugal nos primeiros seis meses do ano, com a empresa da Sonae a encaixar menos 4% no semestre, valor que compensou com uma redução de 8% nas despesas, muito graças a um corte de 14% nos custos com pessoal, -3,7 milhões de euros, tendo fechado o período com menos 47 colaboradores. Em comparação com a dona da Optimus, a Zon e a PT contam com uma ligeira diferença: nas contas do semestre, as receitas até subiram, mas só graças à actividade internacional. No caso da PT, as receitas operacionais da empresa em Portugal recuaram 5,8% ao longo dos primeiros seis meses do ano, com quase menos 85 milhões de euros. A resposta foi idêntica à das restantes empresas: a operadora cortou 36,2 milhões de euros aos custos (-4,7%), cinco milhões dos quais com pessoal. Apesar dos cortes, no final do semestre a PT registou uma quebra de 7,2% no resultado operacional em Portugal. Já no caso da Zon, as receitas também subiram no período, em cerca de três milhões, mas se extraíssemos o contributo de 13,7 milhões da actividade internacional, inexistente em 2011, estas teriam caído 10,7 milhões – sobretudo por causa dos cinemas, com menos 600 mil bilhetes vendidos no período. A dona da TV Cabo, contudo, registou uma subida de 1% nos custos e de 0,9% nos custos com pessoal, não desagregando nestas duas rubricas a fatia que diz respeito à actividade da ZAP, operadora de Angola e Moçambique, da qual detém 30% e que só é consolidada desde o início de 2012. Já na Brisa, também ela muito exposta à quebra do mercado interno, o cenário repete-se: a resposta à queda de 11% nas receitas passou por um corte de 12% nas despesas, ou menos 12,7 milhões, dos quais 3,9 milhões vieram de cortes nos custos com pessoal, rubrica que caiu 8% no semestre. No total, entre os sectores considerados, houve uma redução global de 9% nos custos com pessoal, de 262,4 milhões para 240,7 milhões.

O contraste face a esta realidade vem das contas da Jerónimo Martins, EDP ou Galp, empresas que, por actuarem em sectores essenciais, em ambientes menos concorrenciais ou pelo forte peso do negócio internacional, vão resistindo à crise e aos cortes. Entre Janeiro e Junho, o Pingo Doce vendeu mais 4,2%, enquanto a EDP e a Galp beneficiaram sobretudo dos seus negócios internacionais.

in: Jornal i, 3 Agosto 2012

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