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“Sr. Descontos” dá cabo da concorrência e já é o mais rico do país

A generosidade compensa. Alexandre Soares dos Santos, mais conhecido por “Sr. Jerónimo Martins”, tornou-se o homem mais rico de Portugal no ano de todos os descontos. No dia em que a sua empresa calculou em dez milhões de euros as perdas que teve com a campanha de 50% de desconto, eis que se constata também que a fortuna de Soares dos Santos cresceu 152,6 milhões de euros de 2011 para 2012. A generosidade (re)compensou. Aliás, desde que a crise começou, em 2008, a fortuna de Soares dos Santos explodiu, de 739 milhões para 2070 milhões de euros, ao contrário do que aconteceu com todos os outros milionários portugueses – que viram o património cair. Os números são da edição de Agosto da revista “Exame”, que hoje chega às bancas e que volta a calcular a lista anual dos mais ricos do país.

Quanto a Américo Amorim, o mais rico de Portugal desde 2008, acabou este ano cilindrado pelo Pingo Doce e companhia, perdendo a medalha de ouro dos mais ricos de Portugal. Apesar de ter caído só para segundo lugar, o dono da Galp e da Corticeira Amorim viu a fortuna recuar 24,4% para 1,9 mil milhões de euros, de 2011 para 2012. No total, e desde 2008, ano em que tomou de assalto o primeiro lugar da tabela, o património de Amorim já recuou 37% [ver tabela].

Entre os que se vão aguentando no top10 dos mais ricos de Portugal, Belmiro de Azevedo é aquele que mais tem sofrido desde que a crise eclodiu. O dono da Sonae já perdeu 60% da fortuna desde 2008 – passou de 1722 milhões de euros para 680,9 milhões –, tendo caído para o quarto lugar do ranking que outrora liderou. A esta queda não será seguramente alheia a explosão da fortuna de Soares dos Santos, já que ambos são quase os únicos rivais que se digladiam no mercado da distribuição.

No último lugar do pódio dos mais ricos, roubando o bronze a Belmiro de Azevedo, surge a família Guimarães de Mello, com um património avaliado em 700,1 milhões de euros. Esta família, considerada pela “Exame” como a mais rica do país, conta como principais activos uma participação accionista na EDP, além de mais de 30% da Brisa. Apesar de terem subido um lugar no ranking, é de notar que a fortuna dos Guimarães de Mello caiu 30,4% em 2012. Contudo, e como Belmiro perdeu 47,5% da sua fortuna só este ano, a queda foi suficiente para subir ao pódio português.

No nono lugar da tabela que a “Exame” publica hoje surge Maria Isabel dos Santos, a primeira mulher do ranking dos mais ricos e com uma fortuna avaliada em 542,3 milhões de euros. Maria Isabel dos Santos também beneficiou do efeito “Pingo Doce”, já que é uma das principais accionistas da Jerónimo Martins. A anterior líder feminina, Maria Galvão Espírito Santo, caiu para o 12.º lugar este ano, com uma redução de 22,6% na sua fortuna, que agora ronda os 500 milhões de euros.

A tempestade depois da bonança Depois de em 2011 o grupo que compunha os dez mais ricos do país ter visto a sua fortuna engordar mais de 17%, de 9,1 mil milhões para 10,75 mil milhões de euros, em 2012 a situação inverteu-se. Este ano, a fortuna total dos milionários que compõem o top10 dos mais ricos do país não supera os 8,8 mil milhões de euros, uma quebra de 17,9% face ao ano passado. Já em comparação com 2008, ano em que a crise explodiu, a fortuna dos dez mais ricos de Portugal caiu 23%, passando de 11,45 mil milhões de euros para 8,83 mil milhões de euros, valor que equivale hoje a 5,2% do PIB português.

Se alargarmos o âmbito desta análise aos 25 mais ricos, a evolução foi bastante semelhante. Em 2011, os 25 mais ricos de Portugal valiam 17,4 mil milhões de euros e agora têm fortunas totais de 14,4 mil milhões de euros – menos 17,5%. Já no ano da explosão da crise internacional, o top25 era dono do equivalente a 19 mil milhões de euros, mais 24,2% do que as fortunas que acumulam hoje.

Apesar de todas estas quedas, e como forma de tentar dar alguma perspectiva sobre os valores em causa nestas tabelas, note-se que uma fatia de 15% da fortuna actual dos 25 mais ricos de Portugal corresponde a pouco mais de dois mil milhões de euros, o valor que o governo procura agora desencantar depois do chumbo aos cortes nos subsídios da função pública.

in: Jornal i, 26 Julho 2012

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