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A ironia da ideologia

Este governo surgiu com o rótulo de “novo liberal” e/ou “ultraliberal”, dependendo do lado da barricada de cada um. Contudo, volvidos dez meses, este “novo-liberalismo” do PSD (e CDS?) já mostrou que mais não vai sendo que um pseudo-liberalismo travestido de modernista. Em meses, o governo conseguiu tornar-se o exemplo de tudo aquilo de que diz ser contra.

Temos um Estado ultra-interventivo, um mercado de capitais adulterado pelo governo e ainda uma pesada recessão por culpa dos exagerados recursos que este Estado está a extrair à economia. Tudo isto pela mão de quem diaboliza o Estado na economia. O pseudoliberalismo está a usar o Estado a seu bel-prazer, preferindo vendas ao desbarato – indiferente até a ideologias frontalmente opostas à sua – para alimentar apetites e interesses alheios aos contribuintes.

Não tem pruridos em usar a CGD como se fosse o seu banco e não dos contribuintes: só assim se percebe que prefira usar o banco para garantir metas e favores futuros a vender bem as participações da Caixa para reduzir o esforço exigido aos contribuintes com o aumento de capital (se as acções na Cimpor e na Galp fossem bem vendidas, quantos milhões seriam poupados no reforço dos rácios da CGD?). Este governo, sendo da “nova direita”, “modernista”, “reformador”, está a ser o melhor exemplo de tudo aquilo de que é contra, ou seja, aproveita-se do Estado para reduzir o défice evitando “reformas estruturais” e usa a CGD como se fosse sua (Eduardo Catroga, mentor do programa do PSD, disse antes das eleições que o PS “abandalhou a CGD” com tanta “interferência” – que dirá agora?). E é sintomático que todo este universo que parasita o Estado seja o melhor exemplo de tudo aquilo que odeia: ninguém quer o Estado na economia, mas todos querem o Estado no bolso. No fundo, só mais um exemplo da hipocrisia a que está condenado Portugal, país onde os que mais clamam por ética, justiça, responsabilidade e transparência são normalmente os que perpetuam o oposto.

PS Nota final para Ribeiro e Castro. Haja alguém que defenda o 1.o de Dezembro, o último dos três dias mais importantes da nossa história que (ainda) era festejado.

in: Jornal i, 5 de Abril 2012

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