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Quebra nos cereais obriga a mais 105 milhões em importações

Com 100 mil hectares de produção de cereais já condenada, os mais de 2500 produtores afectados pela seca que se instalou em Portugal já perderam 40 milhões em investimento na produção, segundo a Associação Nacional dos Produtores de Cereais (ANPOC). Mas se os produtores já estão a perder, a falta de oferta nacional para a procura do país vai levar o impacto da seca às contas públicas.

“Num quadro geral, Portugal vai ter de aumentar a sua exposição aos cereais importados”, avançou Bernardo Albino, presidente da ANPOC, em declarações ao i, especificando de seguida que cada hectare produz pouco mais de 5 toneladas de cereais, tonelada essa avaliada em 200 euros. Contas feitas, os cem mil hectares perdidos vão obrigar a comprar 105 milhões de euros a produtores de fora. Isto quando o equilíbrio da balança comercial é crítico para apaziguar a troika.

Mas a factura que a seca vai impor ao país e aos produtores ultrapassa os cereais. Das batatas à saúde animal, passando pelo feijão, pelas couves ou pelas ervilhas, os riscos actuais para a agricultura ainda são imprevisíveis. A Confederação Nacional de Agricultores (CNA) chamou a atenção do i para os riscos acrescidos que a falta de chuva cria à produção deste ano: a falta de pastos está a obrigar os produtores de ovinos, caprinos e bovinos a incorrer em custos inesperados com rações – e o aumento da procura está a fazer disparar os preços até 80%. Depois há a questão dos terrenos. “A continuada ausência de chuva, se persistir em Março ou Abril, ou se a chuva não surgir de forma lenta e constante, vai deixar mais culturas em risco”, apontou Armando Carvalho, dirigente nacional do CNA. É que não é qualquer chuva que vai acalmar a crise: “Se as primeiras chuvas forem fortes vão surtir pouco efeito, o chão está muito seco para absorver demasiada água. Precisamos de chuvas lentas e progressivas”, explica Armando Carvalho. Outro risco que vive lado a lado com uma pluviosidade elevada prende-se com ataques de doenças que entraram em hibernação nas folhas caídas durante o Inverno e que pela falta de chuva não se degradaram. Outro risco que se vem registando este ano são as geadas negras, que congelam a planta por dentro, matando-a. [Ler mais]

in: Jornal i, 7 Março 2012

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