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Há 12 anos que Benfica não investia tão pouco no mercado de Verão

SLB fecha mercado como a equipa que mais ganhos líquidos conseguiu na Europa. Mas FCP mal gastou dinheiro, já que optou na recuperação de emprestados

in: Dinheiro Vivo, 1 setembro 2017

É preciso recuar à temporada de 2005/06 para encontrar um defeso em que o Benfica investiu menos que no mercado de verão que ontem encerrou. O treinador era Ronald Koeman e as chegadas mais sonantes foram a do lateral-direito Nélson, para substituir Miguel, então vendido ao Valência, e a do italiano Fabrizio Miccoli, este chegado da Juventus a título de empréstimo, pelo qual o Benfica pagou 1,15 milhões de euros.

O treinador holandês teve na altura acesso a um orçamento para aquisições muito semelhante ao da anterior temporada, abaixo dos 5 milhões de euros, mas suficiente para o italiano Giovanni Trappatoni levar os encarnados ao título. Desde essa época, nunca mais o Benfica investiu menos de 25 milhões de euros no plantel, isto até à corrente época, de acordo com dados do “Transfermarkt“.

Este ano, e apesar de vendas milionárias, o clube da Luz, tal como o Futebol Clube do Porto, reduziu fortemente os gastos. Do lado encarnado, foram cerca de 9 milhões de euros, e do lado azul e branco, muito menos que isso, graças à aposta no regresso de vários jogadores cedidos.

Ederson, Lindelof, Nélson Semedo e Mitroglou foram os jogadores que asseguraram o maior encaixe de sempre do Benfica num mercado de verão, tendo sido vendidos por pouco mais de 120 milhões de euros, verba que todavia não entrará toda nos cofres da Luz, nem representará as respetivas mais-valias obtidas com os negócios. De todas as formas, em termos brutos, as vendas quase duplicam os valores conseguidos no verão do ano passado, marcado pelas saídas de Renato Sanches e Nico Gaitán.

Foi contudo na temporada anterior, a de 2015/16, que o Benfica conseguiu a receita bruta com vendas mais aproximada dos valores agora assegurados. Naquele ano, Rodrigo, André Gomes, Cancelo, Lima ou Ivan Cavaleiro garantiram um encaixe superior a 100 milhões de euros. Para suprir estas vendas, o Benfica apostou em Jimenez ou Mitroglou e, já no ano passado, em Rafa ou Franco Cervi. Os níveis de investimento para o reforço do plantel em cada um destes anos foi de aproximadamente 30 milhões de euros.

Nenhum destes anos, porém, se aproximou do investimento feito em 2013/14, precisamente o que marcou o inicio da caminhada para o Tetra, ainda que com alguns tiros bem ao lado. Este foi o verão em que Pizzi (14M), Markovic (10M), Djuricic (8M), Fejsa (4,5M) ou Lisandro López (4M) vieram reforçar as escolhas do então treinador Jorge Jesus.

Clube com mais ganhos líquidos

A opção por cortar o nível de investimento em aquisição de jogadores durante o mercado que fechou esta semana terá, no entanto, reflexos positivos nos resultados financeiros que o Benfica reportará no futuro, tal como os do Porto. É que ao ter fechado vendas superiores a 120 milhões de euros, e tendo cortado em quase 75% o investimento no plantel do verão do ano passado para este, os encarnados asseguraram a primeira posição dos clubes com maiores ganhos líquidos em toda a Europa.

De acordo com os dados compilados pelo Transfermarkt, e entre entradas e saídas de jogadores, o Benfica terá fechado o mercado de verão com um balanço positivo a rondar os 122 milhões de euros, bem acima do Borussia de Dortmund, que apesar de ter vendido mais que o clube português, também gastou mais, fechando o período com um balanço de 85,5 milhões positivo.

Nesta compilação, note-se, não são tidos em atenção os negócios milionários fechados nas últimas horas de mercado com contornos específicos que visaram evitar as regras do fair-play financeiro – empréstimo com opção de compra obrigatória a exercer no futuro, como foi o caso da transferência de Mbappé do Mónaco para o Paris Saint Germain.

Fechando as contas aos balanços dos clubes portugueses, e ainda sem contar com o eventual negócio de Adrien, o Transfermarkt calcula que o Porto saiu do mercado de verão com um saldo positivo de 69 milhões de euros, seguindo-se o Braga com 31,8 milhões. Já o Sporting, e até ao momento, fechou agosto com um saldo negativo de apenas um milhão de euros, valor que será mais do que compensado caso se confirme a venda do médio internacional português.

O caso do FC Porto merece destaque particular: O investimento em contratações foi muito reduzido esta época, já que os jogadores que os azuis tinham espalhados por outros clubes foram suficientes para Sérgio Conceição se considerar satisfeito com o plantel à disposição. Os regressos de Marega, Aboubakar ou Ricardo Pereira serão os reforços mais marcantes, sendo que as vendas de André Silva, Rúben Neves ou Martins Indi permitiram ao clube um saldo igualmente muito positivo no atual fecho de contas.

Ao contrário, e na Luz, nenhum dos jogadores que regressaram este ano de empréstimos aparentam vir reforçar as escolhas do plantel principal, sendo que alguns chegaram e foram reenviados de imediato para outras paragens, como por exemplo Marçal, defesa esquerdo vendido ao Lyon por 4,5 milhões.

Já no Sporting, e apesar do ligeiro recuo no investimento no plantel, de 30,4 milhões no verão passado para 27 milhões de euros este ano, o saldo global deteriorou-se. As vendas de João Mário (40M), Slimani (30M) ou Naldo trouxeram um encaixe mais elevado no ano passado que o obtido este ano, ainda que mantendo o balanço global equilibrado.

As compras do Benfica ao longo dos anos:

Em 2005/06, o Benfica investiu 4,15 milhões para comprar, entre outros, Nelson e Miccoli, este então por empréstimo. No ano seguinte, foram investidos 11,7 milhões, destacando-se o grego Katsouranis, e em 2007/08 o Benfica investiu 34 milhões, com natural realce para as chegadas de Óscar Cardozo e Di Maria.

Em 2008/09 o verão ficou marcado pela entrada de Pablo Aimar e do central Sidnei, com os encarnados a aplicar 26 milhões de euros no plantel, quase tanto como na época seguinte, de Ramires e Javi García. Já em 2010/11 foram 34 milhões para trazer, por exemplo, Nico Gaitán, mas também o guarda-redes Roberto.

Nos anos seguintes os níveis de investimento permaneceram dentro destes patamares, com as chegadas de Witsel e Garay (2011/12), Salvio e Lima (2012/13), seguindo-se o ano do pico do investimento, em 2013/14. De então para cá, o SLB investiu 36,2 milhões em 2014/15, ano em que chegaram Samaris ou Talisca, 26,6 milhões em 2015/16 (Jimenez e Mitroglou) e os 33,5 milhões do verão passado, em que a grande aposta foram Rafa e Franco Cervi.

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