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Novo Banco não conseguiu fechar contas auditadas dentro do prazo legal

NB não cumpriu prazo para ter contas auditadas, isto quando prepara troca de obrigações. Finanças asseguram que tudo está dentro da normalidade

in: Dinheiro Vivo, 4 maio 2017

O Novo Banco não conseguiu ter as contas de 2016 devidamente auditadas até ao final do prazo legalmente previsto, que terminou com o mês de abril. Apesar de António Ramalho, CEO da instituição, ter prometido em meados de abril que as contas do ano passado iriam ser as primeiras a ser fechadas “sem reservas” por parte dos auditores, certo é que as contas (auditadas) ainda não viram a luz do dia. A auditoria às contas terá encontrado um problema que, todavia, não foi possível apurar.

Esta falha do Novo Banco acontece num momento particularmente sensível na definição do futuro da instituição, já que tanto o ex-BES como o Banco de Portugal e o Ministério das Finanças precisam de contar com a “simpatia” dos investidores em obrigações para fechar a venda do NB ao Lone Star. E “simpatia” é dizer pouco, já que no fundo os obrigacionistas do ex-BES têm de aceitar perder 500 milhões de euros para 75% do banco ser entregue a privados. A ausência de contas auditadas até pode deitar toda a operação a perder. No início de abril, o banco prometia ter a operação de troca de obrigações devidamente ‘montada’ num prazo de seis a oito semanas, prazo esse que pode derrapar.

Com ou sem contas auditadas, a absorção de 500 milhões de euros em perdas pelos obrigacionistas, tanto particulares como institucionais, do Novo Banco é uma das condições essenciais para que a entrega do ex-BES ao Lone Star seja devidamente fechada. Caso contrário, o negócio não avança e o ‘dossier’ voltará à fase de rondas negociais, tanto com o fundo abutre como com os reguladores, para se evitar a liquidação do Novo Banco.

Contactado pelo Dinheiro Vivo, o Novo Banco remeteu para o comunicado divulgado através da Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários (CMVM), no final da tarde da última sexta-feira, onde numa curta nota referia apenas “que não foi possível concluir, no prazo legal, o processo de prestação de contas anuais auditadas referentes ao exercício de 2016” e que estas “serão divulgadas no mais curto espaço de tempo”. Razões para o incumprimento? Nada é adiantado.

O banco todavia assegurou ao DV que as contas auditadas estarão fechadas a tempo de serem aprovadas em assembleia-geral de acionistas, reunião magna que tem de ocorrer no máximo até final do mês de maio. É no entanto esperado que as mesmas sejam divulgadas publicamente até 19 de maio – já com três semanas de atraso face ao prazo. Caso nada mais seja adiantado até então, será necessário esperar pela publicação das contas com o parecer do auditor para, eventualmente, conhecer as razões para este atraso.

Finanças: “Auditoria está a ser finalizada dentro da normalidade”

Já o Ministério das Finanças, igualmente questionado pelo DV, começou por assegurar que “o prazo de auditoria está a ser finalizado dentro da normalidade”, defendendo que “o prazo de final de abril é um prazo exigível às instituições cotadas, o que não é o caso do Novo Banco”, pelo que “como tal não há nenhuma perturbação no processo de auditoria”.

No entender da tutela, para o ex-BES “o prazo legal é final de maio”, apontando que o processo de prestação de contas anuais auditadas por parte do Novo Banco estará concluído em breve. “Esperamos que o processo esteja concluído muito em breve.”

Já o Banco de Portugal, responsável pela entrega do ex-BES ao Lone Star, contactado pelo DV, não respondeu a qualquer das questões apresentadas.

Segundo as contas de 2016 do Novo Banco, não auditadas e apresentadas por António Ramalho a 12 de abril último, o ex-BES registou prejuízos de 788 milhões de euros no ano passado, valores que significam um recuo de 15% face a 2015.

Sobre a auditoria às contas, o CEO do banco garantiu na conferência de imprensa que “não haverá reservas” por parte dos auditores às mesmas. “Pela primeira vez, o Banco apresentará contas sem qualquer qualificação dos auditores”, sublinhou Ramalho. Em 2015, as contas do ex-BES mereceram reparos à conta das exposições a Angola e ao ex-BESA, atual Banco Económico, de Angola.

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