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Bancos portugueses são os mais frágeis de toda a União Europeia

Bancos em Portugal apresentam os rácios de solidez mais baixos da UE, têm a segunda pior rentabilidade e são os terceiros que enfrentam mais malparado

in: Dinheiro Vivo, 4 fevereiro 2017

Os bancos portugueses apresentavam no final de setembro de 2016 os indicadores de robustez financeira mais baixos de toda a União Europeia, incluindo bancos italianos, gregos ou cipriotas.

O sistema financeiro português fechou as contas do terceiro trimestre do ano passado com um rácio médio de common equity tier 1 (CET1) provisório de 11%, contra 14% de média europeia, segundo dados da Autoridade Bancária Europeia (ABE) – ou EBA pela sigla inglesa.

O CET1 é o rácio mais relevante para avaliar a solidez de uma instituição, já que mede a relação entre os bons ativos e os ativos ponderados pelo risco, calculando desta forma e em termos simples a almofada que o banco tem para lidar com problemas e/ou quebras súbitas.

De acordo com os valores divulgados nesta semana pela ABE, e que visam 29 países europeus, o CET1 médio na Europa aumentou 50 pontos-base no trimestre, com a grande maioria dos países a apresentarem rácios acima da média: dos 29 mercados considerados, apenas seis estão aquém dos 14%.

Além de a última posição pertencer aos portugueses, nas posições imediatamente anteriores surgem Itália, Áustria, Espanha, França e Hungria, respetivamente.

No top da rentabilidade (negativa) e do malparado

Na análise da EBA, a banca portuguesa surge ainda nas piores posições em outros dois indicadores essenciais na análise à saúde de um sistema: os bancos em Portugal são os segundos piores em termos de rentabilidade, aparecendo ao lado dos gregos como os únicos com um return on equity, ou ROE, no vermelho – por ROE entende-se o retorno conseguido com o dinheiro dos acionistas.

Se o ROE europeu anualizado em setembro fixou-se em 5,4%, a banca portuguesa fechou o período com um ROE médio de -2,5%, um registo negativo apenas superado na Grécia (-10%).

Mas além da falta de rentabilidade e da falta de robustez, e quase como que justificando os dois anteriores, a banca portuguesa também aparece em maus lençóis na comparação com a banca europeia ao nível do peso que o malparado tem em relação ao total de crédito.

Se em termos reais o nível de malparado em Portugal parece comparar positivamente com outros países – 40,8 mil milhões num bolo total que supera o bilião de euros -, quando olhado em termos relativos o caso muda de figura.

Segundo a ABE, e com valores referentes a junho de 2016, os 40,8 mil milhões de euros em créditos não produtivos (non performing loans, ou NPL) acumulados no balanço da banca em Portugal representavam 19,7% do total de crédito bruto concedido pelos mesmos bancos. Pior do que o registo português, só mesmo o grego (46,9%) e o cipriota (47,4%).

Estes níveis de malparado nestes três países comparam com o peso médio dos NPL a nível europeu, que era de 5,4% do crédito total em junho de 2016. No total, a ABE identifica mais de um bilião de euros em malparado na União Europeia, quase seis vezes o PIB português.

Bancos atacam fragilidades

A posição frágil do setor português na comparação com a Europa é uma realidade que choca sobretudo se considerarmos que os bancos em Portugal consumiram dezenas de milhões de euros a acionistas e contribuintes nos últimos anos.

Este esforço, porém, tem tardado em resultar em retorno nas contas da maioria das instituições, razão pela qual os bancos ainda precisam de recorrer ao mercado. A falta de retorno das dezenas de milhões de euros injetados nos bancos é também explicada com o facto de as próprias exigências dos supervisores estarem em crescendo.

Seja pela incorporação de reservas, por aumentos de capital, emissão de dívida ou o recurso a CoCos, a maioria das operações a que a banca portuguesa recorreu nos últimos anos serviu sobretudo para se manter à tona de água e/ou em linha com as exigências regulatórias mais do que para inverter a situação – daí o facto de o ROE português continuar negativo.

Mas os mais recentes pedidos de capital apresentados pelos bancos são agora justificados pelas entidades com a ideia de que a fase da sobrevivência já foi ultrapassada e que a hora é a de inversão dos resultados. Mas para que tal seja uma realidade, é preciso mais injeções de liquidez, e essas já estão a acontecer ou a caminho disso.

Entre os maiores bancos em Portugal, o BCP (12,2% de CET1 em setembro) fechou agora mais um aumento de capital cujo objetivo foi o de reforçar rácios. Já o BPI (11,4%) vai conhecer na próxima semana o resultado da OPA do CaixaBank, prevendo ainda emitir 350 milhões em dívida para cumprir exigências de solidez. Além destes dois, também a CGD (10,2%) já tem o seu plano de recapitalização a avançar.

Menos claro é o futuro do Novo Banco, que graças aos ativos que já vendeu do side bank vai segurando um CET1 mais alto (12,3%) do que a média do país mas que ainda procura um noivo que não exija um dote. Por fim, nota para o Santander Totta, que fechou setembro de 2016 com um CET1 de 15,8%, o mais alto entre os principais bancos.

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