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CGD. DBRS ameaça corte no rating para “especulativo” com demissão de CEO

DBRS aponta que CGD a médio prazo pode vir a precisar de reforçar ainda mais os seus níveis de capital além dos 5,7 mil milhões

In: Dinheiro Vivo, 29 novembro 2016

A agência de rating DBRS decidiu hoje colocar em “revisão” a avaliação atual dada à Caixa Geral de Depósitos, uma revisão de “sentido negativo” e que poderá terminar com um corte na nota atribuída ao banco público para níveis especulativos – o rating dado pela DBRS à Caixa está hoje em BBB-, o patamar mais baixo antes do rótulo de “especulativo”.

“A revisão ao rating reflete o aumento dos riscos que o Grupo [CGD] enfrenta em relação às questões do governo da sociedade, a recapitalização planeada e as dificuldades do grupo em melhor a rentabilidade e a qualidade dos seus ativos”, avança a agência canadiana em nota divulgada agora.

Segundo a DBRS, a reavaliação ao rating da CGD, que pode levar até três meses, vai estudar qual o impacto “da recente demissão da maioria da administração” do banco público no plano de reestruturação mas também “os atrasos” que este novo passo atrás no dossiê poderão implicar ao nível da implementação do plano de reforço de capitais.

“Apesar de o Grupo estar em processo de uma recapitalização significativa, que irá reforçar o seu balanço, esta reavaliação vai considerar os atrasos que se estão a verificar no processo e quais os riscos de execução que podem trazer ao mesmo.”

Mesmo com esta reavaliação a arrancar só agora, a DBRS já tem pelo menos uma certeza quanto aos impactos do atraso: “Como resultado, DBRS estima que a CGD vá ficar com enfraquecida ao nível dos capitais por mais tempo que inicialmente previsto.” Para a agência canadiana, a recapitalização é uma “operação essencial para reforçar a CGD.”

Conforme recorda a DBRS, o plano de recapitalização da CGD inclui uma injeção de capital de 2,7 mil milhões do Estado, a transferência de 500 milhões em ações da ParCaixa e a conversão em capital dos 900 milhões de euros em obrigações convertíveis subscritas pelo Estado.

Parte privada da capitalização não será fácil

Além destas tranches, o reforço de capitais do banco público passará igualmente por emissões de até mil milhões de euros em instrumentos subordinados, a subscrever por entidades privadas. E este é um passo que não se pode dar como fácil, lembram os canadianos.

“A colocação com sucesso dos instrumentos subordinados será desafiante dada a volatilidade atual dos mercados financeiros globais e o acesso muito limitado da CGD ao mercado do financiamento não-garantido. A recente demissão dos administradores, para a DBRS vem criar ainda mais desafios ao regresso do Grupo à rentabilidade.”

A agência, apesar de reconhecer a importância do “apoio constante” do governo ao banco público, “vê como menos provável a manutenção de um apoio incondicional à CGD caso esta venha a precisar de reforçar ainda mais os seus níveis de capital no médio prazo”.

Na nota de hoje, a DBRS ainda lembra a evolução dos resultados da CGD, que terminou o período de janeiro-setembro com prejuízos de 189,3 milhões, valor que compara com os ganhos de 3,4 milhões conseguidos no mesmo período de 2015, lembrando que as contas do banco estão no vermelho “desde 2012”, culpa da redução do mercado português e as altas imparidades, culpa da deterioração da qualidade dos ativos do banco.

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