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Economia portuguesa deve 719,5 mil milhões de euros, mais 2,1% num ano

Entre agosto de 2015 e agosto deste ano, dívida do setor público cresceu 5,7% e endividamento privado caiu 0,5%. Contas feitas dívida é de 395% do PIB

in: Dinheiro Vivo, 20 outubro 2016

No final de agosto a economia portuguesa carregava uma dívida de 719,5 milhões de euros sobre os ombros, mais 14,5 mil milhões de euros do que o endividamento registado um ano antes. Este valor equivale a cerca de 395% do produto interno bruto do corrente ano.

A maioria deste endividamento é ainda da responsabilidade do setor privado que, todavia, tem continuado nos últimos meses numa trajetória de correção, alimentada sobretudo pelas famílias – ou pelos travões impostos pela banca ao crédito a particulares.

Segundo dados do Banco de Portugal hoje atualizados, “em agosto de 2016, o endividamento do setor não financeiro situou-se em 719,5 mil milhões de euros, dos quais 310,0 mil milhões respeitavam ao setor público e 409,5 mil milhões ao setor privado”. O endividamento total em agosto era assim 2,1% superior ao verificado no mesmo mês de 2015.

Famílias devem menos 1,4%

Apesar do setor privado responder por perto de 56,9% do endividamento total registado em agosto último, as famílias e as empresas têm lentamente vindo a reduzir as suas dívidas. Em agosto do ano passado, a dívida deste setor era 2 182 milhões de euros superior à agora registada – representando então um peso de 58,4% da dívida total.

Esta redução do endividamento no setor privado não é, porém, uma opção necessariamente ou em todos os casos voluntária, já que os próprios bancos têm aumentado as restrições na concessão de crédito ao longo dos últimos anos, tanto a particulares como as empresas. Mas sobretudo às primeiras.

Será esta também uma das razões para que a maioria da dieta do endividamento privado esteja a ser feita pelas famílias e não pelas empresas. Na redução de 2 182 milhões de euros do endividamento privado, 92% recaiu sobre os particulares, já que as empresas privadas viram as suas dívidas cair apenas 0,1% de agosto de 2015 para agosto de 2016.

Mas também entre as empresas há diferentes realidades: O segmento de PME passou de uma dívida de 158,8 mil milhões para 159,4 mil milhões (+0,3%), as grandes empresas de 82,2 para 82,3 mil milhões (+0,1%). Já as SGPS viram o acesso à banca reduzido: estas sociedades gestoras de participações sociais passaram de uma dívida de 24,5 mil milhões para 23,7 mil milhões (-3,3%).

Administração pública: quem mais se endividou

Já no setor público a análise geral é a oposta à que é possível fazer em relação ao setor privado. No total, o setor público não financeiro passou de uma dívida de 293,27 mil milhões de euros em agosto de 2015 para 310 mil milhões de euros no final do mesmo mês deste ano, um salto de 5,7%.

Ao nível do setor empresarial público, as contas até aparentam estar controladas, tanto nas empresas que já contam para o OE como nas que ainda estão fora. Nas primeiras o endividamento recuou de forma bastante ligeira (-0,04%) para 44,3 mil milhões, nas segundas este até recuou 10%, caindo de 7,5 mil milhões para 6,7 mil milhões.

Reside assim nos restantes segmentos a responsabilidade pelo crescimento verificado no setor público. Segundo os dados do supervisor bancário, o endividamento total da administração pública saltou de 285,7 mil milhões para 303,3 mil milhões de euros nos 12 meses considerados.

Evolução mensal

Já olhando para a evolução do endividamento da economia portuguesa de julho para agosto deste ano, os dados do banco central mostram que a dívida total do setor não financeiro do país subiu dois mil milhões de euros, de 717,5 para 719,5 mil milhões, o equivalente a mais 0,2%.

Esta evolução mensal permite perceber que a tendência que tem marcado o último ano não evidencia alterações significativas: o setor público viu a dívida crescer 1% no mês – mais 2,98 mil milhões de euros -, alimentada essencialmente pelas administrações públicas, cujo endividamento subiu três mil milhões.

Quanto ao setor privado, a evolução mensal reforça a ideia que continuou a corrigir ligeiramente o endividamento, com o recuo em 0,25% do total da dívida, para 409,5 mil milhões, redução suportada na sua grande maioria pelas famílias.

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