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Futebol. Chegou a revolução dos adeptos contra os preços?

No último sábado, dia 6, dez mil adeptos do Liverpool abandonaram as bancadas de Anfield ao minuto 77 do jogo contra o Sunderland. “Enough is enough, you greedy bastards, enough is enough” cantaram enquanto abandonavam o estádio. Os ‘reds’ estavam a ganhar por 2-0 e entre o minuto do “walkout” e o final do jogo, o Sunderland acabou por empatar a partida.

Além do simbolismo desta ação, a primeira do género em 132 anos de história do Liverpool, os protestos dos adeptos do clube com o hino “You’ll never walk alone” receberam o apoio de vários outros clubes ingleses: O “walkout” de sábado está a ganhar apoios e poderá vir a desencadear uma pequena revolução em Inglaterra e na Europa. É que depois de Liverpool, seguiu-se Estugarda na última terça-feira.

Estugarda Vs. Dortmund

Esta terça-feira, dia 9, apenas três dias depois do “walkout” em Anfield, foi a vez dos protestos contra os preços dos bilhetes chegarem à Alemanha. Em causa os quartos-de-final da Taça do país, entre o Estugarda e o Borussia de Dortmund.

A equipa da casa decidiu tornar o jogo mais rentável que o habitual à custa dos adeptos forasteiros e colocou parte dos bilhetes para os fãs do Dortmund a 70 euros cada. Isto quando na Alemanha, o hábito de elevar os preços para os adeptos alheios até patamares quase proibitivos já tem criado vários problemas. Desta vez foi a gota de água: os adeptos passaram das palavras aos actos.

Os adeptos do Borussia aceitaram e compraram os bilhetes ao preço exigido pelo Estugarda mas já com um plano claro: ao minuto 25 da partida bombardeia-se o terreno de jogo com bolas de ténis. Coube aos jogadores de ambos os clubes recolherem a maior parte das bolas e, nem de propósito, poucos minutos depois do jogo ser retomado o Dortmund marcou o segundo golo (ganharam 1-3).

Antes de bombardearem o relvado com bolas de ténis, e nos primeiros 25 minutos do jogo, os adeptos do Dortmund recusaram-se sentar nas bancadas, tendo permanecido nos corredores de acesso ao mesmo. Chegada a hora combinada, veio o bombardeamento. Independentemente dos frutos que o protesto trará, certo é que já deu origem a excelentes imagens televisivas.

Inglaterra: o centro da revolução?

É nas ilhas britânicas que, todavia, devemos continuar concentrados. No protesto de sábado em Anfield, foi notória a adesão e os aplausos dos adeptos do Sunderland ao “walkout” decretado pelos adeptos do Liverpool. Os donos do clube pretendiam elevar preços de alguns bilhetes de 56 para 77 libras e aumentar o bilhete de época para um máximo acima das mil libras – além de várias outras alterações nas tabelas.

As ameaças dos adeptos dos “Reds” de continuarem com os protestos, em especial nos jogos caseiros com o Manchester City (28 fevereiro) e Chelsea (13 março), não demorara a surtir efeito: ainda na quarta-feira, dia 10, a Fenway Sports Group, dona do Liverpool, decidiu voltar atrás e numa carta aberta aos adeptos pediu desculpa e comprometeu-se a manter os preços congelados nas próximas duas épocas. “Power to the people”, clamou um colunista do “Guardian”.

O recuo pode agora abrir caminho aos restantes adeptos do futebol inglês.

Segundo noticiou terça-feira o “Telegraph“, a Federação de Adeptos de Futebol (FAF) de Inglaterra já convocou uma reunião com todas as associações representativas de adeptos dos vários clubes da Premier League para discutir a possibilidade de avançar com novos protestos ao longo das próximas semanas.

“A FAF vai agendar uma reunião com os representantes para discutir os próximos passos. Há várias opções em cima da mesa e temos que aproveitar o mediatismo que o ‘walkout’ em Liverpool deu à questão”, comentou Kevin Miles, líder da FAF ao jornal inglês.

E caso as administrações dos restantes clubes ignorem os protestos, os adeptos já sabem qual será o próximo alvo: “Se os patrocinadores se tornarem o alvo dos protestos provavelmente acabarão por exercer alguma influência sobre os donos mais intransigentes.”

Guerra contra a ganância

A Federação de Adeptos não tem grandes dúvidas que se vive uma autêntica guerra entre adeptos e administrações de clubes, acusando os segundos de olharem para os fãs como consumidores e nada mais do que isso.

“É uma guerra contra a ganância que não nos podemos dar ao luxo de perder”, refere o comunicado da federação, publicado esta segunda-feira. Neste, lembram que os adeptos do Tottenham, Arsenal, Everton, Manchester United e Sunderland solidarizaram-se rapidamente com os congéneres do Liverpool.

É assim de esperar que, sem recuos semelhantes ao do Fenway Group, se venham a registar mais jornadas de protesto nos estádios da Premier League. E Liverpool ficará como o centro desta revolução.

Palavra a David Ginola, que jogou em Inglaterra entre 1995 e 2002: “É preciso lembrar que o futebol é um desporto da classe operária. Para o povo, 77 libras é um exagero. Liverpool é uma cidade operária e pedir 77 libras é um abuso. Especialmente quando se quer ir a um jogo em família.”

in: Dinheiro Vivo, 11 fevereiro 2016

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