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Grécia. Debate a sete demasiado morno para fase tão quente

Meimarakis quer coligação alargada e queixa-se que Tsipras “nem se encontra ou fala” consigo. O líder do Syriza admitiu “erros e excessos”. Dia 14 será o debate entre os dois

Os líderes de sete dos maiores partidos gregos realizaram na noite desta quarta-feira o primeiro debate tendo em vista as eleições do próximo dia 20 de Setembro. Além de Alexis Tsipras (Syriza), estiveram Evangelis Meimarakis (Nova Democracia), Fofi Gennimata (Pasok), Stavros Theodorakis (Potami), Dimitris Koutsoumbas (KKE), Panagiotis Lafazanis (Unidade Popular) e Panos Kammenos (Gregos Independentes). Dos partidos com mais intenções de voto, faltou apenas Nikos Michaloliakos, do partido de extrema-direita Aurora Dourada.

Segundo dá conta o “Ekathimerini“, Alexis Tsipras aproveitou o debate para fazer a defesa dos seus sete meses de governo, admitindo que ao longo do mandato “houve excessos e erros” e que o acordo a que chegou em Julho com os credores europeus visou a estabilização da economia. Defendeu que ao contrário dos seus antecessores, o Syriza pelo menos negociou com os credores, criticando a Nova Democracia por se ter limitado a aceitar as exigências dos mesmos credores.

O líder da Nova Democracia preferiu puxar pela honestidade da postura do seu partido, sublinhando nunca terem feito promessas impossíveis de cumprir. “Não prometemos rasgar o memorando”, apontou Meimarakis, acusando o Syriza de ter provocado as eleições de Janeiro último, “quando a economia estava em muito melhor estado que actualmente. O governo da Nova Democracia foi interrompido de forma violenta”, acusou. Em Dezembro de 2014, o então governo da Nova Democracia tentou por três vezes ter um novo Presidente nomeado no parlamento e por três vezes foi chumbada a intenção, apesar do apoio ao Pasok aos nomes que iam sendo propostos pela ND.

Sobre as indicações que têm sido dadas pelas sondagens, Meimarakis voltou a repetir o que tem vindo a defender, assegurando que se ganhar as eleições irá procurar uma coligação alargada, queixando-se porém da postura de Alexis Tsipras, que em caso de vitória já disse que não contará com a ND. “Tsipras nem se encontra ou fala comigo”, detalhou Meimarakis sobre este ponto.

Dentro do jogo das futuras coligações, o To Potami (de centro)  é o partido que parece mais próximo de ser convocado para o governo que sair das eleições de dia 20, tendo o seu líder aliás estipulado isso mesmo como objectivo. Mas Theodarakis avisou no debate não estar disponível a qualquer preço: “Votámos pelo memorando de Tsipras porque a alternativa era bem pior. Mas isso não quer dizer que não vamos defender os derrotados do memorando”, nomeando os desempregados e os empresários forçados à falência como as maiores vítimas do novo resgate. A reforma do sector público é um dos maiores objectivos do Potami.

Um outro partido que estará nos lugares cimeiros dos partidos a ser contactado pelo vencedor das eleições é o Pasok, que luta pela quase sobrevivência no seu espaço ideológico natural, agora quase totalmente ocupado pelo Syriza. Gennimata , líder dos socialistas, puxou pela “experiência, conhecimentos e capacidade de encetar duras negociações” do seu partido.

Já na esquerda (agora) à esquerda do Syriza, Lafazanis e Koutsoumbas, respectivamente da Unidade Popular – ex-Syriza – e do partido comunista grego, aproveitaram o debate para apresentar as diferentes visões sobre a saída da Grécia do euro, que ambos defendem. Lafazanis explicou ainda que recusou uma coligação pré-eleitoral com os comunistas do KKE porque os projectos de saída do euro dos dois partidos são “diferentes como a noite do dia”, avaliou.

O líder dos Gregos Independentes, ex-parceiro de coligação do Syriza no governo, apontou como único erro deste executivo não ter acabado com o imposto unificado sobre a propriedade, que chegou a estar na lista de medidas a anular pelo Syriza, ainda em Abril. Segundo as sondagens, os Gregos Independentes poderão nem fazer parte do próximo parlamento dada as baixas intenções de voto que lhes são atribuídas.

Segundo as reacções ao debate grego que foram sendo partilhadas através do twitter, o mesmo foi visto como algo demasiado morno para um período tão quente. A expectativa está agora totalmente virada para a próxima segunda-feira, data do frente a frente entre Tsipras e Meimarakis, cujos partidos ou surgem empatados ou com diferenças mínimas em todas as sondagens.

in: ionline, 10 Setembro 2015

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