Saltar para o conteúdo

Vitorino, Delors e Lamy pedem redução das dívidas grega e dos outros países sob assistência

Jacques Delors, António Vitorino e Pascal Lamy escrevem no “Le Monde” em defesa da “redução do peso da dívida da Grécia e dos outros países europeus” que estiveram com programas de assistência

Jacques Delors, presidente da Comissão Europeia entre 1985 e 1995, Pascal Lamy, ex-lider da Organização Mundial do Comércio, e António Vitorino, comissário europeu entre 1999 e 2004, publicaram um artigo este sábado no “Le Monde” onde pedem às autoridades europeias para avançarem “sem atrasos” com medidas que permitam o alívio da dívida pública grega mas também dos restantes países sob assistência.

Os três autores são respectivamente presidente fundador, presidente honorário e presidente do Instituto Jacques Delors e salientam no artigo que “a Grécia está numa situação crítica” cuja saída exige uma mudança na abordagem no combate à crise, tanto do lado dos credores europeus como do lado grego.

Grécia. Do ponto de vista do governo grego, Delors, Lamy e Vitorino referem que este deve manifestar de forma “clara uma vontade de romper com a Grécia dos últimos 40 anos” e também de acabar “com a tentativa de culpar o exterior pelos problemas essenciais de Atenas”. Pedem também que o executivo de Tsipras entenda que a sua legitimidade democrática não supera a dos restantes países do euro. Só com estas posturas, dizem, “as autoridades gregas terão maior capacidade” para obter um compromisso estável com os parceiros europeus.

Europa. Os autores avançam depois para o ponto de vista dos credores europeus. Lembram que o “drama grego não é nem será” unicamente de Atenas: “Vai afectar toda a Europa, incluindo a Grécia, que faz parte da sua história e geografia.” É por isso que os três europeístas convictos pedem que a Europa olhe para este problema bem para lá do ângulo financeiro: Querem que não se analise a questão “com o microscópio do FMI” mas antes “com os binóculos das Nações Unidas” para que ninguém se esqueça que a Grécia faz parte dos Balcãs, onde a instabilidade não deve ser fomentada, especialmente quando há guerras na Ucrânia e na Síria e um crescente número de ameaças terroristas, “já para não mencionar a crise migratória”.

Plano em três partes. Delors, Lamy e Vitorino avançam então com uma proposta para a Europa que dividem em três partes diferentes. “Em primeiro lugar, avançar com um apoio financeiro razoável” que tire a Grécia da quase insolvência no imediato. Depois, “mobilizar os instrumentos da UE para relançar a economia grega e, logo, o seu crescimento”, o que irá ajudar a reduzir o rácio dívida/PIB do país. “Finalmente, e sem demoras, reduzir o peso da dívida da Grécia e dos outros países europeus ‘sobre programa'”, mas sempre dentro do contexto comunitário e em alinhamento com os países do euro, defendem.

“Só com um plano tão abrangente será possível abrir as perspectivas de esperança e de uma mobilização para o povo grego e as autoridades e, assim, chamá-los ao esforço de reconstrução que o país precisa e de que a União Europeia irá beneficiar.”

A terminar, uma nota mitológica, ou não estivesse em causa a Grécia: “Foi por ter a esperança de voltar a Ítaca e a Penélope que Ulisses arranjou coragem para aguentar dez anos de provações depois das vividas na guerra de Tróia.”

in: ionline, 4 Julho 2015

Anúncios

Comentar

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: