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Grécia. Tsipras tenta ‘golpe de teatro’ de última hora e apresenta nova proposta

Atenas avançou com pedido para um terceiro resgate, avaliado em 29 mil milhões de euros. Eurogrupo avisa que condições serão duras

Adultos procuram-se, nos dois lados da barricada. Entre a falta de flexibilidade e dramatização dos líderes europeus ou os sucessivos volte-face do lado grego, são cada vez menos os decisores envolvidos no dossiê da Grécia que parecem saber o que estão realmente a fazer, ou em prol de quem. O pior exemplo de ontem chegou de Atenas.

A meio da tarde desta terça-feira, confrontada com rumores sobre a hipótese de cancelamento do referendo, Zoe Konstantopoulou, a presidente do parlamento grego, assegurava que não havia mecanismos constitucionais para voltar atrás na consulta. Quase ao mesmo tempo, representantes do governo garantiam que essa era uma hipótese real. Yannis Dragasakis, vice-primeiro-ministro, em entrevista à televisão grega salientou que caso a nova proposta grega seja aceite, o referendo poderia ser simplesmente cancelado. “É uma questão política, o governo pode decidir de forma diferente.” Foi o corolário de mais um dia de loucos, entre avanços, recuos, rumores e notícias que ninguém antecipava. Do lado dos credores, veio de Roma o populismo do dia: “Não aumentámos a idade da reforma dos italianos para os gregos manterem a deles”, disse Renzi.

Dia de loucos Horas antes de até o referendo ser posto em causa, já muito tinha acontecido no dia em que terminou o programa de assistência da Grécia e passou o prazo para_pagar 1,6 mil milhões ao FMI. O primeiro acto veio do lado dos credores: o ministro das Finanças austríaco divulgou que os credores europeus estavam a tentar puxar Atenas de volta à mesa das negociações, algo que viria mesmo a acontecer, mas não da forma que Hans Joerg Schelling provavelmente esperaria. Este segundo acto chegou menos de quatro horas depois: o governo grego surpreende meio mundo e anuncia que vai pedir um terceiro resgate. A proposta segue por carta para os presidentes do Eurogrupo e do Mecanismo Europeu de Estabilidade mas com várias nuances. O novo resgate já não teria a participação do FMI e incluiria “a reestruturação” da dívida grega junto do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira – cerca de 131 mil milhões – além da extensão por alguns dias do resgate actual. “Desde o início que deixámos claro que o referendo não é o fim mas a continuação das negociações por melhores condições”, defendia o governo de Tsipras.

A resistência europeia não se fez esperar, com Jeroen Dijsselbloem, líder do Eurogrupo, a apontar que “um novo resgate viria ainda com condições mais duras”. Ao pedido grego, seguiu-se uma teleconferência entre os ministros das Finanças do euro, que desde logo deixaram claro que a extensão do programa seria impossível. Porém, e sem ter apresentado propostas de austeridade com o pedido para o terceiro resgate, esse foi o tema central da conversa dos ministros. O terceiro acto chegaria agora: ao longo da reunião, Atenas terá cedido mais um pouco face à última proposta apresentada pelos credores, com rumores a garantirem que Varoufakis chegou a oferecer a desconvocatória do referendo em troca de condições menos agressivas no acordo com os credores. Já os ministros terão antes pedido ao Syriza que mudasse de posição e passasse a fazer campanha pelo “sim” no referendo. O que seria no mínimo estranho.

Fora do campo dos rumores, certo é que os gregos acabaram por apresentar uma nova proposta de acordo aos credores, com o Eurogrupo a agendar nova teleconferência para esta manhã para debatê-la.

in: Jornal i, 1 Julho 2015

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