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Grécia. Líderes da Europa dramatizam discurso para apelar ao voto no “sim”

Tsipras acalma gregos e diz que vitória do “Não” não leva à expulsão do euro. “Os custos para os credores seriam imensos.”

Não foi um, nem dois, nem três… foram quatro. François Hollande, Angela Merkel, Matteo Renzi e Jean-Claude Juncker mostraram ontem que os líderes da Europa já decidiram a estratégia:transformar o referendo não numa consulta sobre o acordo de austeridade proposto a Atenas mas sim sobre a permanência da Grécia na moeda única ou mesmo na UE.  Os sinais desta estratégia tornaram-se visíveis na manhã de ontem, com Juncker, líder da Comissão Europeia a abrir as hostilidades.

“Depois de todos os meus esforços, sinto-me traído”, começou por apontar, acusando de seguida o governo Tsipras de ter“virado as costas às negociações”, isto apesar de a última proposta dos credores ter sido apresentada na forma de ultimato. Mas Juncker foi ainda mais longe ao afastar-se da verdade:“Nunca propusemos cortes nas pensões. Tal nunca teve em cima da mesa e é errado dizerem que esteve”, disse o presidente daComissão Europeia. Nada mais falso, contestaram de imediato os jornalistas presentes na sala. Na proposta europeia está previsto, por exemplo, o fim dos suplementos de reforma para os pensionistas mais pobres ou o aumento das contribuições pagas por todos os reformados. Seguiu-se a mudança de tema no referendo:“Apelo ao povo grego que vote ‘Sim’ no referendo. Que vote “Sim”a ficar no euro.”

Este seria o tom que todos os líderes europeus seguiriam ao longo do dia, com destaque especial para a Alemanha. Se Merkel defendeu “que ninguém deve neste momento pressionar os eleitores gregos”, salientando estar disponível para retomar o diálogo com Atenas depois do referendo, logo a seguir o seu vice-chanceler, Sigmar Gabriel, alertou que se o ‘Não’ ganhar a Grécia estará a dizer que não quer ficar no euro, considerando que esta é a maior crise europeia desde 1957. Seguiu-se a Itália:“O referendo é o euro contra o dracma, é essa a escolha de domingo”, apontou Matteo Renzi, primeiro-ministro.

Também François Hollande alinhou pelo mesmo diapasão, isto apesar da França ter sido o país que mais se mostrou disponível para estender o resgate grego por alguns dias até à realização do referendo. “Faz parte dos direitos do povo grego de escolherem o que vai ser o seu futuro. Isto [referendo] é sobre se os gregos querem ficar na zona euro ou se querem correr o risco de sair.”

Tsipras:“Não nos expulsam” Apesar das várias respostas deixadas pelo porta-voz do governo grego ao longo do dia, Alexis Tsipras esperou pela noite para reagir às intervenções dos líderes europeus. Oprimeiro-ministro da Grécia, em entrevista à televisão grega, voltou a apelar ao voto no “Não”, explicando que só com esta resposta será possível voltar a reunir com os credores e negociar um programa de ajustamento menos punitivo para o país. Além disso, e para acalmar os eleitores, lembrou que os parceiros europeus não vão expulsar a Grécia da moeda única mesmo que o “Não” ganhe o referendo. “É simples. Ocusto para os credores seria imenso”, explicou. Tsipras referiu ainda que caso o “Sim” vença deverá demitir-se.

Sobre as acusações e pressões feitas ao longo do dia, o governante sublinhou que Atenas “não só não saiu da mesa das negociações como continua na mesma”. Elembrou que foram os credores europeus que deram 48 horas ao governo grego responder a um ultimato.

in: Jornal i, 30 Junho 2015

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